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'Não tem governo que não errou na pandemia', diz Omar Aziz, que deve presidir CPI da Covid

Senador que tem o apoio do Planalto para comandar a comissão relativizou a atuação do governo de Jair Bolsonaro no enfrentamento da pandemia

16 abr 2021 13h29
| atualizado às 15h32
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BRASÍLIA - Nome apoiado pelo Palácio do Planalto para comandar a CPI da Covid, o senador Omar Aziz (PSD-AM) relativiza a atuação do governo de Jair Bolsonaro no enfrentamento da pandemia e diz que outros governos também erraram.

"Não tem governo, seja de direita, centro ou esquerda, que não tenha cometido equívocos nessa pandemia. Em todos os Estados, está tendo morte. O João Doria é 100% contrário ao pensamento do Bolsonaro. São Paulo, por acaso, está vivendo um mar de rosas?", questionou o parlamentar, em entrevista ao Estadão/Broadcast Político.

Senador Omar Aziz (PSD-AM) é cotado para a presidir a CPI da Covid
Senador Omar Aziz (PSD-AM) é cotado para a presidir a CPI da Covid
Foto: Twitter / Reprodução / Estadão

Aziz concorreu ao governo do Amazonas em 2018, mas foi derrotado por Wilson Lima (PSC). Hoje, porém, os dois são aliados. O Estado é um dos principais focos da CPI após colapso na rede de saúde em janeiro, quando pacientes de covid-19 morreram asfixiados após estoques de oxigênio nos hospitais se esgotarem.

Inicialmente com foco apenas nas ações e omissões do governo de Jair Bolsonaro, a CPI teve seu escopo ampliado para Estados e municípios após pressão de governistas. Dos 11 titulares, porém, o governo é minoria, com quatro senadores declaradamente aliados, dois de oposição e 5 com atuação considerada independente.

Embora próximo ao governo, Aziz está no grupo dos indepententes. Ele é crítico à condução de Bolsonaro na crise do novo coronavírus no Amazonas, onde o parlamentar já foi governador. O senador do PSD afirma, porém, que não pretende transformar a comissão em uma fritura para o chefe do Planalto. "Esse discurso (eleitoral) não vai acontecer dentro da CPI."

Na entrevista ao Estadão/Broadcast Político, o parlamentar afirmou que um dos papéis da CPI será o de formular um protocolo para o enfrentamento de pandemias no País. "Não pode o presidente falar: não concordo com o ministro da Saúde, então eu demito. Não. O ministro da Saúde não vai ser demitido porque esse protocolo vai servir para ele e para qualquer um aqui daqui a 50 anos. A CPI tem que ter esse papel", disse Aziz.

Mesmo alinhado ao governo, o senador critica as posturas negacionistas em relação ao vírus, mas diz que Bolsonaro não foi o único a negar a gravidade da doença.

"Não foi só político. Eu vi infectologista falando sobre imunidade de rebanho. Essa tese já foi para as cucuias. Tem gente se infectando. Essa coisa não tem data para passar. A nossa vida mudou. Acabou a conversa de mesa de bar: 'me dá um gole do seu drink, um trago do seu cigarro'. Beijo e abraço, não tem mais, filho", disse o senador.

O acordo costurado entre as legendas prevê que Renan Calheiros (MDB-AL), crítico ferrenho de Bolsonaro na crise, seja o relator da CPI, equilibrando o jogo na cúpula da comissão.

"Seja quem for o relator, ele não é o dono da verdade. Faz um relatório que a comissão pode aprovar ou não. Pode vir um relatório substitutivo, isso já aconteceu", afirmou Aziz à reportagem. "Não podemos entrar nessa CPI já com uma opinião formada sobre as coisas. O que a CPI tem que tirar é uma política de Estado para o combate a qualquer pandemia, não uma política do governante de plantão."

Operação. Aziz já foi alvo de uma operação da Polícia Federal que apurava desvios de dinheiro da área da saúde no Estado. A mulher do senador, Nejmi Aziz, chegou a ser presa por dois dias em 2019, em um desdobramento das investigações.

A ex-primeira dama foi candidata a deputada estadual nas eleições 2018 mas não foi eleita. Na ocasião, Nejmi Aziz declarou mais de R$ 30 milhões em bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), valor quase 20 vezes superior ao de seu marido, que concorreu ao governo do Amazonas em 2018 e informou à Corte que possuía pouco mais de R$ 1,5 milhão em bens.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), os investigados são pessoas físicas e jurídicas ligadas a Omar Aziz, que foi governador do Amazonas entre 2011 e 2014. A PF apura supostas entregas de dinheiro em espécie e negócios que teriam sido realizados para ocultar a entrega de valores dissimulados por meio de contratos de aluguel e de compra e venda.

Por meio de nota, o senador do PSD negou participar de qualquer tipo de irregularidade. "Sobre a referência ao nome do senador Omar Aziz citado no relatório da Polícia Federal de 2019, nos autos da Operação Vertex, é importante esclarecer para a sociedade que não foi produzida prova alguma ou nem mesmo apresentado indício de ligação de Omar Aziz com qualquer atividade delituosa", disse o senador, por meio de sua assessoria.

Estadão
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