Programa Desenrola 2.0 é prorrogado após inadimplência bancária manter recorde no Brasil
Calote atinge patamar histórico no país mesmo com avanço das renegociações de dívidas; governo decide prorrogar programa até agosto
O programa Desenrola Brasil foi prorrogado. O calote nos empréstimos financeiros continua em nível crítico no Brasil. A taxa de inadimplência média registrada pelos bancos permaneceu estável em 4,7% em junho, segundo dados consolidados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Banco Central (BC). O índice de inadimplência representa a maior marca da série histórica revisada da autoridade monetária, iniciada em março de 2011.
A métrica do Banco Central contabiliza todos os pagamentos em atraso há mais de 90 dias, abrangendo tanto pessoas físicas quanto jurídicas. No segmento das famílias, a inadimplência sustentou o recorde de 5,6% no mês passado. Do mesmo modo, a inadimplência entre empresas ficou estagnada em 3,2%, mantendo o pior patamar observado desde novembro de 2017.
A princípio, o cenário de inadimplência elevada permanece mesmo após o lançamento do Novo Desenrola Brasil, conhecido popularmente como Desenrola 2.0. Criado pelo governo federal no início de maio, o programa de renegociação de débitos registrou a repactuação de mais de R$ 22 bilhões até o encerramento de junho. Em vista disso, o volume bruto de dívidas negociadas reduziu para cerca de R$ 4 bilhões por meio de 3,6 milhões de acordos efetuados.
Diante do desafio de aliviar a renda das famílias, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou a extensão do prazo de adesão até o dia 31 de agosto. A iniciativa busca ampliar o alcance da plataforma e atrair mais inadimplentes antes do encerramento das condições especiais.
Endividamento atinge quase metade da população adulta mesmo após Desenrola Brasil
Apesar do esforço de renegociação, a taxa de comprometimento de renda do brasileiro permanece expressiva. O indicador de endividamento divulgado pelo Banco Central mostrou que a relação entre o saldo de débitos e a renda acumulada em doze meses passou de 49,9% em abril para 49,8% em maio.
Nesse sentido, levantamentos da Serasa Experian apontam que 82,8 milhões de pessoas possuíam dívidas negativadas no primeiro trimestre do ano, o equivalente a 49% da população do país. Antecipadamente, a consultoria destacou que os bancos concentram 47% do montante total de R$ 557,7 bilhões acumulados em pendências financeiras.
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