Trump suspende novos ataques a pedidos do Irã e países aliados: uma 'nova mentira', segundo Teerã
O presidente americano, Donald Trump, declarou no sábado (2) que os Estados Unidos e Israel concordaram em suspender novos e massivos bombardeios que estariam previstos neste fim de semana no Oriente Médio, após apelos supostamente feitos por países aliados e o Irã. A informação foi classificada de "nova mentira" pelo exército iraniano.
Em uma publicação na plataforma Truth Social, o líder republicano explicou que os Estados Unidos estavam "prontos para atacar", segundo ele, com uma intensidade inédita desde a Segunda Guerra Mundial. No entanto, o presidente americano afirma que resolveu ceder aos apelos de Teerã e de nações aliadas no Golfo para que um acordo possa ser concluído rapidamente. Para que o compromisso seja validado, Trump impõe como condição a reabertura total do Estreito de Ormuz e o fim da ameaça nuclear iraniana.
A agência estatal de notícias da Arábia Saudita indicou nesta manhã que o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, aliado-chave dos Estados Unidos, conversou por telefone no sábado com Trump. O dirigente saudita teria defendido a necessidade de privilegiar o diálogo para reduzir as tensões e a importância de realizar todos os esforços possíveis para uma trégua.
Logo depois, a agência de notícias estatal Mehr qualificou de "nova mentira" a declaração de Trump. Citando autoridades militares, o texto afirma que o Irã nunca pediu para os Estados Unidos não atacarem. "Nossas forças estão em estado de alerta máximo e prontas para qualquer eventualidade", reitera.
Outra agência de notícias iraniana, a Fars, citando "uma fonte próxima da equipe de negociação nuclear", afirmou que "enquanto os Estados Unidos mantiverem suas ações hostis, o Estreito de Ormuz permanecerá fechado".
Trump prometeu "surra" no Irã
Durante a semana, Trump multiplicou as ameaças contra o Irã, afirmando que o regime islâmico levaria "uma surra" dos Estados Unidos, prometendo ataques "muito fortes". Segundo a imprensa americana, os supostos bombardeios massivos seriam realizados em conjunto com Israel e teriam refinarias de petróleo e usinas elétricas iranianas entre os possíveis alvos.
As ameaças e o temor de novos bombardeios levaram as embaixadas americanas no Oriente Médio a orientar seus cidadãos no sábado a deixarem a região devido a uma possível "escalada" do conflito regional.
Após semanas de pausa, os Estados Unidos voltaram a atacar o Irã no início de julho, levando o regime a retaliar. As hostilidades romperam o protocolo de acordo firmado um mês antes entre as duas partes.
Aceleração das negociações
Nos últimos dias, os países do Oriente Médio acelereram as negociações em prol de um cessar-fogo duradouro entre Washington e Teerã. Segundo a mídia oficial iraniana, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, conversou com representantes sauditas, turcos e com o chefe do Exército do Paquistão, país mediador no conflito.
A guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, que teve início em 28 de fevereiro. O conflito se expandiu recentemente com uma nova frente no Mar Vermelho, onde os rebeldes houthis do Iêmen, apoiados por Teerã, anunciaram a imposição de um bloqueio aos portos sauditas. Desde então, os insurgentes vêm reivindicando ataques contra petroleiros e instalações petrolíferas do reino.
A extensão do conflito representa uma ameaça para a circulação marítima pelo estratégico estreito de Bab el‑Mandeb, na extremidade sul do Mar Vermelho, cuja importância aumentou desde o bloqueio do estreito de Ormuz, que segue controlado pelo Irã.
RFI com agências
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