'Rei do Gado', 'Renascer', 'Pantanal' e mais: relembre as principais novelas de Benedito Ruy Barbosa
Conheça a trajetória e os maiores sucessos do autor que revolucionou a teledramaturgia brasileira com histórias inesquecíveis
O cenário cultural brasileiro amanheceu em luto com a perda de um de seus maiores contadores de histórias. O renomado autor Benedito Ruy Barbosa faleceu na manhã desta terça-feira, aos 95 anos, em decorrência de complicações provocadas por uma insuficiência renal crônica. Ele estava internado no HCor, localizado na cidade de São Paulo. O escritor deixa uma trajetória brilhante na televisão nacional, com produções que se tornaram verdadeiros patrimônios emocionais de milhões de telespectadores em todo o país.
Os grandes fenômenos que pararam a televisão
A genialidade do dramaturgo ficou eternizada em obras que alcançaram índices históricos de audiência. Na década de 1990, a primeira versão de Pantanal arrebatou o público da extinta TV Manchete ao retratar o romance entre Juma e Jove, além das sagas das famílias Leôncio e Marruá. Anos depois, a obra ganhou uma nova roupagem adaptada pelo neto do escritor, resgatando nomes como Marcos Palmeira e Almir Sater. O ator Guito, que deu vida ao personagem Tibério na adaptação recente, realizou o sonho de infância ao integrar o projeto originalmente protagonizado por Marcos Winter e Cristiana Oliveira.
Outro marco inesquecível da teledramaturgia foi Renascer, exibida originalmente em 1993. A produção detalhou a saga do fazendeiro José Inocêncio, interpretado por Leonardo Vieira na fase jovem e por Antonio Fagundes na idade madura, na região de Ilhéus, na Bahia. Foi nessa obra que o saudoso ator José Wilker, no papel do coronel Belarmino, imortalizou o famoso bordão "É justo, é muito justo, é justíssimo", criado de forma totalmente espontânea após esquecer o roteiro. Recentemente, Bruno Luperi assinou a releitura do texto do avô para o mesmo horário nobre.
Remakes de sucesso e bastidores surpreendentes
O sucesso estrondoso de O Rei do Gado também continua vivo na memória coletiva, atraindo inclusive as novas gerações em exibições recentes na faixa do Vale a Pena Ver de Novo. A trama central envolveu o romance proibido entre o latifundiário Bruno Mezenga, defendido novamente por Antonio Fagundes, e a boia-fria Luana, vivida por Patrícia Pillar. Essa produção conquistou tamanho prestígio internacional que recebeu um certificado de honra ao mérito no San Francisco International Film Festival, superando centenas de concorrentes globais.
Outras joias do autor receberam releituras competentes conduzidas por suas filhas, Edmara Barbosa e Edilene Barbosa. Entre elas destaca-se Cabocla, cujo romance entre Zuca e Luís Jerônimo foi vivido por Gloria Pires e Fábio Jr. na primeira versão, e por Vanessa Giácomo e Daniel de Oliveira na segunda. O envolvimento nos bastidores da versão de 1979 foi tão intenso que Gloria Pires e Fábio Jr. acabaram se casando após o término dos trabalhos. O mesmo cuidado técnico foi aplicado em Sinhá Moça, protagonizada por Lucélia Santos e, posteriormente, por Débora Falabella. A segunda versão revelou o talento de Isis Valverde no papel de Ana do Véu, atuação que rendeu uma indicação ao prêmio Emmy Internacional.
O impacto cultural de tramas sobre imigração
A temática social e histórica sempre foi uma forte marca registrada do autor. Em Terra Nostra, o público acompanhou o amor sofrido entre os imigrantes italianos Matteo e Giuliana, defendidos por Thiago Lacerda e Ana Paula Arósio. A novela também trouxe a marcante atuação de Carolina Kasting como Rosana e encerrou uma reprise recente na faixa do Vale a Pena Ver de Novo em abril deste ano. O tema da imigração também conduziu Esperança, focada no romance de Toni, vivido por Reynaldo Gianecchini, e Maria, papel de Priscila Fantin. A obra garantiu ao criador o Prêmio Qualidade Brasil.
Fechando o ciclo de grandes adaptações rurais, Paraíso trouxe o amor proibido de Santinha e do chamado filho do diabo. Os papéis foram divididos entre Cristina Mullins e Kadu Moliterno na primeira versão, e Nathalia Dill e Eriberto Leão no remake de 2009. Por fim, a monumental Os Imigrantes marcou a história da TV Bandeirantes com mais de quatrocentos capítulos. A produção acompanhou a trajetória de três homens chamados Antônio, interpretados magistralmente por Rubens de Falco, Othon Bastos e Altair Lima, consolidando de vez o nome de Benedito Ruy Barbosa na história da arte nacional.
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