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Cozinha bonita, mas pouco funcional? Veja os erros mais comuns

Beleza não basta: arquiteta aponta erros que comprometem a rotina na cozinha e dá dicas de como organizar o cômodo

4 nov 2026 - 15h43
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Resumo
Decisões tomadas na fase de projeto são cruciais para aliar beleza e funcionalidade na cozinha. A arquiteta Isabella Nalon alerta que ignorar a infraestrutura gera transtornos: coifas mal dimensionadas espalham gordura e ruído, enquanto a disposição inadequada de eletrodomésticos afeta a ergonomia e a segurança. O uso de materiais resistentes à umidade na marcenaria, a iluminação focada nas bancadas e o planejamento elétrico e hidráulico prévio evitam desgastes e garantem a durabilidade do espaço.

Arquiteta explica como decisões tomadas antes da obra influenciam o conforto, a funcionalidade e a durabilidade do ambiente

Uma cozinha pode render um visual impecável e, ainda assim, se tornar um problema no dia a dia. Fumaça que se espalha pela sala de estar integrada, gordura que se acumula nos móveis, falta de espaço para preparar os alimentos e equipamentos que consomem mais energia do que deveriam são alguns dos problemas que não aparecem durante a escolha dos revestimentos e da marcenaria.

Para a arquiteta Isabella Nalon, boa parte dessas dificuldades tem origem em decisões tomadas ainda na fase de projeto. "Podemos considerar, claro, a especificação de acabamentos belíssimos inspirados em tendências. Mas é preciso analisar como cada elemento vai funcionará depois que a cozinha estiver em uso. Ergonomia, ventilação, instalações elétricas, materiais e iluminação devem fazer parte do planejamento desde sempre", aponta.

A seguir, ela direciona erros bastante frequentes nos projetos e discorre sobre como mitigá-los:

Coifa: exaustão e o incômodo do barulho durante seu funcionamento

A instalação do cooktop na ilha central ou península exige extrema atenção sobre o funcionamento do sistema de exaustão. Como não há uma parede para ajudar a direcionar a fumaça, a escolha do modelo e o dimensionamento do equipamento deve considerar a posição do equipamento e as características do ambiente.

A infraestrutura também deve ser prevista antes da obra, principalmente quando a instalação exige pontos no teto. "Quando o dispositivo não dispõe da vazão necessária, o fato de não comportar a demanda traz grandes transtornos, como a sensação do ar carregado e a certeza de que o entorno, principalmente em áreas integradas, sofrerá com a gordura, os odores e, em muitos dos casos, o incômodo da elevação da temperatura", enumera a profissional.

O dimensionamento, segundo ela, se dá por meio do cálculo da vazão e referências de largura. 60 cm, em geral, atende área de cocção (fogão e cooktop) de quatro bocas, enquanto superfícies mais amplas pedem por coifas entre 80 e 90 cm.

A ilha central reúne cooktop e área de preparo, enquanto a marcenaria amadeirada contrasta com a bancada escura e os revestimentos claros. “Temos sempre que prever o ponto elétrico e o ponto de iluminação no teto para a instalação da coifa da ilha”, explica a arquiteta Isabella Nalon. Neste projeto, a cor do equipamento se sintoniza com a pedra escolhida para a bancada | Fotos: Julia Herman
A ilha central reúne cooktop e área de preparo, enquanto a marcenaria amadeirada contrasta com a bancada escura e os revestimentos claros. “Temos sempre que prever o ponto elétrico e o ponto de iluminação no teto para a instalação da coifa da ilha”, explica a arquiteta Isabella Nalon. Neste projeto, a cor do equipamento se sintoniza com a pedra escolhida para a bancada | Fotos: Julia Herman
Foto: Revista Malu

Acústica da cozinha

Outro aspecto é o ruído do aparelho que, em espaços interligados pode interferir nas conversas e no conforto dos moradores. "Por isso, além da capacidade de sucção, eu também avalio o nível sonoro e as possiblidades de instalação", relata Isabella.

Também é importante diferenciar depuradores de sistemas de exaustão. Enquanto o depurador filtra o ar e o devolve ao ambiente, a coifa com saída externa conduz o ar para fora da residência por meio de dutos. A escolha depende das condições do imóvel e os filtros precisam de manutenção periódica.

Saber onde posicionar forno, geladeira, fogão ou cooktop

É sabido, mas é sempre importante reiterar que a disposição desses eletros de maior porte interfere no bem estar durante usabilidade da cozinha. A torre quente, que alcançou relevância nos projetos contemporâneos, simplifica o acesso ao forno e o micro-ondas, entretanto a instalação na marcenaria requer respeitar as alturas recomendadas para ergonomia e prever a ventilação exigida pelo fabricante. "Quando o forno fica próximo à geladeira, devemos considerar a dissipação do calor e os afastamentos indicados para cada modelo", acrescenta a arquiteta.

