Trégua entre Irã e Estados Unidos reduz tensão regional; Teerã convoca embaixador francês
Após semanas de confrontos entre Irã e Estados Unidos, nenhum bombardeio americano foi registrado em território iraniano desde sexta-feira (24), marcando a terceira noite consecutiva sem ataques entre os dois países. Apesar de Washington afirmar que as negociações seguem em andamento e de o governo Donald Trump deixar espaço para uma solução diplomática, Teerã negou nesta segunda-feira (27) estar envolvido em qualquer diálogo com os EUA.
O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaïl Baghaï, afirmou que as alegações de que o Irã teria solicitado conversas são "invenções" divulgadas pelo lado americano.
A diminuição das hostilidades contribuiu para uma forte queda dos preços do petróleo nos mercados internacionais. Ainda assim, a tensão regional continua elevada.
Em paralelo, a crise diplomática entre Irã e França ganhou destaque. O governo iraniano convocou o embaixador francês em Teerã, Pierre Cochard, acusando Paris de "ingerência" em assuntos internos do país. A convocação ocorre após a detenção temporária de dois diplomatas franceses em 19 de julho. Segundo o Irã, eles teriam se reunido com pessoas procuradas pelos serviços de segurança.
Já a França sustenta que os diplomatas participavam apenas de um programa de apoio à sociedade civil iraniana. O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, prometeu que o episódio não ficará sem consequências.
Outro foco de preocupação continua sendo o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado no mundo. A agência iraniana Tasnim informou que um petroleiro explodiu após atingir uma mina na região.
Segundo a imprensa iraniana, a embarcação teria deixado a rota de navegação determinada pelas autoridades locais. Teerã também afirmou que as conversas em curso com Omã sobre a administração do estreito não envolvem os Estados Unidos e reiterou que a via marítima permanece fechada.
Arábia Saudita intercepta drones de grupos apoiados pelo Irã
A segurança energética da região voltou a ser ameaçada nesta segunda-feira. A Arábia Saudita anunciou ter interceptado e destruído drones lançados a partir do Iraque contra instalações petrolíferas do reino. Riad atribuiu o ataque a grupos armados apoiados pelo Irã e pediu que o governo iraquiano impeça que seu território seja usado para agressões contra o país.
Ao mesmo tempo, os rebeldes houthis do Iêmen, aliados de Teerã, reivindicaram novos ataques com drones contra infraestruturas petrolíferas sauditas, alegando estar respondendo a incursões sauditas.
No terreno, as forças de segurança iranianas anunciaram a morte de quatro integrantes do Partido para uma Vida Livre no Curdistão (PJAK), grupo curdo considerado terrorista por Teerã, Estados Unidos e Turquia. Segundo as autoridades, armas, munições e granadas foram encontradas no veículo dos suspeitos durante uma operação na província iraniana do Curdistão, próximo à fronteira com o Iraque.
Embora a ausência de novos bombardeios entre Washington e Teerã tenha reduzido momentaneamente os temores de uma escalada militar, os incidentes no Estreito de Ormuz, os ataques envolvendo houthis e Arábia Saudita e as tensões diplomáticas entre Irã e França mostram que a região permanece longe da estabilidade. A diplomacia segue sendo apontada como a principal alternativa para evitar uma nova deterioração da crise.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.