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Eleições nos EUA serão "referendo" de administração Trump

Se perder maioria no Congresso, presidente pode ter projetos travados pelo restante do mandato.

5 nov 2018
14h36
atualizado às 15h18
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Os eleitores americanos vão às urnas nesta terça-feira (6) para renovar parte do Congresso. As eleições de meio de mandato ("mid-term") ocorrem sempre cerca de dois anos após a posse do presidente e, especialmente neste ano, são vistas como um referendo sobre a gestão na Casa Branca.

O pleito pode ter consequências sobre a agenda do governo Donald Trump no Congresso: se o governo perder a maioria, os projetos que dependem da aprovação das duas casas podem ficar travados pelo restante de seu mandato. Um exemplo é o polêmico muro na fronteira dos EUA com o México.

Hoje, o Partido Republicano, de Trump, tem a maioria tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado. Pesquisas preveem que os republicanos percam a maioria entre os deputados, mas continuem sendo a maior força entre os senadores.

Trump em campanha em Montana: os republicanos lideram entre os eleitores homens e brancos
Trump em campanha em Montana: os republicanos lideram entre os eleitores homens e brancos
Foto: DW / Deutsche Welle

Além de frustrar a agenda legislativa de Trump, um revés dos republicanos na Câmara permitirá que os democratas criem comitês para investigar erros nas condutas pessoal e profissional de Trump e, possivelmente, até processos de impeachment do presidente.

A Câmara dos Representantes tem 435 deputados. Os estados são representados proporcionalmente de acordo o número de habitantes. Hoje são 236 republicanos, 193 democratas e seis assentos vagos. Todos as vagas são disputadas a cada dois anos, e o novo mandato dos parlamentares começará em janeiro de 2019.

O presidente da Câmara é o republicano Paul Ryan, de Wisconsin, que não está buscando a reeleição. A democrata e ex-presidente da Casa Nancy Pelosi é a líder da minoria democrata. Os democratas precisam ganhar 23 cadeiras para assumir o controle. Há boas chances de que consigam.

Já o Senado é composto por 100 parlamentares, sendo dois senadores por cada estado. A atual legislatura é composta por 51 republicanos e 49 democratas. Com mandatos de seis anos, cerca de um terço do Senado está em jogo a cada dois anos.

Na eleição desta terça-feira, 35 assentos estão em disputa - 26 deles atualmente ocupados por democratas, e nove por republicanos. O líder da maioria no Senado é Mitch McConnel, do estado de Kentucky. No Senado, é provável que os republicanos mantenham a maioria.

Além de renovar o Congresso, os eleitores de 36 dos 50 estados americanos vão às urnas para eleger governadores neste ano. Atualmente, os republicanos controlam 29 estados, e os democratas, 21.

Duas disputas têm grande destaque neste ano: na Geórgia, onde a democrata Stacey Abrams tenta se tornar a primeira mulher negra a ser governadora de um estado americano; e na Flórida, onde o democrata Andrew Gillum está em disputa árdua com o republicano Ron DeSantis.

Além de eleger seus legisladores, americanos em vários estados vão decidir ainda sobre diferentes temas: cinco estados votam a legalização da maconha medicinal ou recreativa; dois sobre o aumento do salário mínimo e três sobre acesso ao aborto e financiamento para a realização do aborto.

Uma pesquisa divulgada no domingo (04/11) pela NBC News e o periódico The Wall Street Journal mostra a demografia do voto americano. Os democratas lideram entre os eleitores afro-americanos (84% contra 8%), latinos (57% a 29%), de 18 a 34 anos (57% a 34%), mulheres (55% contra 37%) e independentes (35% a 23%).

Entre as mulheres brancas com diploma universitário, os democratas têm 28 pontos percentuais de vantagem: 61% contra 33% para os republicanos.

Por outro lado, os republicanos lideram entre os eleitores entre 50 e 64 anos (52% a 43%), homens (50% a 43%) e brancos (50% a 44%). Eles também têm a maioria dos votos dos homens com diploma universitário (65% a 30%).

Os democratas esperam eleger um número recorde de mulheres para o Congresso. Eles também devem fazer história com a eleição de candidatos LGBT e muçulmanos. O ex-presidente Barack Obama tentou motivar os eleitores nos últimos dias antes da votação.

"Uma eleição não eliminará o racismo, o sexismo ou a homofobia", disse Obama em uma aparição na Flórida. "Isso não vai acontecer em uma eleição, mas será um começo."

Já Trump fez discursos contra imigrantes latino-americanos que procuram asilo na fronteira dos EUA. Com uma caravana de migrantes centro-americanos se aproximando das fronteiras americanas, ele enviou mais de 5 mil homens para a região. O presidente afirmou que os soldados poderão usar força letal contra quem jogue pedras.

Cerca de 37% dos eleitores participaram das eleições legislativas de 2014, contra 42% em 2010. Já na votação de 2016, quando a Presidência estava em jogo, mais de 60% dos eleitores foram às urnas. Há a expectativa de que os últimos acontecimentos, como a caravana de latinos em direção aos EUA, possam levar a um recorde de participação eleitoral.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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