Transição demográfica: idosos já superam os jovens no Rio Grande do Sul, aponta DEE
População com 60 anos ou mais passa a representar 20,6% dos gaúchos, enquanto parcela de crianças e adolescentes recua para 17,7%; doenças crônicas lideram as causas de óbitos
O Rio Grande do Sul consolidou uma mudança histórica em seu perfil populacional. De acordo com uma nota técnica divulgada pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), a população idosa superou numericamente a faixa mais jovem dos habitantes do estado. No período entre 2022 e 2024, as pessoas com 60 anos ou mais passaram a responder por 20,6% do total de residentes, enquanto a parcela de jovens com menos de 15 anos encolheu para 17,7%.
O fenômeno é reflexo de um processo contínuo de envelhecimento e aumento da longevidade. No mesmo período analisado, a expectativa de vida ao nascer no estado atingiu a média de 76,49 anos. O indicador revela uma disparidade de gênero na longevidade: as mulheres gaúchas vivem, em média, 79,63 anos, ao passo que a média para os homens é de 73,30 anos.
Duas décadas de transformação demográfica
Os dados estatísticos demonstram uma desaceleração acentuada no ritmo de crescimento populacional gaúcho. Em 2024, a população total do Rio Grande do Sul foi estimada em 11,2 milhões de habitantes. Embora o estado tenha registrado um incremento de aproximadamente 960 mil moradores desde o ano de 2000, essa expansão foi sustentada exclusivamente pelo topo da pirâmide etária.
| Grupo Etário | Evolução de 2000 a 2024 |
|---|---|
| Pessoas com 60 anos ou mais (Idosos) | Crescimento de +1,2 milhão de indivíduos |
| Jovens com menos de 15 anos | Redução de -676 mil indivíduos |
Essa dinâmica é explicada pelo comportamento das taxas vitais de natalidade e mortalidade ao longo dos últimos 24 anos:
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Taxa de natalidade: Despencou de 17,2 nascimentos para cada mil habitantes em 2000 para apenas 10 por mil em 2024.
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Taxa de mortalidade: Subiu de 6,6 óbitos por mil habitantes para 9 por mil no mesmo período.
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Crescimento vegetativo: A diferença entre nascimentos e mortes estreitou-se significativamente, alcançando a taxa de apenas 0,9 por mil habitantes.
Doenças crônicas concentram as causas de óbito
O perfil epidemiológico do estado acompanha diretamente o envelhecimento de seus habitantes. Das 101.480 mortes registradas no Rio Grande do Sul ao longo de 2024, as doenças crônicas não transmissíveis foram as principais responsáveis:
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Doenças do aparelho circulatório (cardiovasculares): 24,6% dos óbitos (principal causa na faixa acima de 70 anos).
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Neoplasias (cânceres): 21,1% dos óbitos (principal causa na faixa dos 50 aos 69 anos).
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Doenças respiratórias: 12,1% dos óbitos.
Em contraste com a população madura, o cenário de mortalidade entre jovens de 1 a 49 anos é dominado por fatores externos — como acidentes de trânsito e violência —, acometendo principalmente indivíduos do sexo masculino.
Recuo da Covid-19 e alerta na saúde infantil
O estudo do DEE também evidenciou a perda de força da pandemia de Covid-19 nos indicadores gerais de saúde pública. O grupo de doenças infecciosas e parasitárias (onde a infecção pelo coronavírus está inserida) recuou para a sétima posição entre as causas de morte no estado em 2024, registrando uma taxa de 42,5 óbitos por 100 mil habitantes. No ápice da crise sanitária, em 2021, o indicador havia alcançado a marca de 276,3 mortes por 100 mil.
Por outro lado, o relatório acendeu um sinal de alerta para a saúde na primeira infância. Os pesquisadores identificaram um aumento na probabilidade de óbitos antes de a criança completar o primeiro ano de vida em comparação com o triênio anterior. De acordo com o levantamento, mais de 50% das mortes infantis registradas no período ocorreram devido a causas perinatais, associadas diretamente a complicações na gestação, no momento do parto e nos primeiros dias de vida do recém-nascido.
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