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Dia do Artesão: grife valoriza trabalho de mulheres na moda de luxo

19 mar 2026 - 13h09
(atualizado às 13h57)
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No Dia do Artesão ( comememorado em 19 de março, dia de São José, padroeiro da categoria), a moda ganha um lembrete importante: por trás de cada peça que emociona, há mãos que constroem histórias,  muitas vezes invisíveis. Em um país onde o artesanato movimenta cerca de R$ 50 bilhões por ano, representa aproximadamente 3% do PIB e emprega 8,5 milhões de pessoas, segundo o Sebrae, ainda há um descompasso entre relevância econômica e valorização real.

Thayná Soares
Thayná Soares
Foto: Divulgação / Elas no Tapete Vermelho

É nesse cenário que o bordado brasileiro vem encontrando novos caminhos e também novos palcos. A marca Thayná Caiçara, criada pela paratiense Thayná Soares, ajuda a reposicionar o fazer manual dentro da moda contemporânea e até do mercado de luxo. O diferencial está na técnica: a pintura de agulha, considerada uma das mais sofisticadas do artesanato, capaz de reproduzir efeitos quase pictóricos com linhas. Cada peça pode levar entre 23 e 26 horas de trabalho manual — tempo que traduz não só habilidade, mas também dedicação e precisão.

Pássaro bordado com a técnica pintura de agulha
Pássaro bordado com a técnica pintura de agulha
Foto: Divulgação / Elas no Tapete Vermelho

Mais do que estética, há um modelo por trás. A marca estruturou uma rede de artesãs com remuneração justa, respeito ao tempo de produção e inserção em um circuito que ultrapassa o Brasil. O bordado deixa de ser visto como complemento e passa a ocupar o centro da criação.

Artesã Fernanda Queiroz
Artesã Fernanda Queiroz
Foto: Divulgação / Elas no Tapete Vermelho

Essa virada se materializa em histórias como a de Fernanda Queiroz, primeira bordadeira do projeto. De Brasília a Paraty, encontrou no fazer manual uma forma de sustento e autonomia — e hoje vive exclusivamente do bordado, atendendo clientes no Brasil e na Europa. Nascida em Brasília, aprendeu a bordar aos 11 anos com vizinhas, enquanto a mãe trabalhava fora. Nos anos 1990, produzia tiras bordadas para panos de prato na Torre de TV da capital federal.

Artesãs que trabalham na marca Thayna Caiçara/Divulgação)
Artesãs que trabalham na marca Thayna Caiçara/Divulgação)
Foto: Elas no Tapete Vermelho

Mãe de três filhos, sendo o mais velho cego, encontrou no fazer manual a possibilidade de conciliar sustento e presença nos atendimentos de estimulação precoce. O bordado se tornou fonte de renda e autonomia. Formada em Jornalismo, atuou como comunicadora, motorista e fotógrafa, sem abandonar pintura, desenho, costura e bordado. Ao se mudar para Paraty (RJ), aprofundou estudos e passou a bordar aves da Mata Atlântica em peças vendidas no Mercado das Artes. Um exemplo de como tradição pode, sim, se transformar em profissão.

No palco

Cantora Ina Magdala
Cantora Ina Magdala
Foto: Estevao Andrade/Divulgação / Elas no Tapete Vermelho

E o artesanal não fica restrito ao ateliê. Chega também ao palco. A cantora Ina Magdala levou para seu show um figurino criado em parceria com a marca e o designer Ronald van der Kemp, apresentado também na Semana de Alta-Costura de Paris. O look, em veludo preto com pássaros bordados à mão, traduzia uma atmosfera quase onírica — com araras e beija-flores surgindo como metáforas visuais de liberdade, desejo e transformação. No palco, o bordado virou narrativa.

Elas no Tapete Vermelho
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