Vaticano condena transmissão de execução nos EUA: 'Espetacularização inaceitável'
Secretário de Estado reiterou que Igreja Católica é totalmente contrária à pena de morte
O Vaticano condenou com veemência a decisão dos EUA de transmitir ao vivo a execução por fuzilamento de Nidal Malik Hasan, condenado pelo ataque que matou 13 pessoas na base de Fort Hood em 2009. O cardeal Pietro Parolin chamou a ação de "espetacularização inaceitável", reiterando a oposição total da Igreja à pena de morte por violar a dignidade humana. O caso marca a primeira execução pública no país em 90 anos e recebeu críticas também de bispos norte-americanos.
O Vaticano criticou duramente, nesta sexta-feira (9), a decisão do governo dos Estados Unidos de transmitir ao vivo a execução por fuzilamento de Nidal Malik Hasan, condenado à morte pelo ataque que deixou 13 mortos e 32 feridos na base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009.
Em declaração à margem de um evento dedicado a John Henry Newman, o secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, afirmou que "transformar a morte em espetacularização é inaceitável".
Para o religioso, "independentemente da culpa da pessoa condenada, existem outros sistemas", e essa forma "é incompreensível".
O cardeal reiterou que a Igreja Católica é totalmente contrária à pena de morte, por considerar que a prática é incompatível com a dignidade humana e não constitui um fator de dissuasão. "A posição da Igreja é de total oposição à pena de morte", enfatizou.
Por fim, Parolin questionou a utilização desse método de execução nos dias atuais. "É realmente incompreensível por que alguém desejaria utilizar esse sistema nos dias de hoje ? não sei com que finalidade", acrescentou.
Mais cedo, o presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, arcebispo Paul Stagg Coakley, já havia condenado a decisão do Departamento de Defesa dos EUA de anunciar que realizará a primeira execução pública em 90 anos, no próximo dia 3 de dezembro.
Hasan, ex-major e psiquiatra do Exército dos Estados Unidos, foi condenado por 13 homicídios premeditados e 32 tentativas de homicídio e sentenciado à morte por um tribunal militar pelo massacre contra a base militar de Fort Hood, no Texas, em 5 de novembro de 2009.
Durante as comemorações do "Dia de Colombo" na Casa Branca, o presidente dos EUA, Donald Trump, comentou a sentença do ex-militar e disse que "ele merece a pena de morte por fuzilamento".
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