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Soberania em jogo: O plano bilionário para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes

Com tecnologia offshore inédita e parceria estratégica com a Petrobras, Projeto SAP em Sergipe surge como peça-chave para a segurança alimentar nacional

20 abr 2026 - 17h20
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O agronegócio brasileiro, motor que representa cerca de 30% do PIB nacional e alimenta 1 bilhão de pessoas globalmente, enfrenta um paradoxo crítico: a vulnerabilidade externa. Apesar de sua pujança, o país importa 97% do potássio (KCl) que consome, ficando à mercê de um oligopólio controlado por Canadá, Rússia e Belarus. Em 2025, o Brasil importou 14 milhões de toneladas de potássio, das quais quase metade veio da Rússia, expondo o país a riscos geopolíticos severos, como o choque de preços de 260% ocorrido após o início do conflito na Ucrânia. Para enfrentar esse cenário, o Projeto South Atlantic Potash (SAP), localizado na Bacia de Sergipe-Alagoas, desponta como uma das respostas mais ambiciosas do Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) 2050.

Plataforma offshore em construção no litoral de Sergipe
Plataforma offshore em construção no litoral de Sergipe
Foto: Divulgação / Perfil Brasil

Inovação tecnológica e sustentabilidade

O projeto se diferencia das operações convencionais ao apostar no Solution Mining (mineração por dissolução) em águas profundas, uma tecnologia que consiste na injeção de água do mar aquecida a cerca de 2.500 metros de profundidade para dissolver a silvinita. A salmoura resultante é então bombeada até a superfície, onde o potássio é separado por meio de evaporação térmica. Além do avanço tecnológico, o modelo se alinha aos mais rigorosos critérios de ESG ao eliminar a necessidade de barragens, reduzindo praticamente a zero o risco de rejeitos e desastres ambientais. O projeto também incorpora princípios de economia circular, com destaque para a parceria firmada com a Petrobras, que prevê o potencial reaproveitamento de plataformas em descomissionamento, transformando passivos da indústria de óleo e gás em ativos produtivos voltados ao agronegócio.

O papel estratégico da South Atlantic Potash S.A.

A empresa detém cerca de 81 mil hectares de autorização de pesquisa, com um recurso mineral estimado em 3,52 bilhões de toneladas de silvinita. A Fase 1 do projeto prevê a produção de 2 milhões de toneladas anuais, o que representaria uma economia de US$ 800 milhões em divisas por ano e a geração de até 3.800 empregos diretos e indiretos. Entretanto, o caminho para a autossuficiência exige fôlego financeiro e visão de longo prazo. Segundo o CEO da companhia, o projeto entra agora em uma fase decisiva de atração de capital. "Nossa iniciativa deu o passo inicial para a exploração nacional de potássio em Sergipe e, atualmente, contamos com o suporte técnico da Petrobras. Neste momento, a SAP busca investidores estratégicos para alavancar este importante projeto e viabilizar o avanço das próximas etapas. Trata-se de uma operação em águas rasas, próxima à costa, o que contribui para maior viabilidade técnica, menor complexidade operacional e otimização de custos", afirma o Sr. Bonzi Yokomizo, CEO da South Atlantic Potash.

Um setor em movimentação: de Sergipe à Amazônia

Historicamente, a produção de potássio no Brasil permaneceu limitada e altamente concentrada, sendo, até o final de 2025, praticamente restrita ao complexo de Taquari-Vassouras, localizado em Rosário do Catete (SE), em operação desde 1985. Única mina ativa no país, o empreendimento sempre respondeu por uma parcela reduzida da demanda interna, mantendo o Brasil fortemente dependente das importações. Em novembro de 2025, o ativo passou por uma mudança relevante de controle, saindo das mãos da Mosaic e sendo adquirido pela VL Mineração, empresa controlada por Valére Batista Mendonça Ramos, irmã dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da holding J&F, marcando a entrada da família no setor de fertilizantes e uma nova fase de investimentos voltados à ampliação da eficiência e da produtividade. Paralelamente, avançam iniciativas para diversificar a produção, com destaque para projetos na região amazônica, como o da Brazil Potash - empresa canadense, em Autazes (AM), que busca viabilizar uma mina de grande porte e, assim, reduzir uma dependência histórica do país em relação ao insumo essencial ao agronegócio.

Próximos passos

Apesar do potencial, o SAP ainda atravessa etapas regulatórias cruciais. Os próximos marcos incluem a validação do sistema de descarte de salmoura junto ao IBAMA e a conclusão do Estudo de Pré-Viabilidade (PFS). Se bem-sucedido, o projeto deixará de ser uma promessa técnica para se tornar o pilar central que garante que o "prato do brasileiro" não dependa mais das incertezas do cenário global.

Perfil Brasil
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