Rússia vai ceder controle de bases na Síria, sob novo acordo
Governo sírio afirma que Moscou, antiga aliada do ditador Assad, concordou em ceder controle total de duas bases estratégicas na costa do Mediterrâneo, que passarão a ser usadas como "centros de treinamento conjunto".As forças russas na Síria abrirão mão do controle total de duas bases estratégicas na costa do Mediterrâneo, que passarão a ser utilizadas como centros de treinamento conjunto entre a Rússia e a Síria, conforme um novo acordo firmado entre os dois países, informou o Ministério das Relações Exteriores sírio neste domingo (09/08).
A Rússia foi a principal aliada política e militar do ditador deposto Bashar al-Assad durante a guerra civil do país, ocorrida entre 2011 e 2024. Assad foi derrubado em dezembro de 2024 por insurgentes islâmicos liderados pelo atual presidente interino, Ahmad al-Sharaa, e, desde então, refugiou-se na Rússia.
Ao longo do conflito, a base aérea de Hmeimem e a base naval de Tartus foram postos militares russos fundamentais no Mediterrâneo oriental.
A base naval de Tartus entrou na esfera russa ainda década de 1970, após um acordo entre a União Soviética e a Síria, enquanto a base aérea de Hmeimim só foi construída e utilizada pelas tropas russas a partir de 2015 para aumentar a sua presença na intervenção de apoio ao regime de Assad.
Nos termos do novo acordo entre Damasco e Moscou, a Síria assumirá o controle do aeroporto de Hmeimem e do cais comercial do porto de Tartus, integrando-os à sua administração civil. Já as instalações militares em ambos os locais passarão a ser centros de "treinamento conjunto", afirmou o Ministério das Relações Exteriores. Na prática, o acordo acaba com o controle exclusivo da Rússia sobre os locais.
Os novos arranjos representam uma "reorganização da presença russa" ao longo da costa síria, acrescentou o ministério.
"Essa medida marca o desenvolvimento mais significativo desde o início das negociações, há cerca de um ano e meio, abrindo caminho para uma nova fase nas relações sírio-russas", conclui o comunicado.
A Rússia não comentou imediatamente o acordo.
Após a insurgência relâmpago que levou à queda de Assad, a Rússia concedeu asilo ao ditador sírio e à sua família. Com a mudança de regime, as tropas russas que permaneciam na Síria deixaram o país gradualmente, com exceção daquelas estacionadas nas duas bases.
Apesar de estar no lado oposto da Rússia na guerra, a nova liderança da Síria tem buscado manter laços bilaterais com Moscou. Al-Sharaa visitou o líder Vladimir Putin em Moscou duas vezes desde que assumiu o poder, com as duas bases no Mediterrâneo pontos-chave das discussões.
Desde a queda de Assad, a Síria também fortaleceu seus laços com os Estados Unidos, a Europa e países árabes vizinhos que haviam rompido relações com Damasco durante a repressão de Assad. Washington suspendeu a maior parte das sanções severas impostas ao país, e o presidente francês, Emmanuel Macron, visitou a Síria em julho, ocasião em que anunciou que os dois países nomeariam embaixadores recíprocos pela primeira vez em 14 anos.
jps (AP)
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