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Beterraba: a força silenciosa que vem da raiz

De raiz simples à aliada da saúde: beterraba reúne nutrientes, antioxidantes e tradição no prato

26 mar 2026 - 10h33
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Fruta, raiz, legume ou verdura? Ninguém sabe direito o que ela é, mas a beterraba parece não se importar muito com a resposta. Sua cor intensa invade o prato, marca as mãos e permanece, pra provar que ela não veio pra brincadeira.

Rica em nitratos, antioxidantes e fibras, a beterraba ganha destaque na ciência e na alimentação; entenda seus benefícios
Rica em nitratos, antioxidantes e fibras, a beterraba ganha destaque na ciência e na alimentação; entenda seus benefícios
Foto: Reprodução: zeleno/Getty Images Pro / Bons Fluidos

Botanicamente, é uma raiz tuberosa. Mas, na experiência cotidiana, ela nunca foi uma categoria, sempre foi presença.

Aliás ela é um dos alimentos mais vivos da minha memória. Cresci em uma casa onde ela aparecia com frequência, simples e constante.  Lembro bem da minha mãe na cozinha, refogando suas folhas e  talos, aproveitando tudo. Não era improviso, nem curiosidade. Era um saber que vinha de antes, lá de trás com minha avó. Naquele tempo, eu não sabia nomear o valor daquilo, sabia que fazia bem, mas para o quê? Sabe-se Deus! 

O que a ciência começa a revelar

Durante muito tempo, a beterraba ocupou um lugar discreto na alimentação. Era vista como um alimento simples, nutritivo, mas sem grande destaque. Esse cenário começou a mudar nas últimas décadas, quando passou a chamar atenção da ciência por suas propriedades funcionais.

Grande parte desse interesse se concentra nos nitratos naturais presentes na beterraba. Uma vez ingeridos, esses compostos são convertidos pelo organismo em óxido nítrico, uma molécula fundamental para a saúde vascular.

Estudos mostram que esse mecanismo está associado à melhora da circulação sanguínea, à redução da pressão arterial e ao uso mais eficiente do oxigênio pelo corpo, o que ajuda a explicar o interesse crescente pelo consumo do suco de beterraba em contextos de desempenho físico (Kapil et al., 2015; Domínguez et al., 2017). Mas reduzir a beterraba a esse único mecanismo seria simplificar demais o que ela oferece.

 Muito além do óxido nítrico

A beterraba funciona como uma combinação complexa de compostos bioativos que atuam de forma integrada. Entre eles, destacam-se as betalaínas, pigmentos responsáveis por sua cor intensa, associados a efeitos antioxidantes e à modulação de processos inflamatórios. Estudos indicam que esses compostos podem contribuir para a redução do estresse oxidativo e para a proteção celular (Clifford et al., 2015; Sawicki et al., 2016).

Além disso, a beterraba contém polifenóis, fibras alimentares importantes para a saúde intestinal, folato essencial para funções neurológicas e minerais como potássio e manganês.

O mais relevante, no entanto, está na interação entre esses componentes. A ciência nutricional tem avançado no entendimento de que os alimentos atuam como sistemas complexos, nos quais diferentes compostos trabalham em conjunto, potencializando seus efeitos.

Entre tradição e ciência

Em um momento em que certos alimentos ganham destaque como superalimentos, a beterraba passou a ser comparada a ingredientes como cúrcuma e gengibre. Essa comparação, porém, exige cuidado.

Enquanto esses alimentos se destacam por compostos específicos, a beterraba não depende de um único elemento. Sua força está na combinação entre nitratos, antioxidantes e micronutrientes. Isso não a torna necessariamente mais potente, mas revela um tipo diferente de ação, baseada na sinergia de seus componentes.

Uso integral e valor nutricional

Muito antes de qualquer validação científica, o uso integral da beterraba já fazia parte da prática de muitas cozinhas.

As folhas, frequentemente descartadas, também concentram nutrientes importantes e compostos bioativos como flavonoides, carotenoides e ácidos fenólicos, associados à ação antioxidante e à proteção celular. Além disso, são fontes relevantes de cálcio, ferro e vitaminas do complexo B.

Esse aproveitamento integral, hoje reconhecido como prática nutricional eficiente, reforça o valor do alimento como um todo. A beterraba reúne características que a colocam entre os alimentos mais densos nutricionalmente disponíveis. Sua combinação de nitratos, antioxidantes e micronutrientes faz dela um recurso relevante tanto para a saúde cardiovascular quanto para o equilíbrio metabólico. Ainda assim, ela segue muitas vezes relegada a um papel secundário no prato.

Em um padrão alimentar que gira em torno de poucos vegetais, como alface e tomate, ampliar o repertório é também uma forma de cuidado. E, nesse cenário, a beterraba não apenas merece espaço. Merece protagonismo.

Referências

  • Kapil, V., Khambata, R. S., Robertson, A., Caulfield, M. J., & Ahluwalia, A. (2015).Dietary nitrate provides sustained blood pressure lowering in hypertensive patients. Hypertension, 65(2), 320-327.
  • Domínguez, R., Cuenca, E., Maté-Muñoz, J. L., García-Fernández, P., Serra-Paya, N., Estevan, M. C. L., & Herreros, P. V. (2017)Effects of beetroot juice supplementation on cardiorespiratory endurance in athletes. Nutrients, 9(1), 43.
  • Clifford, T., Howatson, G., West, D. J., & Stevenson, E. J. (2015).The potential benefits of red beetroot supplementation in health and disease. Nutrients, 7(4), 2801-2822.
  • Sawicki, T., Bączek, N., & Wiczkowski, W. (2016).Betalain profile, content and antioxidant capacity of red beetroot dependent on the genotype and root part. Journal of Functional Foods, 27, 249-261.
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