Conselho de Medicina endurece regras e proíbe preenchedor PMMA
Restrição do uso do preenchedor atinge apenas médicos, o que levanta discussão sobre regras para outros profissionais de saúde.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu o uso do PMMA como preenchedor em procedimentos estéticos, exceto em casos específicos médicos, por preocupações com os riscos à saúde.
Apesar disso, produto continua sendo comercializado; especialista em direito médico aponta preocupação
A decisão do Conselho Federal de Medicina (CFM) de proibir o uso do polimetilmetacrilato (PMMA) como substância preenchedora em procedimentos estéticos e reparadores marca um novo capítulo na discussão sobre segurança dos tratamentos estéticos no Brasil. A medida, em vigor desde 2 de junho, foi tomada em meio ao aumento das preocupações da comunidade médica com os riscos associados ao produto e após novos casos de complicações graves, incluindo mortes relacionadas à sua aplicação.
Como age o preenchedor
O PMMA é um material sintético formado por microesferas suspensas em gel e classificado como um preenchedor permanente. Ao longo dos anos, cresceu o uso desse material em procedimentos destinados ao aumento de volume em regiões como glúteos, rosto e outras partes do corpo.
No entanto, ao contrário de produtos que são naturalmente absorvidos pelo corpo dos pacientes, os efeitos do PMMA são duradouros. Além disso, essa maior dificuldade de absorção também atrapalha a correção de eventuais complicações que podem surgir meses ou até anos após a aplicação.
Somente uso médico
A resolução do CFM determinou como única exceção o uso médico do PMMA no tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV/aids, desde que sua aplicação seja realizada em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e seguindo protocolos do Ministério da Saúde. Lipodistrofia é um grupo de doenças que provoca a perda de gordura em áreas específicas do corpo.
Desse modo, para todos os demais casos, o uso da substância como preenchedor fica proibido em todo o território nacional. Para muitos especialistas, a medida representa um avanço na regulamentação dos procedimentos estéticos, uma vez que reforça a preocupação com a segurança dos pacientes.
A advogada Caroline Bittar, especialista em direito médico, avalia que a decisão reflete uma preocupação crescente das entidades médicas com os riscos associados ao produto. "Existem muitos casos de complicações que resultaram em processos inflamatórios crônicos, infecções, deformidades e até migração do material para outras regiões do corpo, comprometendo a saúde dos pacientes", afirma.
Caroline cita a morte da maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, no final do mês passado, em São Paulo. A mulher passou mal após realizar um procedimento estético com aplicação da substância. "Foi um caso de grande repercussão na imprensa e que voltou a chamar a atenção para os riscos envolvidos em procedimentos invasivos realizados com produtos permanentes", comenta a advogada.
Comercialização de PMMA continua
Ela destaca que, embora o Conselho Federal de Medicina tenha determinado a proibição do uso do preenchedor, a medida atinge apenas os profissionais médicos. "A comercialização do produto continua autorizada e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não proibiu seu uso para todos os profissionais da saúde. Embora o CFM entenda a necessidade de uma proibição total, até o momento não houve mudança nas regras de comercialização do PMMA", alerta.
Segundo a advogada, a discussão demonstra a necessidade de se buscar um equilíbrio entre resultados duradouros e a segurança dos pacientes submetidos a procedimentos estéticos. "Com a popularização de procedimentos minimamente invasivos, aumentou o acesso a tratamentos estéticos e também a necessidade de informações sobre os riscos desses procedimentos", pontua. Na opinião da especialista, a responsabilidade dos profissionais de saúde precisa estar sempre alinhada às determinações dos órgãos fiscalizadores.
Edição: Fernanda Villas Bôas
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