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China lança missão espacial preparatória para viagem à Lua

24 mai 2026 - 17h46
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É a primeira vez que um astronauta chinês ficará um ano inteiro em órbita. Pequim quer enviar humanos à Lua até 2030 e trava corrida espacial com os EUA.A China lançou neste domingo (24/05) sua missão Shenzhou-23, que deixará um astronauta chinês um ano inteiro em órbita pela primeira vez - passo crucial de Pequim em direção ao plano de enviar humanos à Lua até 2030, corrida na qual os Estados Unidos também competem com seu programa Artemis.

Missão Shenzhou-23 vai estudar os efeitos sobre o corpo humano de permanência prolongada no espaço
Missão Shenzhou-23 vai estudar os efeitos sobre o corpo humano de permanência prolongada no espaço
Foto: DW / Deutsche Welle

O foguete Longa Marcha 2-F decolou pontualmente às 12h08 (horário de Brasília) do centro de lançamento de Jiuquan, no deserto de Gobi, no noroeste da China, em meio a uma nuvem de chamas e fumaça, segundo imagens da emissora estatal CCTV.

A espaçonave se separou do foguete cerca de dez minutos depois e entrou em órbita, informou a agência espacial chinesa CMSA nas redes sociais.

"Os astronautas estão em boas condições, e o lançamento foi um sucesso completo", acrescentou.

Tripulação inclui ex-policial

A missão marca o primeiro voo espacial já realizado por uma astronauta de Hong Kong: Li Jiaying, de 43 anos, que trabalhou anteriormente na polícia de Hong Kong.

Os outros membros da tripulação incluem o engenheiro espacial Zhu Yangzhu, de 39 anos, e Zhang Zhiyuan, também de 39 anos, ex-piloto da força aérea, que viaja ao espaço pela primeira vez.

A bordo da estação espacial Tiangong, a tripulação deverá realizar numerosos projetos científicos nas áreas de ciências da vida, ciência dos materiais, física de fluidos e medicina.

Ali, o país também planeja receber até o fim do ano seu primeiro astronauta estrangeiro, vindo do Paquistão.

Experimento de um ano

Um experimento-chave da Shenzhou-23 será a permanência de um ano inteiro em órbita por um dos tripulantes, para estudar os efeitos de uma longa estadia em microgravidade.

O experimento faz parte dos preparativos da China para futuras missões lunares, assim como missões a Marte.

A CMSA ainda não definiu qual astronauta cumprirá a missão de um ano. Um porta-voz da entidade disse que o anúncio dependerá do progresso da missão Shenzhou-23.

Outro experimento em andamento, inédito no mundo, envolve um "embrião artificial" humano no espaço, com o envio de amostras de células-tronco humanas à tripulação da Shenzhou-22, informou a mídia estatal. O experimento tem como objetivo estudar a sobrevivência e reprodução de seres humanos no espaço.

Desafios

Segundo o astrofísico Richard de Grijs, professor da Universidade Macquarie, na Austrália, os principais desafios serão os efeitos de longo prazo sobre os humanos, como perda de densidade óssea, desgaste muscular, exposição à radiação, distúrbios do sono e fadiga comportamental e psicológica.

Grijs também destacou a importância de sistemas confiáveis de reciclagem de água e ar, assim como a capacidade de lidar com possíveis emergências médicas longe da Terra.

A China está construindo "de forma constante" experiência operacional para a "ocupação sustentada" de sua estação espacial Tiangong, e missões de um ano são um passo importante rumo a futuras ambições lunares e possivelmente mais distantes, disse Grijs à agência de notícias AFP.

"Um ano em órbita leva tanto os equipamentos quanto os humanos a um regime operacional diferente em comparação com as missões Shenzhou mais curtas das fases iniciais do programa", afirmou.

Até agora, as tripulações a bordo da Tiangong permaneceram em órbita, em sua maioria, por seis meses antes de serem substituídas.

China conquistou um lugar na corrida espacial

A China está testando os equipamentos necessários para uma viagem à Lua, com um voo de teste orbital de sua nova nave Mengzhou previsto para 2026. Ela substituirá a envelhecida linha Shenzhou.

O país também planeja construir a primeira fase de uma base científica tripulada até 2035: a Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS, na sigla em inglês), uma parceria com a Rússia.

O gigante asiático expandiu significativamente seus programas espaciais nos últimos 30 anos, investindo bilhões de dólares no setor para alcançar Estados Unidos, Rússia e Europa.

Em 2019, a China pousou a sonda Chang'e-4 no lado oculto da Lua — um feito inédito. Depois, em 2021, pousou um pequeno robô em Marte. Já em 2024, tornou-se o primeiro país a coletar amostras lunares da face oculta da lua, usando robôs.

A China foi formalmente excluída da Estação Espacial Internacional (ISS) em 2011, quando os Estados Unidos proibiram a Nasa de colaborar com Pequim, o que levou o gigante asiático a desenvolver seu próprio projeto de estação espacial.

A China já enviou astronautas à sua estação espacial diversas outras vezes, mas este lançamento ocorre em meio a uma corrida cada vez mais acelerada à Lua com os Estados Unidos, que alertaram para o que alegam serem planos de Pequim de colonizar e explorar territórios e recursos lunares.

A Nasa quer enviar uma missão tripulada à Lua em 2028. O objetivo é estabelecer uma presença de longo prazo no astro, com vistas a uma eventual exploração humana de Marte.

ra (AFP, Reuters)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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