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O que pode sair da negociação entre EUA, Rússia e Ucrânia?

23 jan 2026 - 20h06
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Primeira reunião trilateral busca encontrar maneiras de acabar com a guerra, em meio à intensificação de ataques russos à infraestrutura energética ucraniana e disputa sobre Donbass.Representantes da Ucrânia , dos Estados Unidos e da Rússia se reúnem nos Emirados Árabes Unidos neste fim de semana para suas primeiras negociações trilaterais com o objetivo de encontrar opções para pôr fim à guerra na Ucrânia . Esta é a primeira vez que os três países se sentarão à mesma mesa - anteriormente, as partes haviam discutido propostas de paz separadamente, em reuniões bilaterais com representantes dos EUA.

Delegações dos EUA, da Ucrânia e da Rússia estão em Abu Dhabi para negociações sobre um plano de paz
Delegações dos EUA, da Ucrânia e da Rússia estão em Abu Dhabi para negociações sobre um plano de paz
Foto: DW / Deutsche Welle

De acordo com o enviado especial do presidente dos EUA, Steve Witkoff, a agenda nos Emirados Árabes Unidos terá dois pontos principais: questões de segurança e econômicas. No Fórum Econômico Mundial em Davos, ele expressou otimismo sobre o resultado das negociações.

Imediatamente após Davos, Witkoff viajou para Moscou com o genro de Donald Trump , Jared Kushner, e Josh Gruenbaum, chefe do Serviço Federal de Aquisições, que é o braço de compras das agências federais americanas. O trio se reuniu com o presidente russo, Vladimir Putin , e seus assessores.

Após a reunião, o assessor de Putin, Yuri Ushakov, disse que "foi afirmado mais uma vez que, sem resolver a questão territorial de acordo com a fórmula acordada em Anchorage, não se deve esperar alcançar um acordo de longo prazo" - em referência ao encontro entre Trump e Putin no Alasca, em agosto de 2025.

Ele não explicou exatamente o que essa "fórmula" implica. Depois de Moscou, a delegação dos EUA voou para Abu Dhabi.

A delegação russa, disse Ushakov, inclui altos funcionários do Ministério da Defesa, liderados pelo chefe dos serviços de inteligência militar da Rússia, Igor Kostyukov. Também estão previstas conversas separadas sobre questões econômicas em Abu Dhabi entre Witkoff e o representante especial de Putin, Kirill Dmitriev.

A delegação da Ucrânia é liderada por Rustem Umerov, secretário do Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia. A equipe também inclui o chefe de gabinete do presidente ucraniano, Kyrylo Budanov, o vice-chefe de gabinete, Sergiy Kyslytsya, o líder da maioria parlamentar, Davyd Arakhamia, e Andrii Hnatov, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia. Oficiais da inteligência militar também estarão presentes.

A questão do Donbass estará no centro das negociações em Abu Dhabi, disse o presidente ucraniano Volodimir Zelenski a jornalistas, em mensagens via WhatsApp. Segundo ele, os parceiros europeus da Ucrânia receberão posteriormente um briefing completo sobre o resultado das negociações.

A questão do Donbass refere-se ao território no leste da Ucrânia, que tem uma parte atualmente controlada pela Rússia. A Rússia exigiu anteriormente que a Ucrânia cedesse as partes do Donbass que ainda controla. A Ucrânia se recusou a fazê-lo.

Qual o acordo possível?

A reunião entre a Rússia e a Ucrânia em Istambul no verão passado não conseguiu avançar em direção à paz, nem mesmo a um cessar-fogo, mas abriu caminho para uma grande troca de prisioneiros.

A próxima reunião em Abu Dhabi, mediada pelos EUA, também não deve dar início a um processo de paz completo, dizem especialistas entrevistados pela DW.

É mais provável que as negociações se concentrem em uma questão humanitária limitada, diz Ivan Us, consultor-chefe do Centro de Estudos de Política Externa do Instituto Nacional de Estudos Estratégicos, com sede em Kiev. Segundo ele, a nova rodada de negociações não sinaliza nenhuma mudança nas posições fundamentais e está ligada apenas ao desejo do presidente dos EUA, Donald Trump, de continuar os esforços diplomáticos.

Us acredita que a Ucrânia não concordará com nenhum cenário que envolva concessões territoriais ou qualquer coisa que se assemelhe a uma capitulação de fato. A Rússia, por sua vez, também não demonstra disposição para encerrar a guerra , disse o especialista. "Nessas circunstâncias, não faz sentido falar em avanços políticos ou acordos estratégicos", afirmou Us.

Segundo ele, isso explica por que as partes estão buscando um resultado que possa ser implementado rapidamente e sem alterar suas posições centrais. "Esse resultado poderia ser uma troca de prisioneiros, que não ocorre há bastante tempo", ressalta.

Us argumenta que Moscou pode tentar fazer com que os EUA pegue mais leve com sua frota paralela de petroleiros usada para contornar as sanções e pode concordar com ações humanitárias, como a retomada da troca de prisioneiros.

Quanto à questão territorial, o analista político Volodymyr Fesenko acredita que muito dependerá do lado americano e do tipo de compromisso que ele poderá oferecer em relação ao Donbass.

De acordo com Fesenko, diretor do Centro Penta de Estudos Políticos em Kiev, a presença de especialistas militares nas delegações sugere que questões como a retirada das tropas e, possivelmente, um cessar-fogo serão discutidas. "Mas será que eles chegarão a um acordo? Não estou muito otimista", disse ele.

Infraestrutura energética na mira

O jornal britânico Financial Times informou que a Ucrânia e os EUA podem propor um cessar-fogo visando a infraestrutura energética .

De acordo com Fesenko, as negociações seriam um sucesso se resultassem em um acordo — ou pelo menos no início de negociações para chegar a um acordo — sobre a suspensão dos ataques contra estruturas como usinas, subestações e linhas de transmissão.

"Ao mesmo tempo, tenho dúvidas de que isso possa ser acordado", disse Fesenko. "Até agora, não vejo Putin disposto a abrir mão de uma ferramenta tão eficaz de pressão sobre a Ucrânia." Em sua opinião, as negociações provavelmente continuarão, mas não se deve esperar um avanço rápido no futuro próximo.

Oleksandr Kraiev, diretor do programa da América do Norte do think tank Prism, com sede em Kiev, também acredita que a reunião em Abu Dhabi terminará sem acordos substanciais.

Kraiev argumenta que o principal resultado pode não ser um progresso com a Rússia, mas uma coordenação mais estreita entre a Ucrânia e os EUA.

"Na verdade, trata-se de avançar para uma situação em que Kiev e Washington atuem como uma equipe, tentando conjuntamente persuadir a Rússia da necessidade de, pelo menos, soluções diplomáticas provisórias", sugere Kraiev.

Isso não marca o início de um processo de paz, argumenta ele; em vez disso, é uma tentativa de testar a disposição de Moscou para um envolvimento construtivo mínimo.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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