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Além dos fogachos: 10 principais sintomas da menopausa

Entenda a menopausa para além dos calorões: 10 sintomas que afetam saúde mental, sono e a qualidade de vida de milhares de mulheres

2 out 2026 - 15h04
(atualizado às 15h13)
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Resumo
A menopausa vai além dos fogachos, provocando quedas de estrogênio que afetam o cérebro e geram insônia, falhas de memória, fadiga, oscilações de humor e ansiedade. Especialistas ressaltam que esses impactos cognitivos e emocionais prejudicam a qualidade de vida, mas contam com abordagens eficazes. O alívio envolve tratamentos personalizados, como terapia hormonal, além de ajustes no estilo de vida com exercícios de força, alimentação saudável e cuidados com a saúde mental e o sono.

Alterações hormonais podem impactar memória, concentração, humor, energia, sexualidade e até a forma como o cérebro regula o sono

Muitas mulheres chegam à transição menopausal esperando lidar com fogachos, irregularidade menstrual ou mudanças corporais, mas descobrem que a queda hormonal também pode afetar diretamente o cérebro. "Insônia, esquecimentos, fadiga persistente, dificuldade de concentração, irritabilidade e sensação de 'não me reconheço mais' estão entre as queixas cada vez mais comuns nos consultórios. A menopausa, definida após 12 meses consecutivos sem menstruação, representa o fim do período reprodutivo, mas suas repercussões vão muito além dos ovários. A redução de hormônios como estrogênio e progesterona pode interferir em sistemas cerebrais envolvidos com memória, humor, energia, termorregulação e arquitetura do sono", explica o Dr. Nélio Veiga Junior, ginecologista pós-doutorando em Menopausa, com foco em saúde hormonal e qualidade de vida da mulher no climatério.

Foto: Freepik / Revista Malu

O médico explica que o estrogênio é um hormônio que não participa apenas da saúde ginecológica. "Ele influencia neurotransmissores ligados ao humor, à atenção, à motivação e ao sono, além de participar do metabolismo cerebral. Quando esses níveis começam a oscilar ou cair, algumas mulheres percebem mudanças cognitivas e emocionais importantes, muitas vezes sem relacionar isso à transição hormonal", explica o Dr. Nélio. Segundo o especialista, compreender os sintomas precocemente pode evitar anos de sofrimento silencioso e melhorar significativamente a qualidade de vida. Abaixo, ele comenta os 10 sintomas da menopausa que podem afetar saúde mental, sono e bem-estar:

1 - Insônia ou dificuldade para manter o sono

Ele pode aparecer já numa fase inicial da transição menopausal, em uma mulher que ainda tenho ciclos normais, que ainda não tem outros sintomas significativos. Essa pode ser uma das primeiras manifestações. Ela começa a dormir mal, ter dificuldade de adormecer, ter despertares noturnos, dificuldade de voltar a dormir, o sono mais leve, menos reparador", explica o ginecologista Dr. Igor Padovesi, especialista em menopausa certificado pela North American Menopause Society (NAMS) e idealizador do 'Expert em Menopausa', maior plataforma de educação médica em menopausa do Brasil. "

Na menopausa, a diminuição do estrogênio pode causar a piora da qualidade do sono e a ocorrência de ondas de calor, que, quando acontecem à noite (suores noturnos), podem interferir no sono, o que frequentemente resulta em fadiga e pode levar à irritabilidade e instabilidade emocional", explica o Dr. Nélio Veiga Junior.

2 - Esquecimentos e sensação de "brain fog"

Entrar em um ambiente e esquecer o que ia fazer… Perder palavras durante uma conversa ou ainda precisar reler um texto várias vezes. "O nevoeiro cerebral, também conhecido como 'brain fog', é uma sensação de confusão mental, lapsos de memória e lentidão de raciocínio. Este sintoma pode ser preocupante para as mulheres na menopausa, afetando suas atividades diárias e qualidade de vida", explica o Dr. Igor Padovesi.

Apesar de muitas pesquisas terem demonstrado que há um declínio natural da memória feminina devido ao envelhecimento, principalmente após a menopausa, o Dr. Igor ressalta que a causa exata de nevoeiro cerebral permanece desconhecida: "É provável que esteja relacionado à oscilação hormonal inerente a essa fase da vida. E além da explicação biológica, é nessa fase que muitas mulheres vivenciam situações estressantes e emocionalmente fortes no casamento, no trabalho, com a saída dos filhos de casa e passam a ter dificuldades com o sono e alterações do humor, irritabilidade, angústia. Toda essa desordem psicológica também é danosa à memória e acaba contribuindo para a sensação de nevoeiro mental", acrescenta. 

3 - Dificuldade de concentração

Reuniões longas, leitura, estudos ou tarefas que exigem foco podem parecer mais cansativos nessa fase. "Muitas mulheres relatam maior distração e dificuldade para organizar pensamentos. Em parte, isso pode ser consequência direta das alterações hormonais, mas também do impacto cumulativo da privação de sono. Ou ainda a sobrecarga na rotina em virtude da vida pessoal e profissional", diz o Dr. Nélio Veiga Junior.

