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Produção industrial no Brasil surpreende com maior alta em um ano e meio em janeiro

6 mar 2026 - 09h03
(atualizado às 10h23)
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A produção ‌industrial no Brasil registrou alta acima do esperado em janeiro, iniciando 2026 com o crescimento mais forte em cerca de um ano e meio depois de ter apresentado fraqueza ao longo do ano passado, embora o resultado ainda não seja visto como uma mudança de trajetória.

Fábrica da BYD em Camaçari, Bahia
03/02/2026. REUTERS/Rafael Martins
Fábrica da BYD em Camaçari, Bahia 03/02/2026. REUTERS/Rafael Martins
Foto: Reuters

Em janeiro, a indústria teve alta de 1,8% sobre o mês anterior, resultado que ficou bem acima da ⁠expectativa em pesquisa da Reuters de ganho de 0,7% e marcou o maior avanço desde junho ‌de 2024 (+4,4%).

Os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram ainda que, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve aumento de 0,2% na produção ‌industrial, interrompendo três meses seguidos de queda, contra expectativa de ‌retração de 0,7%.

"O cenário para nós não muda: o saldo negativo permanece, temos excedentes ⁠de estoques, seguem os efeitos negativos da política monetária", disse André Macedo, gerente da pesquisa no IBGE. "O crescimento de 1,8% não pode ser considerado de forma isolada. Basta olhar para meses anteriores e se vê que não é uma mudança de trajetória da indústria."

Segundo ele, o resultado de janeiro pode ser parcialmente explicado pelo comportamento do setor em dezembro, quando a produção teve queda ‌de 1,9%, a mais forte desde março de 2021, devido a férias coletivas.

"Com a retomada das ‌atividades produtivas no início do ano, ⁠ocorre uma recuperação de ⁠parte dessa perda", disse ele.

A indústria está 15,3% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.

De acordo ⁠com os dados do Produto Interno Bruto divulgados ‌nesta semana, a indústria teve crescimento ‌de 1,4% em 2025, enfraquecendo depois de ter avançado 3,1% em 2024, em um ano marcado principalmente pela política monetária restritiva.

Com a taxa básica de juros Selic em 15%, a expectativa para 2026 é de cortes, começando na reunião de 17 e 18 de ⁠março, o que pode ajudar o setor industrial em meio a uma inflação mais baixa e a um mercado de trabalho forte. No entanto, a guerra no Oriente Médio agora afeta as perspectivas.

"Mesmo com o provável início do ciclo de cortes da Selic em março, os juros ainda permanecerão em patamar restritivo, pesando sobre a ‌indústria. Apesar do bom desempenho em janeiro, a perspectiva para os próximos meses é de desaceleração, puxada principalmente pela indústria de transformação", disse Heliezer Jacob, economista do C6 Bank.

Em janeiro, 19 ⁠das 25 atividades industriais pesquisadas tiveram resultados positivos na comparação com dezembro, um espalhamento que, segundo o IBGE, não era visto desde junho de 2024, quando 23 das atividades avançaram.

As principais influências positivas foram dadas pelos setores de produtos químicos (6,2%), veículos automotores, reboques e carrocerias (6,3%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,0%).

Entre os produtos químicos, os que mais impulsionaram o resultado foram adubos e fertilizantes, herbicidas e fungicidas, todos ligados ao setor agrícola, que tradicionalmente ganha impulso no início do ano.

Entre os resultados negativos, destacam-se máquinas e equipamentos (-6,7%), influenciadas por bens de capital para fins industriais e também para fins agrícolas. "Lembrando que o comportamento negativo do setor guarda relação com o movimento de aumento de taxas de juros", explicou Macedo.

Em relação às categorias econômicas, todas apresentaram altas em janeiro na comparação com o mês anterior -- bens de consumo duráveis (6,3%), bens de capital (2,0%), bens intermediários (1,7%) e bens de consumo semi e não duráveis (1,2%).

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