Leclerc Vai De Candidato À Vitória A Espectador Em Apenas Duas Voltas Em Monza
Piloto da Ferrari abandonou após acidente na Curva Alboreto e viu Kimi Antonelli sair do 19º lugar para vencer diante da torcida italiana.
No GP da Itália de 2026, Charles Leclerc largou em terceiro, mas abandonou na segunda volta após bater nas barreiras de Monza devido a problemas no carro, sem sofrer ferimentos. A prova começou tensa para a Ferrari após um entrevero na largada entre o monegasco e seu companheiro Lewis Hamilton, que terminou em sexto. Enquanto a escuderia italiana frustrou seus torcedores em casa, Kimi Antonelli brilhou ao largar em 19º e vencer a corrida, ofuscando o fim de semana comemorativo de Maranello.
Monza deveria ser um dos grandes palcos de Charles Leclerc em 2026. Em uma temporada na qual a Ferrari chegava ao seu GP de casa celebrando o legado de Michael Schumacher e com expectativas renovadas, o monegasco tinha motivos para acreditar em um domingo competitivo: largaria em terceiro, logo à frente do companheiro Lewis Hamilton, e a equipe vinha mostrando ritmo forte durante o fim de semana.
Mas a corrida que poderia representar uma nova oportunidade para Leclerc terminou praticamente antes de começar.
Na segunda volta do GP da Itália, o piloto perdeu o controle da Ferrari na região da Parabolica e bateu nas barreiras, provocando a interrupção da prova. Leclerc conseguiu sair do carro sozinho e passou por avaliação médica, sendo liberado sem ferimentos.
O abandono foi ainda mais doloroso porque aconteceu diante de uma torcida que esperava justamente uma reação da Ferrari em Monza.
Um começo que já indicava problemas
A corrida de Leclerc começou com uma disputa interna que rapidamente colocou a Ferrari no centro das atenções.
Largando em terceiro, o monegasco ficou lado a lado com Hamilton na primeira sequência de curvas. O britânico acabou escapando para a área de escape e perdeu várias posições, enquanto reclamou pelo rádio que havia sido empurrado para fora da pista.
Leclerc, posteriormente, reconheceu que a disputa entre os dois ficou próxima demais. Segundo ele, os dois chegaram muito perto na primeira curva e houve uma situação de contato ou quase contato na segunda. Para o monegasco, não era o tipo de situação que uma equipe gostaria de enfrentar entre seus próprios pilotos
E o problema é que aquela batalha seria apenas o primeiro capítulo de um domingo que desandaria completamente para o piloto.
O acidente que acabou com a corrida
Na segunda volta, Leclerc seguia pressionado por Oscar Piastri quando perdeu o controle de sua Ferrari na região da Curva Alboreto, rodou e foi parar nas barreiras.
O acidente provocou a entrada do Safety Car e, posteriormente, uma bandeira vermelha para que as barreiras fossem reparadas. Leclerc saiu do carro sem ajuda e, apesar da cena assustadora, não sofreu ferimentos.
O próprio piloto explicou depois que havia sentido um comportamento estranho no carro já na primeira volta. Ao acelerar, percebeu que algo não estava funcionando como esperava e precisou aliviar o acelerador. Na segunda volta, tentou repetir o procedimento, mas novamente teve uma sensação diferente no carro antes de perder o controle.
A investigação posterior sobre o comportamento do carro se tornou, portanto, um dos pontos importantes para a Ferrari. Afinal, não se tratava simplesmente de um erro isolado em uma pista qualquer: era o abandono de Leclerc em uma corrida na qual a equipe precisava aproveitar todas as oportunidades.
O contraste com o que aconteceu com Kimi
Enquanto Leclerc assistia à corrida dos boxes, Kimi Antonelli fazia exatamente o contrário.
O italiano havia largado em 19º após uma punição relacionada ao motor. Mesmo assim, avançou pelo pelotão, chegou à liderança e venceu a corrida diante de sua torcida.
A situação cria um contraste quase cinematográfico para a Ferrari: enquanto o jovem italiano fazia história em Monza, o principal piloto da equipe da casa deixava a prova precocemente.
No fim, Hamilton ainda conseguiu salvar o domingo da Ferrari com o sexto lugar, mas ficou muito longe do pódio. A equipe terminou a corrida sem colocar nenhum carro entre os três primeiros.
E justamente em Monza...
O abandono ganha um peso ainda maior quando colocado no contexto da relação de Leclerc com Monza.
O monegasco já havia vencido o GP da Itália em 2019 e 2024, tornando-se um dos pilotos mais queridos pela torcida da Ferrari no circuito. A expectativa para 2026 era, portanto, de mais uma oportunidade para o piloto brigar pela vitória diante dos tifosi.
A Ferrari também preparou um fim de semana especial para homenagear Michael Schumacher, marcando os 30 anos da primeira vitória do alemão no GP da Itália pela equipe. Os carros receberam uma pintura especial inspirada na Ferrari 310, além de outras homenagens ao heptacampeão.
Era o cenário perfeito para uma história de vitória.
Charles, porém, sequer chegou ao final da segunda volta.
A Ferrari sai de Monza com mais perguntas do que respostas
O resultado também levanta questionamentos sobre o momento da Ferrari no campeonato.
A equipe tinha conseguido colocar os dois carros entre os quatro primeiros do grid, enquanto Leclerc e Hamilton apareciam como candidatos ao pódio. No entanto, a corrida terminou com um abandono e um sexto lugar.
Além do resultado esportivo, a disputa entre os dois pilotos na primeira volta adicionou uma nova camada de tensão. Hamilton chegou a defender posteriormente a criação de regras mais claras de disputa entre os companheiros de equipe, argumentando que a Ferrari deveria estabelecer protocolos internos semelhantes aos que ele conheceu durante sua passagem pela Mercedes.
Leclerc, por outro lado, tratou o episódio com mais cautela e classificou a disputa como uma situação que ficou próxima demais.
Um domingo para esquecer — e entender
O GP da Itália terminou com sentimentos completamente diferentes para Charles Leclerc.
Não houve lesão, não houve punição relacionada ao acidente e o piloto deixou o carro caminhando normalmente. Mas, esportivamente, foi uma oportunidade perdida enorme.
Em uma temporada na qual a Ferrari tenta se aproximar da Mercedes e brigar pelas primeiras posições, abandonar na segunda volta de uma corrida em que largava em terceiro representa um golpe importante.
E talvez o mais frustrante seja justamente o contexto: Leclerc tinha velocidade, tinha posição de largada e tinha o apoio da torcida. Faltou apenas chegar ao fim.
Enquanto Kimi Antonelli transformava Monza no palco da maior vitória de sua jovem carreira, Charles Leclerc viveu o outro lado do automobilismo: aquele domingo em que tudo parece estar preparado para dar certo — até que, em questão de segundos, a corrida simplesmente acaba.
Publicado originalmente na Woo! Magazine.
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