Haas F1 é a primeira equipe a apresentar pintura de 2022
Equipe americana, lanterna ano passado, revela a pintura que usará ao longo da temporada 2022 da Fórmula 1
Os últimos serão os primeiros! Pelo menos para fazer a apresentação. Enquanto a maioria das equipes anunciava a data de lançamento de seus novos modelos com pelo menos duas semanas de antecedência – algumas até um mês -, a Haas surpreendeu e comunicou no dia 3 que mostraria seu carro no dia 4, sendo, assim, a primeira equipe a fazê-lo.
Utilizando suas redes sociais, sem um evento presencial, a equipe divulgou imagens digitalizadas de como será a pintura do VF-22, seu modelo para a temporada vindoura da F1. O modelo parece trazer algumas diferenças em relação ao mock up apresentado pela própria Fórmula 1 em 2021 (bico mais fino, entradas de ar menores), mas ainda não há confirmação se essa é a versão definitiva. O carro em si deverá ser visto apenas nos testes de pré-temporada, que começam em Barcelona no dia 23 de fevereiro.
O esquema de cores e estilo é pouco criativo e não traz grandes mudanças, seguindo o adotado no ano passado. Continuam o fundo branco e as cores da bandeira russa na asa dianteira e nas laterais. O patrocínio principal ainda é a Uralkali, empresa russa dos setores químico e de mineração, ligada à família de Nikita Mazepin. E isso explica tanto a pintura quanto a presença de piloto no time.
Assim como a pintura, a dupla de pilotos seguirá a mesma de 2021: Mick Schumacher e Nikita Mazepin. Ambos vão para o segundo ano na equipe e na categoria. O brasileiro Pietro Fittipaldi segue como o piloto reserva – e, dessa vez, poderemos esperar vê-lo em ação em treinos livres pelo menos duas vezes no ano graça a uma nova regra que exige que as equipes cedam esse espaço para pilotos com pouca experiência.
Ascenção e queda
A Haas estreou em 2016 tendo como parceiros a Dallara, fornecedora de chassis, e Ferrari, que ofereceu motores. A sinergia com essas empresas experientes rendeu bons resultados para um estreante, e o time seguiu progredindo bem até 2018, quando foi 5º entre os construtores. De lá pra cá, foi ladeira abaixo.
Em 2019, o time se viu em uma situação complicada ao se envolver com um controverso patrocinador que a deixou na mão e fez com que o orçamento do time ficasse abaixo do projetado. Isso se refletiu no carro, que até começou o ano bem, mas não evoluiu e ficou para trás. E respingou em 2020, quando um projeto mal nascido fez a equipe ser uma das últimas do grid, só à frente da Williams.
Depois do começo promissor na Fórmula 1, com evoluções rápidas e contando com pilotos com certa bagagem, o time americano se perdeu e chegou ao fundo do poço em 2021. A equipe precisou dispensar seus dois pilotos (Romain Grosjean e Kevin Magnussen) para colocar em seus lugares dois estreantes. Uma aposta arriscada, mas necessária do ponto de vista financeiro. Mick Schumacher chegou graças ao estreitamento da parceira com a Ferrari, que passou fornecer alguns de seus engenheiros para ajudar no desenvolvimento. A outra vaga ficou com o polêmico Nikita Mazepin, que trouxe um patrocínio familiar e a pintura russa - em uma equipe americana, diga-se.
Ainda usando o carro de 2020 e com quase nenhuma evolução, a Haas não teve a menor chance de brigar por alguma coisa em 2021. A combinação de carro ruim com pilotos novatos não rendeu fruto algum: com 0 pontos, ficou na lanterna do campeonato. Se serve de consolo, o time sempre deixou claro, desde o começo da temporada, que o foco era total em 2022, apostando suas as fichas no carro novo. 2021, no fim das contas, serviu como uma grande fase de transição e de treinamento intensivo para a jovem dupla.
Chegou 2022, e agora não vai haver mais desculpa. O carro foi feito do zero, com todo o tempo e foco do time. Os pilotos acumularam certa rodagem e já não são mais estranhos no ninho da Fórmula 1. Esperar que o time brigue por pódios é pedir demais, mas o sr. Gene Haas pode não tolerar mais um ano longe da zona de pontuação. Deixar a lanterna será uma questão de honra.