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China invadiu empresas de telecomunicações asiáticas para espionar viajantes uigures, dizem fontes

5 set 2019 - 11h47
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Hackers que trabalham para o governo chinês invadiram redes de telecomunicações para rastrear viajantes uigures no centro e sudeste da Ásia, disseram dois funcionários de inteligência e dois consultores de segurança que investigaram os ataques à Reuters.

Uigures participam de protesto contra a China em Istambul, Turquia, 28/12/2018. REUTERS/Murad Sezer
Uigures participam de protesto contra a China em Istambul, Turquia, 28/12/2018. REUTERS/Murad Sezer
Foto: Reuters

Os hackers fazem parte de uma campanha mais ampla de espionagem cibernética que visa "indivíduos de alto valor", como diplomatas e militares estrangeiros, disseram as fontes. Mas a China também priorizou acompanhar os movimentos dos uigures étnicos, um grupo minoritário majoritariamente muçulmano considerado, por Pequim, uma ameaça à segurança.

A China está enfrentando crescentes críticas internacionais pelo tratamento dado aos uigures em Xinjiang. Os membros do grupo foram sujeitos a detenções em massa no que a China chama de centros de "treinamento vocacional" e a ampla vigilância estatal.

Como parte da campanha, diferentes grupos de hackers chineses invadiram operadoras de telecomunicações em países como Turquia, Cazaquistão, Índia, Tailândia e Malásia, disseram as quatro fontes.

Esses países são frequentemente usados como rotas de trânsito pelos uigures para viajar entre Xinjiang e a Turquia, naquilo que ativistas de direitos humanos dizem ser uma tentativa de escapar da perseguição estatal.

A China negou repetidamente o envolvimento em ataques cibernéticos ou qualquer maus-tratos ao povo uigure, cujos direitos religiosos e culturais, segundo Pequim, estão totalmente protegidos, e o Ministério das Relações Exteriores da China disse que todas as alegações de hackers precisam ser comprovadas por evidências.

"Gostaríamos novamente de enfatizar que a China é uma protetora resoluta da segurança na internet. Nós nos opomos consistentemente e resolutamente e reprimimos qualquer forma de ataque à internet", disse um comunicado do ministério.

A empresa de segurança cibernética norte-americana Volexity publicou nesta semana um relatório detalhando o que diziam os esforços chineses para invadir os telefones e as contas de e-mail dos uigures em todo o mundo.

Pesquisadores do Google também disseram ter descoberto uma campanha feita por desconhecidos para invadir milhares de iPhones da Apple, cujas fontes disseram à Forbes e ao TechCrunch que foram direcionada à comunidade uigur.

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