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Morte em instituto russo levanta suspeita de peste e coloca quase 200 sob observação

OMS acompanha o episódio, e autoridades russas adotaram medidas preventivas em hospitais e espaços públicos da região de Irkutsk

5 out 2026 - 15h40
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Resumo
A morte de uma funcionária de um centro de doenças infecciosas na Sibéria gerou suspeita de peste pneumônica e colocou quase 200 pessoas em quarentena preventiva. Embora a causa oficial do óbito por pneumonia grave ainda não tenha sido confirmada, os contatos monitorados testaram negativo e seguem sem sintomas. Monitorado pela OMS e pelos EUA, o caso é tratado por especialistas como um provável e raro acidente laboratorial, com risco considerado muito baixo de se transformar em um surto ampliado.

Uma funcionária do Instituto de Pesquisa Anti-Peste da Sibéria e do Extremo Oriente, especializado em doenças infecciosas, morreu em 2 de outubro depois de apresentar pneumonia grave em Irkutsk, na Sibéria. A morte ganhou repercussão por levantar a suspeita de um caso de peste bubônica.

Suspeita de peste levou quase 200 pessoas a acompanhamento médico e provocou medidas de precaução em hospitais da Sibéria
Suspeita de peste levou quase 200 pessoas a acompanhamento médico e provocou medidas de precaução em hospitais da Sibéria
Foto: Hailshadow/Getty Images Signature / Bons Fluidos

A causa da morte, contudo, ainda não recebeu confirmação oficial. A agência sanitária russa Rospotrebnadzor informou que a funcionária apresentou uma "pneumonia de etiologia desconhecida" e declarou que os exames não detectaram microrganismos relacionados às atividades profissionais dela.

Suspeita de peste mobiliza autoridades na Sibéria

As medidas adotadas alcançaram diferentes pontos da região. Segundo a 'NBC News', um hospital de Shelekhov, onde a mulher recebeu atendimento, entrou em quarentena e quase 200 pessoas ficaram sob observação médica preventiva. Outras unidades também restringiram visitas ou a circulação de pessoas.

O governador da região de Irkutsk, Igor Kobze, afirmou, contudo, que os contatos monitorados não apresentavam sinais da doença. "Todas as pessoas que tiveram contato com o caso foram colocadas sob observação médica. Até o momento, elas não apresentam sintomas e os resultados dos exames laboratoriais foram negativos", escreveu Kobzev no Telegram, segundo o 'The Moscow Times'.

Autoridades ainda cancelaram eventos públicos em Irkutsk, e uma fundição de alumínio em Shelekhov passou a exigir o uso de máscaras como medida preventiva. Apesar dessas ações, a Rospotrebnadzor declarou que a situação sanitária e epidemiológica permanecia estável.

OMS acompanha o caso

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou à 'CNBC' que tomou conhecimento da morte de uma funcionária e ofereceu apoio à Rússia. Ademais, a entidade destacou que os exames ainda estavam em andamento e que as autoridades ainda não haviam confirmado oficialmente a causa do óbito.

"Todos os contatos do paciente foram identificados e estão sendo monitorados quanto a possíveis sintomas de alguma doença, e até o momento nenhum deles apresentou sintomas", reforçou a OMS.

Com as informações disponíveis naquele momento, a organização considerava baixo o risco para a população em geral, mas informou que poderia atualizar a avaliação conforme surgissem novos dados.

Estados Unidos dizem acompanhar situação

Além disso, episódio repercutiu fora da Rússia. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o governo norte-americano acompanha o desenvolvimento do caso. "Não acho que seja motivo para alarme, mas é motivo para atenção e para ficarmos de olho na situação", esclareceu, segundo o 'The Guardian'.

À 'NBC News', um porta-voz do Departamento de Estado pediu que as autoridades russas divulgassem as informações sobre o episódio "Muitos detalhes ainda não foram confirmados. Encorajamos as autoridades russas a compartilhar informações precisas de forma rápida e transparente", declarou.

O que se sabe sobre a peste pneumônica?

A peste é provocada pela bactéria Yersinia pestis. Na forma bubônica, normalmente associada a pulgas infectadas, o quadro costuma provocar inchaço doloroso dos gânglios linfáticos. Já a forma pneumônica afeta os pulmões e pode passar entre pessoas por meio de gotículas respiratórias.

Apesar dessa possibilidade de transmissão, especialistas ouvidos pelos veículos defendera que os dados disponíveis não indicavam, naquele momento, um cenário de disseminação ampla. "Este caso parece ser um raro acidente de laboratório e é improvável que se agrave", disse Ian Jones, professor de virologia da Universidade de Reading, ao 'The Guardian'.

Ademais, o ex-coordenador da resposta à Covid-19 da Casa Branca Ashish Jha também avaliou o risco de expansão em entrevista à 'NBC News'. "Podemos ver mais algumas pessoas infectadas, mas as chances de isso se tornar um surto maior, muito menos uma pandemia global, são extremamente baixas", ressaltou.

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