Projeto que leva tecnologia a jovens indígenas da Amazônia busca apoio após convite da ONU
O que começou como uma iniciativa para levar programação e inteligência artificial a comunidades indígenas da Amazônia agora pode ganhar projeção internacional
O Lab Digital da Amazônia, iniciativa que leva formação em programação e inteligência artificial a jovens indígenas, foi convidado para ser apresentado em uma conferência da ONU em Macau, na China. Liderado por Andressa Freires, o projeto promove inclusão digital e instalou computadores no Rio Negro. Para viabilizar a ida ao evento e financiar a expansão dos laboratórios para novas aldeias em 2026, a coordenadora lançou uma vaquinha online a fim de cobrir custos de viagem e materiais.
O que começou como uma iniciativa para levar programação e inteligência artificial a comunidades indígenas da Amazônia agora pode ganhar projeção internacional. Depois de formar 20 jovens e instalar 10 computadores na região do Rio Negro, o Lab Digital da Amazônia foi selecionado para ser apresentado em uma conferência da Universidade das Nações Unidas, em Macau, na China. À frente do projeto, Andressa Freires criou uma vaquinha para apoiar sua participação no encontro e a expansão das atividades na Amazônia.
A UNU Macau AI Conference 2026 será realizada nos dias 25 e 26 de novembro, em Macau, na China. O encontro reúne pesquisadores, especialistas e representantes de diferentes setores para discutir o papel da inteligência artificial na educação.
Para Andressa, mulher preta da periferia de São Paulo, a seleção representa a oportunidade de apresentar internacionalmente uma experiência de inclusão digital desenvolvida em parceria com comunidades amazônicas.
Projeto leva programação e inteligência artificial a jovens indígenas
O Lab Digital da Amazônia nasceu com a proposta de ampliar o acesso à tecnologia em comunidades onde computadores, conexão à internet e cursos especializados nem sempre estão disponíveis.
Desenvolvida pela diversiData em parceria com Netto Santos e organizações que atuam na região, a iniciativa instala laboratórios de tecnologia e oferece formação em letramento digital, programação e inteligência artificial.
Na primeira edição, realizada em 2025, o projeto formou 20 jovens e instalou 10 computadores em comunidades do Rio Negro. A proposta vai além de oferecer aulas temporárias: os equipamentos permanecem nos territórios, permitindo a continuidade do aprendizado.
O objetivo é criar oportunidades para que os próprios jovens desenvolvam conhecimentos tecnológicos, ampliem suas perspectivas profissionais e participem da construção de soluções para suas comunidades.
Da Amazônia à China: o debate sobre quem pode criar inteligência artificial
Andressa foi selecionada para um painel que discute se os países e as comunidades do chamado Sul Global terão participação ativa na criação de tecnologias de inteligência artificial ou se permanecerão apenas como consumidores dessas ferramentas.
Na descrição da campanha, ela resume a questão que orienta seu trabalho:
"O Sul Global vai só consumir IA ou também vai criar?"
A pergunta está diretamente ligada à experiência do Lab Digital da Amazônia. Ao oferecer formação tecnológica a jovens indígenas, o projeto procura ampliar as possibilidades de participação de grupos historicamente pouco representados no setor.
O encontro em Macau faz parte da programação da Universidade das Nações Unidas e terá como tema central a relação entre inteligência artificial e educação.
Apesar de ter sido selecionada para participar, Andressa explica que a conferência não cobre as despesas de viagem e hospedagem dos painelistas. Por isso, decidiu mobilizar apoiadores por meio de uma vaquinha para custear sua participação no evento internacional.
Vaquinha também pode fortalecer novos laboratórios na Amazônia
A arrecadação foi criada com uma meta inicial de R$ 15 mil, destinada a cobrir passagem aérea, inscrição na conferência, hospedagem e transporte local.
Segundo a organização apresentada por Andressa, a maior parte desse orçamento corresponde à viagem entre São Paulo e Macau.
A campanha também prevê que os recursos recebidos além da meta sejam destinados à segunda edição do Lab Digital da Amazônia, programada para dezembro de 2026.
A próxima etapa deve chegar às comunidades indígenas São Thome e Nova Canaã, no Amazonas, com novas atividades de formação e infraestrutura tecnológica. Entre as necessidades previstas estão computadores, transporte fluvial, acesso à internet e materiais didáticos.
Dessa forma, o apoio à iniciativa não se limita à participação em uma conferência. A mobilização também pode contribuir para que mais jovens tenham acesso à educação digital dentro de suas próprias comunidades.
Como apoiar o Lab Digital da Amazônia
Quem deseja contribuir pode conhecer a campanha organizada por Andressa, consultar as informações sobre o uso dos recursos e escolher o valor da doação.
Compartilhar a história também ajuda a apresentar o projeto a pessoas interessadas em educação, inteligência artificial e inclusão digital.
Enquanto Andressa se prepara para participar do debate internacional, a iniciativa busca continuar crescendo na Amazônia. Quem quiser fazer parte dessa mobilização pode contribuir para a vaquinha do Lab Digital da Amazônia e apoiar a expansão do acesso à tecnologia nas comunidades indígenas.
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