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Como evitar a ressaca no Carnaval? Especialistas dão dicas essenciais

Especialistas explicam por que o excesso de álcool derruba a energia, como evitar o mal-estar e o que realmente funciona quando a ressaca já chegou

13 fev 2026 - 12h06
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Dor de cabeça intensa, enjoo, cansaço extremo e desidratação. A ressaca, tão comum após os dias de Carnaval, é um sinal claro de que o organismo entrou em sobrecarga. O exagero no consumo de bebida alcoólica durante a folia compromete o funcionamento do fígado, desregula o metabolismo e afeta diretamente a alimentação e o equilíbrio do corpo.

Dor de cabeça, enjoo e cansaço são sinais de ressaca e sobrecarga do organismo; confira cuidados para antes, durante e depois do Carnaval
Dor de cabeça, enjoo e cansaço são sinais de ressaca e sobrecarga do organismo; confira cuidados para antes, durante e depois do Carnaval
Foto: Reprodução: Canva/Pressmaster / Bons Fluidos

De acordo com Dra. Paula Pires, endocrinologista e metabologista da SBEM, o problema vai muito além do desconforto momentâneo. "A ressaca acontece porque o organismo precisa se desdobrar para absorver e metabolizar grandes quantidades de álcool. Nesse processo, o fígado é o órgão mais exigido, já que produz as enzimas responsáveis pela metabolização do etanol. O excesso gera um desequilíbrio importante, afetando também o sistema nervoso", explica.

Alta concentração de álcool

Segundo a médica, mesmo depois de o álcool já ter sido eliminado do organismo, a concentração dessas enzimas que são tóxicas, ainda permanece elevada, o que ajuda a explicar sintomas como dor de cabeça, náuseas, diarreia, desidratação e extremo cansaço.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a dose padrão de álcool equivale a cerca de 10 a 12 gramas de álcool puro. Isso corresponde a uma lata de cerveja (330 ml), uma taça de vinho (100 ml) ou uma dose de destilado (30 ml). "Bebidas como uísque, vinho tinto, tequila e conhaque costumam causar ressacas mais intensas do que cerveja ou bebidas claras, como vodca e gim. Isso não significa que elas não provoquem ressaca, mas o impacto costuma ser diferente", alerta Dra. Paula.

Antes, durante e depois da folia: como reduzir o risco da ressaca

Para quem pretende aproveitar o Carnaval com mais equilíbrio, algumas medidas fazem diferença:

Antes da festança

  • Hidrate-se bem nos dias anteriores, com água e sucos naturais (2 a 3 litros por dia);
  • Evite frituras e alimentos muito gordurosos; prefira carnes magras;
  • Pratique atividade física, especialmente aeróbica, para melhorar a resistência física.

Durante a folia

  • Hidrate-se constantemente, já que o suor e o álcool aumentam a perda de líquidos e eletrólitos;
  • Nunca beba em jejum; consuma alimentos leves ao longo do dia;
  • Evite frituras, que aumentam o desconforto gástrico e a sensação de moleza.

Depois

  • Se exagerou, o corpo pede descanso: repouso é essencial;
  • Água, sucos e líquidos ao longo do dia ajudam a reduzir o tempo de recuperação;
  • Prefira refeições leves, frutas, verduras, sopas e caldos, evitando alimentos gordurosos.

Estou de ressaca. O que realmente funciona?

Segundo a Dra. Paula Pires, não existe remédio capaz de "curar" a ressaca ou acelerar o metabolismo do álcool. "Banho frio, café forte, chás milagrosos ou produtos com cheiro intenso não resolvem. O essencial é hidratação, consumo de carboidratos e repouso. Na maioria dos casos, a ressaca melhora ao longo do dia", afirma.

Analgésicos simples, antiácidos ou anti-histamínicos podem aliviar alguns sintomas, mas não tratam a causa do problema. Bebidas como água, água de coco, sucos e isotônicos sem álcool ajudam a repor líquidos, sais minerais e vitaminas. Refrigerantes não hidratam, mas podem auxiliar em casos de queda de glicose.

A médica também faz um alerta sobre os chamados "remédios antirressaca". "Eles têm pouco respaldo científico, misturam substâncias para aliviar sintomas pontuais e não corrigem a desidratação nem a hipoglicemia. Além disso, podem passar uma falsa sensação de proteção e estimular o consumo excessivo de álcool", ressalta.

O olhar do fígado: quando a ressaca merece atenção

Dra. Patrícia Almeida, hepatologista e doutora pela USP, explica que a ressaca também reflete o impacto direto do álcool sobre o fígado e o sistema digestivo. "O álcool tem efeito diurético, provoca desidratação, altera eletrólitos e, durante sua metabolização, gera o acetaldeído, uma substância tóxica responsável por sintomas como náuseas, sudorese e aceleração dos batimentos cardíacos", explica.

Segundo a especialista, o álcool ainda irrita a mucosa do estômago e do intestino, favorecendo dor abdominal, vômitos e diarreia, além de prejudicar a liberação de glicose pelo fígado, o que pode causar fraqueza e tremores. "O sono também é afetado. Embora o álcool induza o adormecer, ele compromete a qualidade do descanso, resultando em mais cansaço no dia seguinte", completa.

A médica alerta que sinais como olhos amarelados, urina escura, dor intensa no lado direito do abdômen ou vômitos persistentes não devem ser ignorados, pois podem indicar problemas mais graves, como hepatite alcoólica.

"Beba com moderação, intercale o álcool com água, alimente-se antes e durante a festa e respeite seus limites. Se exagerar, dê tempo para o corpo se recuperar e procure ajuda médica se os sintomas persistirem", orienta Dra. Patrícia. Para quem consome álcool com frequência, manter hábitos saudáveis e realizar exames periódicos é fundamental para preservar a saúde do fígado e do metabolismo, no Carnaval e durante todo o ano.

Sobre os especialistas 

Dra. Paula Pires (CRM/SP 138.809) é especialista em Endocrinologia e Metabologia, especialista em Endocrinologia Pediátrica e especialista em Clínica Médica. Possui graduação pela Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília - UnB. Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia- SBEM e Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia Pediátrica.

Dra. Patricia Almeida (CRM SP 159821) possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (2010). Realizou aprimoramento em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP) e aprimoramento em Transplante de fígado no Hospital das clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP). Realizou Doutorado em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

*Fonte: Update Comunicação

Bons Fluidos
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