Teste de cápsula da Boeing falha e nave retornará à Terra
Demonstração foi interrompida devido a problemas técnicos
A cápsula espacial Stairliner, da empresa de aviação Boeing, lançada nesta sexta-feira (20) de Cabo Canaveral, nos Estados Unidos, não conseguirá chegar à Estação Espacial Internacional (ISS) e retornará à Terra, informou a Agência Espacial Americana (Nasa). Em entrevista coletiva no centro espacial Kennedy, o chefe da Nasa, Jim Bridenstine, informou que a nave chegou a decolar sem problemas, mas sofreu uma anomalia no sistema automatizado que afetou o contador de "tempo decorrido". Com isso, o "veículo registrou um tempo diferente do tempo real", acrescentou. Além disso, uma alteração no abastecimento de combustível afetou a trajetória inicial da nave. Segundo Bridenstine, a Starliner "queimou mais combustível do que o esperado para manter o controle preciso. Isso é o que impedirá de encontrar-se com a Estação Espacial".
Os engenheiros da Boeing chegaram a colocar a cápsula em uma nova órbita, o que permitirá seu retorno à Terra nas próximas 48 horas, explicou Jim Chilton, vice-presidente da empresa. A Starliner, que não estava tripulada, foi lançada hoje com sucesso em seu foguete Atlas como um teste geral, mas logo em seguida teve problemas técnicos que impediram de concluir a operação até a estação. Dentro da nave estava apenas o manequim chamado Rosie, uma homenagem a "Rosie the Riveter", nome com o qual é conhecida a imagem icônica de uma jovem mulher que mostra seu bíceps e diz "Nós podemos". De acordo com Bridenstine, se a nave estivesse com astronautas a bordo, eles poderiam ter corrigido a falha e continuado o trajeto com sucesso. O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, foi atualizado sobre o ocorrido e garantiu que a "Nasa continuará testando e melhorando para levar os astronautas americanos de volta ao espaço em veículos americanos em 2020". Em 2014, a Nasa contratou a Boeing e a SpaceX para desenvolver cápsulas para levar astronautas dos Estados Unidos até a ISS, uma função geralmente realizada pelos foguetes russos da Soyuz.
O projeto, no entanto, está com dois anos de atraso. A expectativa é de que os astronautas sejam enviados até a estação internacional no primeiro semestre do ano que vem.
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