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Por que as grifes de luxo apostam nas mulheres 50+? Entenda

O desafio atual das marcas é equilibrar o desejo comercial com uma representação autêntica de que envelhecer pode, sim, ser sinônimo de elegância e liberdade - sem que isso signifique ter que se encaixar em padrões estéticos irreais

10 mar 2026 - 18h06
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Este ano, as passarelas ao redor do mundo estão consolidando as mulheres 50+. Com modelos de cabelos grisalhos e sexagenárias ocupando as primeiras filas, estas mulheres deixaram de ser invisíveis para se tornarem o foco estratégico das grandes grifes. O movimento ganhou força quando o estilista Matthieu Blazy abriu o desfile da Chanel com Stéphanie Cavalli, de 50 anos. Logo, os fios prateados causaram frisson. Eles reforçam que a maturidade traz uma dimensão de vivência e sofisticação que a moda agora busca exaltar.

Mulheres 50+ nas passarelas: Demi Moore, Laura Dern e Andie MacDowell
Mulheres 50+ nas passarelas: Demi Moore, Laura Dern e Andie MacDowell
Foto: Getty Images / Bons Fluidos
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Mulheres 50+

Mais sabedoria, menos colágeno. Essa tendência é compartilhada por nomes como Simon Porte Jacquemus, que elevou sua avó Liline, de 79 anos, ao posto de embaixadora da marca. Além disso, mantém musas como Pamela Anderson e Lio exibindo suas rugas com naturalidade. Para veteranas como Kate Moss, que aos 52 anos encerrou o desfile da Gucci com um vestido icônico, este é o melhor momento para ter 50 anos na indústria. A diversidade geracional reflete uma evolução na mentalidade dos criadores, que agora veem na "mulher de negócios" — aquela que possui não apenas o poder aquisitivo, mas uma cultura de moda e um relacionamento de longo prazo com o luxo — o seu público-alvo mais fiel.

A presença de ícones como Demi Moore, Andie MacDowell e Michelle Pfeiffer nas primeiras filas da Armani e Saint Laurent confirma que o mercado busca atingir consumidoras que valorizam a experiência e o conhecimento da peça. Em um momento de desafios financeiros para gigantes como a LVMH e a Kering, o foco na mulher madura não é apenas uma escolha estética, mas uma estratégia de sobrevivência comercial. Trata-se de dialogar com quem entende que o luxo não é trivial e exige uma bagagem cultural que dificilmente se consolida aos 20 anos.

Riscos

Entretanto, especialistas alertam para os perigos desse novo culto. A crítica de moda Sophie Fontanel, da revista "Nouvel Obs", explica que, embora a visibilidade seja positiva, existe uma "armadilha". Existe uma imposição (implícita, pero no mucho) de que essas mulheres continuem seguindo padrões rígidos de magreza e sensualidade extrema.

"São apresentadas mulheres entre 50 e 65 anos, ou até mais velhas, que continuam com um aspecto incrível", afirma.

Por fim, para que a inclusão seja real, a moda precisa aceitar a maturidade em todas as suas formas. Não apenas quando ela se encaixa em moldes pré-estabelecidos. Por isso, o desafio atual das marcas é equilibrar o desejo comercial com uma representação autêntica de que envelhecer pode, sim, ser sinônimo de elegância e liberdade.

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