4 - Fadiga persistente

Para algumas mulheres, mesmo após uma noite de descanso, a sensação pode ser de energia reduzida, corpo pesado e menor capacidade de recuperação física e mental. "A menopausa pode influenciar metabolismo energético, composição corporal, massa muscular e eficiência do sono profundo, fatores diretamente ligados à disposição", comenta o Dr. Nélio. "Porém tem uma coisa muito importante sobre isso, que nem tudo é sobre hormônios. Existem várias condições envolvidas e o cansaço é um sintoma que pode ter inúmeras causas. As pessoas de modo geral já têm uma tendência de se perceberem mais cansadas pela vida moderna, porque lidam com mais coisas, são mais sobrecarregadas de trabalho e mais bombardeadas de informação. Então uma mulher multitarefas, mesmo que não tenha nada relacionado aos hormônios, já tem uma tendência de se sentir mais cansada", alerta o Dr. Igor.

Mas atenção: "O cansaço tende a piorar se não for tratado adequadamente. A mulher vai tendo mais efeitos da falta progressiva do estrogênio, o corpo vai perdendo massa muscular e óssea, a sensação de vitalidade e disposição vai progressivamente piorando", acrescenta.  

5 - Irritabilidade e menor tolerância ao estresse

Situações antes consideradas rotineiras podem provocar respostas emocionais mais intensas. "A oscilação hormonal pode alterar neurotransmissores envolvidos na regulação emocional, aumentando a sensibilidade ao estresse em algumas mulheres. Essa é uma questão que também é afetada pelo estilo de vida e sobrecarga emocional", destaca o Dr. Nélio.

6 - Ansiedade ou sensação de inquietação

Palpitações, pensamentos acelerados, tensão corporal ou dificuldade de relaxar podem surgir ou se intensificar nesse período. "Mulheres com histórico prévio de ansiedade podem apresentar maior vulnerabilidade durante a transição menopausal", comenta o Dr. Nélio.

7 - Oscilações de humor

O Dr. Nélio explica que na menopausa as oscilações de humor podem ser comuns, principalmente com sensação de choro fácil ou desânimo sem causa aparente. "Isso acontece porque o equilíbrio entre hormônios ovarianos e neurotransmissores cerebrais sofre alterações importantes e pela própria questão que a mulher pode estar mais sensível", diz o Dr. Nélio.

8 - Queda de motivação e prazer

O Dr. Nélio Veiga Junior explica que nessa fase muitas mulheres sentem que atividades antes prazerosas podem parecer menos interessantes. "Elas relatam redução da iniciativa, da libido e até da disposição social. Isso pode ter relação com alterações em circuitos ligados à recompensa e motivação", destaca.

9 - Sensação de mente acelerada à noite

Em contraposição ao sentimento de queda da motivação, a mulher, segundo o Dr. Nélio, pode experimentar uma sensação estranha de mente acelerada à noite. "O corpo está cansado, mas a mente continua ativa. Pensamentos repetitivos ou dificuldade de 'desligar' também podem surgir. Esse padrão pode perpetuar um ciclo entre ansiedade, privação de sono e piora cognitiva", enfatiza.

10 - Sensação de não reconhecer o próprio corpo e comportamento

Mudanças de peso, redistribuição de gordura corporal, redução de massa muscular e sintomas cognitivos podem gerar impacto na autoestima e na percepção de identidade. "Muitas pacientes dizem: 'eu não era assim'. Esse relato é extremamente comum e precisa ser acolhido com olhar clínico, não como algo inevitável do envelhecimento", diz o Dr. Nélio. "Muitas mulheres se veem em uma fase de reinvenção forçada e começam a questionar os seus papéis como mãe, profissional e esposa, além do medo de envelhecer, da queda da autoestima e da perda da fertilidade biológica, que também despertam reflexões sobre o valor pessoal e o lugar da mulher no mundo", ressalta o Dr. Igor Padovesi.

Quais tratamentos podem ajudar?

Segundo o Dr. Nélio Veiga Junior, o tratamento deve ser individualizado, considerando histórico clínico, sintomas predominantes, fase da menopausa e objetivos de cada paciente. "Entre as opções, temos a terapia hormonal individualizada. Quando bem indicada, pode ajudar no controle de sintomas vasomotores, qualidade do sono, humor, cognição e bem-estar geral. É importante pontuar que a reposição hormonal não é uma questão estética. Em pacientes selecionadas, pode representar uma estratégia importante para qualidade de vida e prevenção de perdas funcionais", explica o médico.

"Quanto ao estilo de vida, exercício físico, especialmente treino de força, é orientado para ajudar a preservar massa muscular, melhorar sensibilidade metabólica, favorecer sono e reduzir sintomas de ansiedade e fadiga. Com relação aos ajustes nutricionais, é importante ter controle do índice glicêmico, consumir quantidade adequada de proteína e fibras, além de reduzir ultraprocessados, o que pode contribuir para energia, composição corporal e estabilidade emocional", acrescenta o especialista. "Terapias cognitivas, técnicas de relaxamento, mindfulness e intervenções comportamentais podem ajudar a reduzir hiperativação mental. E em alguns casos, pode haver associação com apneia do sono, síndrome das pernas inquietas ou alterações do ritmo circadiano. Então, quando necessário, deve ser feito o tratamento medicamentoso complementar", destaca.

"O mais importante é entender que sofrer em silêncio não deve ser considerado parte obrigatória do envelhecimento. A menopausa é uma transição biológica, mas hoje existem estratégias capazes de preservar cognição, energia, funcionalidade e qualidade de vida", finaliza o Dr. Nélio Veiga Junior.

Revista Malu Revista Malu
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