Com a colocação do cooktop, nesta cozinha a arquiteta Isabella Nalon previu a execução da torre quente com o forno e o micro-ondas. O localização dos itens acompanha a triangulação junto com o espaço de cocção e a geladeira | Fotos: Julia Herman
Com a colocação do cooktop, nesta cozinha a arquiteta Isabella Nalon previu a execução da torre quente com o forno e o micro-ondas. O localização dos itens acompanha a triangulação junto com o espaço de cocção e a geladeira | Fotos: Julia Herman
Foto: Revista Malu

A decisão por um fogão ou cooktop abastecido por gás natural ou GLP não é um erro, porém a preocupação apontada pela profissional diz respeito à existência da central e à renovação do ar. O escape da fonte de energia, em geral, acontece por mangueiras ressecadas, instalações e conexões inadequadas, problemas nos eletros e até pelo fator desatenção do morador, caso o botão de controle não esteja completamente fechado.

O cooktop por indução é uma alternativa bastante conveniente, mas exige uma infraestrutura elétrica compatível a ser prevista desde o início do projeto. "O ponto de abastecimento deve constar no quadro de distribuição", argumenta a profissional. Na escolha do forno, seja elétrico ou a gás, também é importante considerar os costumes e hábitos dos moradores, além das características dos equipamentos e das panelas utilizadas. Para os modelos elétricos, a instalação deve prever um ponto de 220 V com disjuntor independente, medida que ajuda a evitar quedas de energia e problemas no funcionamento do aparelho.

Não planejar a marcenaria devidamente

A exposição frequente à água e ao vapor pode danificar armários e acabamentos inadequados para a cozinha. Nas áreas próximas à pia, a escolha correta dos painéis, a proteção das bordas e a qualidade da vedação são essenciais para preservar a marcenaria e evitar problemas futuros. Nesses espaços, o MDF verde, desenvolvido para ambientes úmidos e com maior resistência à umidade, é uma alternativa em relação ao MDP convencional. Atualmente, o material também oferece mais opções de cores e acabamentos, o que amplia as possibilidades estéticas do projeto.

Outro cuidado importante é prever uma pingadeira na bancada. Esse detalhe consiste em deixar o armário recuado aproximadamente 1 cm a 2 cm em relação ao limite do tampo, evitando que a água escorra diretamente sobre a marcenaria e contribuindo para sua conservação.

Muito bem elaborada pela arquiteta Isabella Nalon, a marcenaria desta cozinha assegura aos moradores amplos gavetões paraa armazenamento dos itens | Fotos: Julia Herman
Muito bem elaborada pela arquiteta Isabella Nalon, a marcenaria desta cozinha assegura aos moradores amplos gavetões paraa armazenamento dos itens | Fotos: Julia Herman
Foto: Revista Malu

Cuidado com o tamanho

A calha úmida, solução que otimiza o espaço da bancada, precisa ser devidamente dimensionada. Se a profundidade for insuficiente, o acessório pode reduzir a área de apoio, interferir na posição da cuba e prejudicar o uso cotidiano. Além disso, sua instalação exige uma saída de água e uma válvula de escoamento, semelhante à utilizada em cubas, para permitir que a água acumulada seja direcionada ao encanamento. Por isso, essa infraestrutura precisa ser prevista no projeto desde o início. "Dessa forma, ela não cumpre o objetivo de eliminar o tradicional escorredor de pratos", discorre a especialista.

A altura da bancada e a posição dos eletrodomésticos influenciam diretamente na comodidade do morador, uma vez que medidas inadequadas podem exigir movimentos desgastantes ao corpo. "Temos parâmetros na arquitetura, mas o principal é basear-se na altura de quem usará a cozinha para fazermos as adaptações ideais", considera a especialista. Como referência, alturas entre 90 cm e 94 cm costumam funcionar bem para diferentes usuários, embora a definição deva considerar as características dos moradores.

Bancada, piso e iluminação devem facilitar a rotina da cozinha

A escolha dos materiais precisa considerar a facilidade de limpeza, a resistência e a manutenção. Ao selecionar a bancada, Isabella destaca a importância de avaliar a porosidade e a possibilidade de manchas.

O piso também deve ser prático para limpar e adequado à rotina da casa. Já a iluminação precisa atender às tarefas realizadas no ambiente e não apenas à decoração. Pendentes e luminárias mal posicionados podem criar sombras sobre a bancada, enquanto pontos de luz sob os armários superiores ajudam a iluminar a área de preparo.

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