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Trump critica Nobel da Paz e diz ter sido ignorado pela premiação

10 out 2026 - 14h22
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Resumo
Donald Trump e Benjamin Netanyahu criticaram a concessão do Nobel da Paz à jurista sul-africana Navanethem Pillay. Enquanto o ex-presidente dos EUA alegou merecer o prêmio e chamou a escolha de vergonhosa, Netanyahu acusou o comitê de perder a bússola moral por investigações de Pillay sobre Gaza. Em contrapartida, entidades de direitos humanos e a ONU celebraram a homenagem à jurista de 85 anos por sua atuação histórica contra o apartheid e na promoção da justiça e do direito internacional.

Americano diz que ele, como representante dos EUA, deveria ter sido vencido o prêmio por sua atuação "em nome da paz". Entidades de direitos humanos enaltecem a escolha pela jurista sul-africana Navanethem Pillay.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar que deveria ter ganhado o Prêmio Nobel da Paz, ao criticar a entrega da honraria nesta sexta-feira (09/10) à jurista sul-africana Navanethem Pillay.

"Os Estados Unidos da América, representados por mim como seu presidente, deveriam ter recebido o Prêmio Nobel da Paz, mas não receberam", disse Trump em um evento de campanha em Syracuse, no estado de Nova York.

Trump voltou a repetir sua alegação - amplamente contestada - de que havia encerrado oito guerras durante sua Presidência. Ele também disse ter garantido a libertação de reféns mantidos pelo grupo islamista Hamas na Faixa de Gaza.

"Apesar de tudo isso e de todas essas conquistas inacreditáveis, o Prêmio Nobel foi entregue hoje a uma pessoa de ideologia liberal que trabalha nas Nações Unidas, de quem ninguém jamais ouviu falar", disse Trump. "Eu nunca ouvi falar dessa pessoa em particular, mas, de qualquer forma, parabéns."

Trump acusou a Noruega de tomar uma "decisão vergonhosa e constrangedora" ao não lhe conceder o prêmio, e disse que o Nobel da Paz havia sido desacreditado por um "punhado de ideólogos radicais que são antidemocráticos e, na verdade, inimigos da civilização".

"Prêmio Nobel perdeu bússola moral", diz Netanyahu

"Não esqueceremos a Noruega, por não terem dado este prêmio a quem tem o melhor histórico da história", disse o americano, cujo governo deu início a uma guerra com o Irã, que já dura oito meses; interviu militarmente na Venezuela e realizou diversas ações militares ao redor do globo em defesa de seus interesses, além de fracassar na tentativa de mediar a paz na Ucrânia.

O Prêmio Nobel da Paz é concedido por um comitê independente, e não pelo governo norueguês. No ano passado, Trump também criticou a Noruega depois que a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, ganhou o prêmio e, posteriormente, dedicou-o simbolicamente a ele.

Outro a criticar a entrega do Nobel da Paz deste ano foi o primeiro-ministro de Israel e aliado de Trump, Benjamin Netanyahu. "O comitê do Prêmio Nobel perdeu sua bússola moral. Concedeu sua mais alta honraria a uma intolerante que construiu sua carreira inventando e propagando calúnias de sangue contra o único Estado judeu", afirmou o premiê, em postagem no X.

Jurista atuante na promoção da paz

Pillay, de 85 anos, foi homenageada por seu trabalho na promoção da paz e do direito internacional. Ela lutou contra o apartheid na África do Sul quando era uma jovem advogada, antes de seguir carreira no direito internacional.

Ela foi alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014 e, mais recentemente, liderou uma comissão da ONU que investigou violações de direitos humanos em Israel e nos territórios palestinos. Esta comissão acusou Israel de cometer genocídio na Faixa de Gaza.

Enquanto juíza no Tribunal Penal Internacional (TPI) para Ruanda, ajudou a estabelecer o marco jurídico internacional que reconhece a violação sexual como um ato de genocídio e crime de guerra.

"Sua distinta carreira nos lembra da necessidade de apoiar, fortalecer e expandir o Estado de Direito global. O compromisso de Navi Pillay com a justiça e a dignidade humana é uma fonte de esperança e inspiração para todos que buscam construir um mundo mais pacífico", menciona o comunicado oficial dos organizadores da premiação.

O Prêmio Nobel da Paz é considerado uma das premiações mais prestigiadas do mundo. Este ano, 287 candidatos foram indicados ao prêmio, que tem um valor de pouco mais de 1 milhão de euros (R$ 5,59 milhões).

Organizações de direitos humanos celebram escolha

Defensores dos direitos humanos e da justiça internacional, assim como autoridades democráticas em todo o mundo, celebraram a escolha de Pilay.

"Dizer que é merecido é pouco. Em um momento em que os direitos humanos estão sob ataque em tantas frentes, inclusive por parte daqueles que detêm enorme poder, este prêmio é particularmente significativo. É um prêmio para todos aqueles que, ao redor do mundo, dedicam suas vidas à defesa dos direitos humanos, muitas vezes correndo grandes riscos à própria segurança", disse o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, um dos sucessores de Pillay no cargo.

"Esta não poderia ser uma escolha melhor num momento de ataques contra a justiça internacional. Ela é uma ex-juíza do TPI, em um momento em que a administração dos EUA busca destruir o TPI", afirmou a secretária-geral da ONG Anistia Internacional, Agnes Callamard.

rc (dpa, AP)

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