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Como remédios para emagrecer mudaram a Cirurgia Plástica

Medicamentos para perda de peso podem impactar preparo anestésico, estado nutricional e recuperação cirúrgica, exigindo avaliação médica criteriosa

20 mar 2026 - 17h30
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O avanço de medicamentos utilizados para perda de peso, como o Mounjaro (tirzepatida), tem mudado o perfil de pacientes que chegam aos consultórios de cirurgia plástica. Embora esses fármacos representem um importante recurso no tratamento da obesidade e no controle metabólico, especialistas alertam que o uso exige atenção redobrada quando há planejamento de procedimentos cirúrgicos. 

Como remédios para emagrecer mudam a Cirurgia Plástica
Como remédios para emagrecer mudam a Cirurgia Plástica
Foto: Revista Malu

De acordo com o cirurgião plástico Dr. Gerson Julio, com mais de 30 anos de carreira e mais de 9 mil cirurgias realizadas, a principal preocupação envolve os efeitos do medicamento no metabolismo e no sistema gastrointestinal. "Medicamentos como o Mounjaro atuam diretamente no organismo, retardando o esvaziamento do estômago e promovendo perda de peso significativa. No contexto cirúrgico, isso pode interferir tanto na segurança anestésica quanto na avaliação do estado nutricional do paciente", explica. 

Remédios para emagrecer não mudam hábitos

Segundo o especialista, antes de qualquer cirurgia plástica, é essencial garantir que o organismo esteja em condições adequadas para enfrentar o procedimento e passar por uma recuperação saudável. Dados da consultoria IQVIA apontam que a procura global por medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, grupo ao qual pertence a tirzepatida, cresceu de forma acelerada nos últimos anos. Esse movimento tem impacto direto também na cirurgia plástica, já que muitos pacientes recorrem aos procedimentos para tratar flacidez de pele e redefinir o contorno corporal após a perda de peso. 

Um dos principais pontos de atenção está relacionado ao estado nutricional do paciente. Como o medicamento reduz o apetite e pode levar a um emagrecimento mais rápido, alguns indivíduos podem apresentar deficiências de nutrientes essenciais para o processo de cicatrização. "Quando a perda de peso acontece de forma acelerada, pode haver impacto na qualidade da pele, na massa muscular e no equilíbrio nutricional. Esses fatores são fundamentais para uma boa recuperação pós-operatória", afirma o Dr. Gerson. 

Acompanhamento, sempre!

Por esse motivo, exames laboratoriais e avaliação clínica detalhada tornam-se ainda mais importantes antes da indicação de qualquer cirurgia. Hemograma completo, análise de proteínas, vitaminas e avaliação metabólica costumam fazer parte desse processo de preparo cirúrgico. 

Outro fator que exige atenção é o efeito do medicamento no esvaziamento gástrico. Mesmo após o período tradicional de jejum pré-operatório, o estômago pode ainda conter resíduos alimentares. "Esse atraso no esvaziamento gástrico pode aumentar o risco de aspiração durante a anestesia, que é uma complicação potencialmente grave. Por isso, a equipe anestésica precisa ser informada sobre o uso do medicamento para adotar protocolos de segurança adequados", explica o cirurgião. 

O uso das chamadas "canetas emagrecedoras" deve ser suspenso por um período de 15 a 21 dias antes de qualquer cirurgia plástica. Com o aumento do uso desses medicamentos, os consultórios têm recebido um novo perfil de pacientes. "Observamos cada vez mais pessoas que perderam peso rapidamente e buscam a cirurgia plástica para tratar a flacidez da pele ou aprimorar o contorno corporal. Isso exige uma avaliação ainda mais criteriosa e individualizada", explica o Dr. Gerson. Nesses casos, além da estabilidade do peso, fatores como a qualidade da pele, o grau de flacidez e o estado nutricional tornam-se determinantes para definir o momento ideal de realizar o procedimento. 

É preciso avisar sobre o uso de remédios para emagrecer

Para o especialista, um dos erros mais comuns é o paciente não informar o uso do medicamento durante a consulta. "Muitos acreditam que, por se tratar de um remédio para emagrecimento, ele não interfere no contexto cirúrgico. Na realidade, pode impactar diretamente na anestesia, na avaliação nutricional e no planejamento da cirurgia", alerta. 

Por isso, a recomendação é que o uso do medicamento seja informado desde a primeira consulta médica. "A cirurgia plástica exige planejamento. O mais importante é garantir que o paciente esteja saudável, com peso relativamente estável e com o organismo preparado para o procedimento. Segurança sempre deve vir em primeiro lugar", finaliza o especialista. 

Revista Malu Revista Malu
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