Tarcísio X Haddad: veja principais pontos do debate entre os candidatos ao Governo de SP
Atual governador e ex-ministro da Fazenda discutiram segurança pública, combate ao crime organizado, Cracolândia e gestão federal no primeiro debate das eleições paulistas de 2026
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) protagonizaram neste domingo (9) o primeiro debate entre candidatos ao governo de São Paulo nas eleições de 2026. O encontro foi transmitido pela Band e teve início às 20h.
Os dois foram os únicos convidados pela emissora. A participação seguiu a regra que garante espaço em debates a candidatos de partidos ou coligações que tenham mais de cinco representantes no Congresso Nacional.
Logo nos primeiros blocos, o confronto ficou concentrado em temas como segurança pública, combate ao crime organizado e a situação da Cracolândia. Os adversários também discutiram as gestões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em determinado momento, Tarcísio criticou a insistência de Haddad em mencionar Bolsonaro durante o debate. "Muito focado em Bolsonaro. Isso foi em 2018, já passou", afirmou o governador.
Tarcísio e Haddad discutem Cracolândia e combate ao PCC
A Cracolândia foi um dos primeiros assuntos a provocar troca de acusações entre os candidatos. Tarcísio afirmou que sua administração conseguiu dar "fim à Cracolândia" e questionou Haddad sobre o programa Braços Abertos, criado quando o petista era prefeito da capital paulista.
"Por que o programa de Braços Abertos não deu certo? E, se eleito, você se compromete a continuar o trabalho que foi feito?", perguntou Tarcísio.
Haddad respondeu que a proposta tinha como objetivo atender pessoas em situação de vulnerabilidade e dependência química, e não combater diretamente o tráfico de drogas.
"O programa Braços Abertos não tinha a capacidade de enfrentar o tráfico de drogas, que era um problema da polícia. Dois terços da população atendida pelo programa deixou de consumir o crack ou diminuiu bastante. Você tem dificuldade de reconhecer o mérito de outras pessoas", afirmou o candidato do PT.
Ao defender sua gestão na área de segurança, Tarcísio citou indicadores de criminalidade, operações policiais e ações contra organizações criminosas. Segundo o governador, São Paulo registra os menores índices históricos de homicídios, latrocínios, roubos e furtos desde o início da série histórica, em 2001.
"Nós temos o menor indicador de homicídios de toda a história. Nós temos o menor indicador de latrocínios de toda a história. Nós temos o menor indicador de roubos e furtos de toda a história", declarou.
O governador também mencionou operações realizadas em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Federal contra o Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com Tarcísio, foram mais de 500 ações desse tipo durante sua administração. "A cada três dias, a gente tem uma operação nova, ou seja, não paramos de combater o crime", disse.
Tarcísio também reconheceu que os números não eliminam os problemas enfrentados pela população. "A gente não vai se esconder atrás da estatística. A gente sabe que por trás da estatística tem pessoas que estão sofrendo", afirmou.
Segurança, violência contra a mulher e disputa sobre recursos
Durante o debate, Tarcísio também apresentou medidas de sua gestão voltadas ao combate à violência contra a mulher. Segundo o governador, São Paulo possui índices de feminicídio e mortes violentas de mulheres inferiores à média nacional.
Ele citou ainda a ampliação da rede de atendimento, com 144 delegacias e 235 salas de Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) funcionando 24 horas. O candidato também destacou iniciativas como o protocolo Não Se Cale e o Espaço Lilás, além de ações preventivas e grupos reflexivos para agressores. "A gente está buscando os agressores, levando para os grupos reflexivos, atuando preventivamente", afirmou.
Na área de segurança, Tarcísio ainda mencionou o aumento do efetivo policial, concursos públicos, investimentos em equipamentos e uso de tecnologia. Ele citou a integração entre o Smart Sampa e o Muralha Paulista, além de sistemas de inteligência artificial utilizados na identificação de veículos e localização de foragidos. "São 126 mil sensores espalhados pelo Estado de São Paulo e a gente vai contratar mais, a gente vai investir mais em tecnologia", disse.
Outro momento de confronto ocorreu durante a discussão sobre o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Haddad acusou Tarcísio de ter demorado a aderir ao programa e afirmou que o estado teria deixado de receber recursos.
"Você perdeu R$ 1 bilhão por mês, porque você não quis tirar uma foto do lado do presidente Lula. Não tem nada a ver com os vetos parciais que foram dados", afirmou Haddad.
O petista também defendeu que os efeitos financeiros da decisão poderiam ser verificados por meio da Lei de Acesso à Informação. Tarcísio rebateu a crítica e afirmou que a decisão de não aderir inicialmente ao programa estava relacionada aos interesses econômicos de São Paulo. Segundo o governador, o estado não enfrentava dificuldades para pagar sua dívida e a adesão não faria sentido diante das condições apresentadas naquele momento.
O primeiro debate entre os dois candidatos marcou, assim, o reencontro político de Tarcísio e Haddad, que já haviam se enfrentado na disputa pelo governo paulista em 2022. A segurança pública e a relação de São Paulo com o governo federal devem continuar entre os principais temas da campanha para 2026.
* Em atualização
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