Presidente da F1 fala sobre a saída de circuitos históricos: 'Não é suficiente'
Nos últimos anos, a Fórmula 1 passou por uma expansão nunca vista antes no esporte. Enquanto parte desse desenvolvimento pode ser atribuída ao trabalho da Liberty Media, que adquiriu a categoria em 2017, Stefano Domenicali, atual presidente, tem novas visões para o futuro da categoria.
Em declaração recente ao podcast BSMT, Stefano Domenicali afirmou que a história de um circuito não será suficiente para mantê-lo no calendário nos próximos anos. Com 24 corridas ao longo da temporada, a Fórmula 1 está passando por um processo de renovação de circuitos e precisou despedir-se de algumas passagens clássicas, como Zandvoort.
O italiano quer que as pistas clássicas invistam em infraestrutura para somar ao valor histórico na avaliação de contratos, mas reforçou que apenas a tradição não pode sustentar um circuito na categoria: "Não, no sentido de que, obviamente, se um grande prêmio tem valor histórico, isso é um adicional na mesa de considerações. Mas isso não é suficiente", afirmou.
Uma nova categoria para um novo público
Domenicali baseia seu ponto de vista em dados sobre o consumo de fãs mais jovens. Segundo o presidente da F1, para um torcedor mais novo, não faz diferença se a corrida será em um circuito tradicional como Mônaco ou em um recente, como Las Vegas, adicionada no calendário em 2023.
"É um elemento que dá história e é importante para aqueles que, como eu, estão acompanhando a Fórmula 1 desde crianças. Mas para os novos fãs que seguem a F1 agora, vai parecer estranho, mas olhe, e nós temos esses dados porque eles são fundamentais para nós: a habilidade de virar a página, passar pelas notícias e esquecer quem ganhou no ano passado é muito alta", explicou. "Então, para muitos jovens que seguem a Fórmula 1 hoje, correr em Monte Carlo não faz diferença na comparação com Las Vegas para eles. Então, isso não é um elemento fundamental para nós".
Em relação à saída dos GPs mais clássicos, o italiano não descarta a possibilidade da volta desses circuitos de forma definitiva para o futuro, mas disse esperar que os promotores pensem em investimentos e ressaltou a influência do aspecto financeiro nessa decisão.
"Apenas para dar a ideia, a história precisa ser apoiada por uma estrutura que olhe para o futuro, que permita investimento em infraestrutura para melhorar, já que os ingressos não são exatamente baratos, para providenciar serviços para os fãs de todos os níveis. E para permitir aos países que estejam financeiramente presentes em um calendário que eu acho que não vai crescer para além do número de corridas que temos hoje", concluiu.
A visão da pista
Durante a temporada, os pilotos da categoria foram questionados sobre as mudanças que estão ocorrendo no calendário. Em entrevista durante GP da Emília-Romanha, em Ímola, Oscar Piastri, atual líder do campeonato, deu sua opinião sincera sobre a exclusão de pistas tradicionais do calendário: "Precisamos ter cuidado para preservar a história. Zandvoort vai sair, Spa vai entrar em rodízio, o que não me deixa muito feliz".
Lewis Hamilton, heptacampeão da Fórmula 1, também se manifestou sobre a mudança: "Acho realmente triste estarmos perdendo Zandvoort, o público lá é incrível. Há um grande número de seguidores, obviamente, principalmente pelo Max, mas, em geral, os fãs são o que fazem o esporte ser o que é. E então, há várias corridas no calendário, não vou mencionar quais, mas você sabe quais, que não têm muitas pessoas que vão, mas, financeiramente, elas conseguem cobrir qualquer que seja o custo", disse.
Além do calendário da F1
As mudanças idealizadas por Stefano Domenicali vão além dos circuitos e também incluem a estrutura do fim de semana da F1. No formato atual, a categoria conta com três treinos livres, uma classificação e a corrida no domingo, enquanto seletos GPs possuem a adicional corrida sprint e apenas um treino livre.
Para Domenicali, os fãs estão "cansados dos treinos livres". O chefão da categoria também coloca em pauta uma possível redução da duração das corridas e o aumento do número de corridas sprint, porém essa possibilidade gera opiniões divergentes entre os pilotos da F1.
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