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Trump recebe Xi Jinping em meio a disputas e sem acordos

24 set 2026 - 17h31
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Resumo
Donald Trump recebeu Xi Jinping na Casa Branca para amenizar tensões sobre disputas comerciais, inteligência artificial e geopolítica. Apesar do tom cordial e da troca de elogios, o encontro de três horas terminou sem anúncios concretos ou grandes acordos bilaterais. Como gesto simbólico de aproximação, Xi confirmou o envio de dois pandas a um zoológico americano, enquanto a agenda incluiu um tour pelas reformas da sede do governo e um jantar com magnatas da tecnologia.

Líderes dos EUA e da China mantêm tom cordial em encontro na Casa Branca; visita teve tour por obras de Trump, anúncio de novos pandas e discussões sobre IA e segurança.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu o líder chinês, Xi Jinping, na Casa Branca nesta quinta-feira (24/09) para um encontro carregado de simbolismo num momento de tensões entre Washington e Pequim, mas sem anúncios concretos.

Primeira visita de Xi Jinping a Washington em dez anos teve peso simbólico em meio a disputas comerciais e tecnológicas entre China e EUA
Primeira visita de Xi Jinping a Washington em dez anos teve peso simbólico em meio a disputas comerciais e tecnológicas entre China e EUA
Foto: DW / Deutsche Welle

"Ótima reunião. Obrigado", disse Trump à imprensa ao se despedir de Xi, após mais de três horas de reunião a portas fechadas.

Embora não tenha saído nenhum grande acordo da visita, os dois trataram de "assuntos urgentes" relacionados à segurança e à tecnologia, segundo Trump.

Os líderes mantiveram o tom cordial - o americano disse ter uma "amizade verdadeiramente grandiosa" com Xi, que também exaltou a relação com Trump.

"A cooperação entre a China e os EUA pode não resolver todos os problemas do mundo, mas, sem ela, seria difícil solucionar muitos dos problemas globais", disse o líder chinês.

Xi afirmou que ambos os países devem evitar o confronto, ressaltou que a inteligência artificial deve permanecer sempre "sob controle humano" e expressou sua disposição em reforçar a cooperação em ações contra o tráfico de drogas.

Disputas comerciais e tecnológicas

Esta é a primeira visita de Estado de Xi à Casa Branca desde 2015, quando se reuniu com o então presidente Barack Obama, e a segunda vez que ele se encontra pessoalmente com Trump, após viagem que o republicano fez em maio deste ano a Pequim.

O objetivo deste encontro é amenizar as tensões em uma relação marcada por disputas comerciais, tecnológicas e geopolíticas, desde tarifas e terras raras até a guerra no Irã, a disputa com Taiwan (considerada por Pequim uma província rebelde que deve ser reunificada ao território chinês) e a corrida pela inteligência artificial.

Washington acusa Pequim de subsidiar empresas nacionais, dificultar o acesso de concorrentes estrangeiros ao mercado chinês e criar desequilíbrios na balança comercial. Sob esses argumentos, EUA impõem tarifas contra mercadorias da China, que rebate com outras tarifas.

Outro ponto sensível envolve as terras raras, grupo de minerais essenciais para a fabricação de baterias, semicondutores, equipamentos militares e produtos de alta tecnologia. A China domina grande parte da produção e do processamento mundial desses minerais, o que desperta preocupações nos EUA. O governo americano busca reduzir essa dependência, enquanto Pequim vê esses recursos como uma vantagem estratégica.

O líder americano e a primeira-dama, Melania Trump, receberão ainda hoje o mandatário chinês e sua esposa, Peng Liyuan, em um jantar, para o qual estão convidados alguns magnatas de big techs, como Jeff Bezos (Amazon), Elon Musk (Tesla, xAI, entre outros), Michael Dell (Dell Technologies), Sundar Pichai (Google), Jensen Huang (Nvidia), Sam Altman (OpenAI) e Tim Cook (Apple).

Granito e pandas

Trump aproveitou para mostrar ao líder chinês duas das obras mais grandiosas da Casa Branca: o novo salão de eventos que está sendo construído e o novo heliporto, inaugurado nesta semana, feito de granito com 10 centímetros de espessura.

Trump conduziu Xi por um breve passeio no canteiro de obras do salão, projeto que o republicano costuma comparar ao Grande Salão do Povo, em Pequim. Diante de Xi, Trump afirmou que o líder chinês seria "um especialista em pedras" que "adora granito de qualidade".

O Grande Salão do Povo fica na Praça da Paz Celestial, no centro da capital chinesa, e abriga as principais cerimônias políticas do regime, além de encontros entre autoridades chinesas e chefes de Estado estrangeiros. Trump já visitou o local em viagens à China e costuma destacar a imponência do prédio, cuja capacidade supera em muito a do salão que está sendo erguido na Casa Branca.

Xi levou a Washington um gesto tradicional da chamada "diplomacia dos pandas" e anunciou que a China enviará em breve ao Zoológico de Atlanta dois pandas. O animal é uma das ferramentas mais conhecidas do soft power da China. O líder chinês descreveu os pandas como "embaixadores da amizade".

As relações entre EUA e China permanecem marcadas por disputas comerciais, militares e diplomáticas, mas a cooperação em torno dos pandas resistiu a boa parte dessas tensões. A prática começou em 1972, após a visita histórica do presidente Richard Nixon a Pequim. Desde então, zoológicos americanos recebem pandas chineses mediante acordos de pesquisa e conservação.

Nos últimos anos, porém, a devolução de todos os pandas que estavam nos EUA alimentou especulações de que o agravamento das relações bilaterais poderia encerrar o programa. Autoridades chinesas e representantes dos zoológicos disseram que a medida estava ligada principalmente aos ciclos de reprodução dos animais.

A promessa de Xi confirma a continuidade dessa política. Depois da chegada recente de novos pandas aos zoológicos de San Diego e de Washington, Atlanta deverá ser a próxima cidade americana a receber um casal dos animais.

sf (EFE, RT)

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