Pentobarbital: como funciona substância usada em pena de morte nos EUA
Composto químico enfrenta escassez de fornecedores e entra em debate após falha sem precedentes na execução de condenada no Tennessee
Pentobarbital, usado na pena de morte nos EUA, enfrentou questionamentos após falhar na execução de uma prisioneira no Tennessee, evidenciando problemas de fornecimento e eficácia do composto.
O pentobarbital é um barbitúrico potente aplicado em injeções letais nos Estados Unidos para provocar a morte rápida de sentenciados. O composto voltou ao debate internacional após a prisioneira Christa Gail Pike sobreviver a duas doses da substância no Tennessee nesta quarta-feira (30).
A mulher de 50 anos, condenada pelo homicídio de Colleen Slemmer cometido em 1995, continuou respirando na maca da prisão e precisou ser transferida para uma unidade hospitalar. Diante do incidente, o governador Bill Lee suspendeu o calendário de execuções do estado até o encerramento do ano para apurar falhas operacionais e suspeitas de degradação da droga.
Adotado pelo governo federal norte-americano em 2019 sob o formato de aplicação única, o componente foi introduzido nas penitenciárias com a alegação oficial de oferecer um procedimento humanitário.
Como a substância atua no organismo?
A substância funciona como um depressor do sistema nervoso central injetado via intravenosa para desativar as funções vitais de forma progressiva. Relatórios de necropsias apontados por grupos contrários à pena capital indicam que o fármaco pode provocar acúmulo de fluidos nos pulmões e sensação de afogamento antes do óbito.
A dificuldade técnica para canular veias representa outro problema frequente nas penitenciárias, como registrado na tentativa de execução de Tony Carruthers em maio.
Por que o produto enfrenta escassez de fornecimento?
Empresas farmacêuticas multinacionais e a União Europeia estabeleceram vetos à comercialização do composto para fins de pena de morte. Sem acesso ao mercado regular, o Departamento de Justiça passou a recorrer a farmácias de manipulação mantidas em sigilo para fabricar pequenos lotes.
A prática foi contestada na Justiça pela juíza Tanya Chutkan com base na Lei de Alimentos, Medicamentos e Cosméticos. O desabastecimento levou governos estaduais a regulamentar outros métodos de execução, a exemplo de pelotões de fuzilamento, asfixia por gás e eletrochoque.
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