Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Urânio, controle de Ormuz e US$ 27 bilhões bloqueados: os 3 pontos-chave do impasse entre EUA e Irã

Negociação mais séria e prolongada entre os dois países desde 1979, cúpula do Paquistão terminou sem avanço significativo e deixou dúvidas sobre a longevidade do cessar-fogo

12 abr 2026 - 14h07
Compartilhar
Após não chegar a acordo com o Irã, Trump diz que Marinha dos EUA irá bloquear Estreito de Ormuz:

Quando as negociações entre os Estados Unidos e o Irã terminaram pouco antes do amanhecer deste domingo, 12, sem um cessar-fogo permanente, os americanos disseram que haviam feito sua melhor oferta final e que o Irã não a aceitou. "Deixamos muito claro quais são nossas linhas vermelhas, em quais pontos estamos dispostos a acomodá-los e em quais não estamos dispostos a ceder", disse o vice-presidente JD Vance após 21 horas de reuniões com autoridades iranianas de alto nível no Hotel Serena, em Islamabad.

Vance não especificou quais eram essas linhas vermelhas. Nos dias que antecederam as negociações, ambos os lados haviam feito declarações públicas indicando que permaneciam distantes em várias questões críticas. Eles sequer concordavam sobre se a trégua de duas semanas alcançada na terça-feira se aplicava aos combates no Líbano — uma divergência que quase fez as conversas fracassarem.

No início do domingo, três principais pontos de impasse permaneciam, segundo dois funcionários iranianos familiarizados com as negociações: a reabertura do Estreito de Ormuz; o destino de cerca de 900 libras (aproximadamente 408 kg) de urânio altamente enriquecido; e a exigência do Irã de que cerca de US$ 27 bilhões em receitas congeladas no exterior fossem liberadas.

Os Estados Unidos exigiram que o Irã reabrisse imediatamente o estreito para todo o tráfego marítimo. Mas o Irã se recusou a abrir mão de sua vantagem sobre esse ponto crítico para o transporte de petróleo, afirmando que só o faria após um acordo de paz definitivo, segundo os dois funcionários iranianos, que falaram sob condição de anonimato por se tratar de negociações diplomáticas sensíveis.

O Irã também buscou reparações pelos danos causados por seis semanas de bombardeios aéreos e pediu que receitas de petróleo congeladas, mantidas no Iraque, Luxemburgo, Bahrein, Japão, Catar, Turquia e Alemanha, fossem liberadas para a reconstrução, disseram os funcionários. Os americanos recusaram esses pedidos.

Outro ponto de discórdia foi a exigência do presidente Donald Trump de que o Irã entregue ou venda todo o seu estoque de urânio enriquecido próximo ao nível necessário para armas nucleares. O Irã apresentou uma contraproposta, mas as partes não conseguiram chegar a um acordo, segundo os funcionários.

"Quando duas equipes sérias, com intenção de fechar um acordo, sentam à mesa, o resultado precisa ser vantajoso para ambos. É irrealista pensar que podemos sair disso sem fazer concessões significativas; o mesmo vale para os americanos", disse Mehdi Rahmati, analista em Teerã, em entrevista por telefone.

Veja a explicação de JD Vance para fracasso das negociações entre EUA e Irã por fim da guerra :

Mesmo com o fim das reuniões sem acordo, o fato de terem ocorrido já foi um sinal de progresso. Apenas seis semanas antes, os Estados Unidos e Israel haviam matado o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, em um ataque aéreo, e autoridades iranianas prometeram vingar sua morte. Naquele momento, a possibilidade de qualquer reunião de alto nível entre autoridades iranianas e americanas parecia remota.

Ainda assim, Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e influente comandante militar, liderou a delegação iraniana e se reuniu pessoalmente com Vance. Os dois homens apertaram as mãos, e as conversas foram descritas como cordiais e calmas, segundo os dois altos funcionários iranianos familiarizados com as negociações. Embora não tenha havido um avanço diplomático, um tabu — moldado por décadas de hostilidade, retórica agressiva e gritos de "morte à América" no Irã — foi quebrado.

O encontro entre Vance e Ghalibaf foi o mais alto nível de interação presencial entre representantes do Irã e dos Estados Unidos desde o rompimento das relações diplomáticas em 1979, após a Revolução Islâmica. Pouco depois, os novos governantes do Irã invadiram a Embaixada dos EUA e fizeram diplomatas americanos reféns.

"Estas são as negociações diretas mais sérias e prolongadas entre os EUA e o Irã, e refletem a intenção de ambos os lados de encerrar esta guerra", disse Vali Nasr, professor e especialista em Irã na Universidade Johns Hopkins. "E houve claramente um impulso positivo para que as conversas durassem tanto tempo sem colapsar."

Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial.Saiba mais em nossa Política de IA.

Estadão
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra