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5 casos de contratos de pilotos que deram muito problema na F1.

O rolo Piastri x Alpine x McLaren x Ricciardo não é o primeiro problema contratual da F1 e estará longe de ser o ultimo. Eis alguns casos.

5 ago 2022 - 11h26
(atualizado às 19h48)
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Piastri e Ricciardo: os australianos estão no meio da discussão sobre postos na F1 em 2023. Mas tivemos outros...
Piastri e Ricciardo: os australianos estão no meio da discussão sobre postos na F1 em 2023. Mas tivemos outros...
Foto: Renault F1 / Divulgação

Nesta sexta-feira surge a notícia de que Oscar Piastri deve fazer sua estreia mesmo na F1 pela McLaren em 2023. A Racing365 divulga que o Comitê de Contratos da FIA, criado para este tipo de coisa, teria julgado que o acordo é válido. Já a Motorsport diz que a McLaren teria comunicado à Ricciardo que não contaria com os seus serviços para 2023.

Esta não é primeira vez, muito menos a última que acontecerá na F1. Não à toa que a F1 é considerada o “Clube das Piranhas”. Existe muito blefe na história. E longe de haver santos em todo o enredo. Sempre tem alguém com um punhal escondido para te atacar.

Contratos na F1 existem para serem rasgados. E todo acordo tem uma porta de saída, que pode ser ativada por qualquer uma das partes (ou até por ambas). Sem contar que há uma análise se vale a pena romper este acordo. Muitas vezes, o custo financeiro pode ser alto, mas a oportunidade vale a pena bancar este montante. Muitas variáveis estão em jogo.

E assim é a F1 e a vida. Não sabemos todas as variantes. Vi muita gente soltando os cachorros em cima do Piastri sobre isso. Na verdade, ele fez um movimento para se cacifar, já que contava que não conseguiria um posto de titular para 2023 (a possibilidade Williams existia, mas...) e agiu. Se tem alguém aqui que pode ser julgado aqui é Zak Brown.

Na esteira deste rolo, eis aqui uma série de exemplos de contratos “problemáticos” na F1.

Emerson Fittipaldi x McLaren (1975): o bicampeão negociava com a McLaren a renovação de seu contrato. Pedia um aumento nos vencimentos, que eram pagos principalmente pela Marlboro e Texaco. Teddy Mayer, então chefe de equipe, vinha “cozinhando” Emerson e tinha um “acordo de cavalheiros” com outros times para que não o contatassem para que não houvesse opção e renovar o acordo. Mas veio a Copersucar com a proposta de pagar o salário (alegadamente US$ 500.000/ano. Uma fortuna para a época) e lá foi ele pilotar para a equipe nacional.

Ayrton Senna x Toleman x Lotus (1984): o brasileiro era a sensação daquele ano e a Toleman contava com ele para dar o salto de nível para 1985. Mas Senna queria mais e, quando fechou com a equipe, pediu a inclusão de uma cláusula de rescisão, embora a Toleman tivesse prioridade. O acordo com a Lotus foi fechado e anunciado no GP da Holanda. A Toleman ficou irada por ter sido comunicada pela imprensa e suspendeu Senna no GP da Itália.

Jean Alesi x Ferrari x Williams (1991): o francês chamou a atenção de todos com a Tyrrell e se iniciou uma briga para poder tê-lo para 1991. A Williams havia fechado um pré-acordo, mas a Ferrari fez uma carga tremenda e o sangue italiano falou mais alto. Só que dois acordos haviam sido fechados. Como se resolveu: a Ferrari pagou a multa para a Williams e ainda liberou um modelo 641 para a equipe inglesa, que resplandeceu por muito tempo na sede do time em Didicot...

Michael Schumacher x Roberto Moreno x Benetton x Jordan (1991): a Mercedes planejava voltar à F1 e iniciou um processo de entrada de seus pilotos do Grupo C na categoria: eram eles Heinz Harald Frentzen, Karl Wendlinger e um tal Michael Schumacher. À altura do GP da Bélgica, Bertrand Gachot foi preso por ter agredido um taxista e a Jordan se viu sem piloto. Por indicações, Schumacher foi indicado a Eddie Jordan. Após testes em Silverstone e mentido que conhecia Spa, um acordo foi fechado com o piloto e a Mercedes e o alemão correria o resto do ano pela equipe, com uma opção para 1992.

Só que Flavio Briatore, ao ver a sensacional performance de Schumacher em Spa, lançou suas atenções a Willy Weber e Jochen Neerpasch, empresário de Schumacher e diretor esportivo da Mercedes, respectivamente. Era uma vaga bem melhor do que a Jordan e foi acertado um acordo em que a montadora pagaria US$ 250 mil por prova e teria o alemão para 1992. Para tal, o italiano simplesmente rifou Moreno imediatamente para o GP seguinte, o da Itália, “alegando deficiências físicas e técnicas”.

Isso detonou uma verdadeira barafunda entre todas as partes. De um lado, Eddie Jordan alegando que tinha um acordo e que havia sido quebrado. Moreno, que queria o cumprimento do seu contrato e Schumacher dizendo que tinha um acordo com a Benetton. Com a interferência de Bernie Ecclestone, um acordo foi firmado: a Benetton indenizaria Moreno; Moreno correria pela Jordan na Itália e Schumacher iria para a Benetton.

Jenson Button x BAR X Williams (2004/2005): Jenson Button estava na BAR e assinou um contrato para voltar à Williams para a temporada de 2005. Era uma volta para casa. Só que não aconteceu...

Button tinha um acordo com a BAR e este previa a renovação automática para 2005, se a opção fosse usada até 31/07. Após discussões internas, a BAR deu o OK e gostaria de manter os serviços, ainda que o envolvimento da Honda aumentaria mais ainda. Esta informação foi até confirmada por Otmar Szafnauer (que coincidência!), que estava na Honda na época.

Só que logo depois, a Williams anunciou Button como piloto em 2005. Na época, a equipe disse que os empresários de Button disseram que a opção não havia sido exercida pela BAR, ainda mais que “não havia ficado clara a disposição da Honda aumentar seu envolvimento com o time”.

Houve uma discussão grande entre as partes e Button permaneceu na BAR para 2005. O inglês demitiu seu empresário, porém havia firmado um acordo com a Williams para 2006! Só que quando viu que a equipe perderia o acordo com a BMW, rescindiu mais uma vez e acabou ficando com a BAR, que se tornaria Honda em 2006.

Parabólica
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