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Rússia e Ucrânia têm negociações tensas sobre questões territoriais

23 jan 2026 - 20h43
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Negociadores ucranianos e russos se reuniram em Abu Dhabi, nesta sexta-feira, para tratar da questão crucial do território, sem sinais de um acordo, enquanto os ataques aéreos russos mergulhavam a Ucrânia em sua pior crise energética em quase quatro anos de guerra.

Kiev está sob crescente pressão dos EUA para chegar a um acordo de paz na guerra desencadeada pela invasão em grande escala da Rússia em fevereiro de 2022, com ‌Moscou exigindo que Kiev ceda toda a sua área industrial oriental de Donbas antes de cessar os combates.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou que a disputa territorial era uma questão central nas negociações tripartidárias, que ‌incluíam autoridades russas, ucranianas e americanas e que deveriam ser concluídas no sábado.

"O mais importante é que a Rússia esteja pronta para pôr fim a esta guerra, que ela mesma iniciou", disse Zelensky em um comunicado no aplicativo Telegram, acrescentando que estava em contato regular com os negociadores ucranianos, mas que era muito cedo para tirar conclusões das conversas de sexta-feira.

"Veremos como a conversa se desenrola amanhã e qual será o resultado."

Rustem Umerov, secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia e chefe de sua delegação, afirmou em comunicado que as conversas abordaram os parâmetros para ‍o fim da guerra e a "lógica futura do processo de negociação".

As negociações acontecem um dia depois de Zelensky se reunir com o presidente dos EUA, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

Zelensky afirmou na sexta-feira que um acordo sobre as garantias de segurança dos EUA para a Ucrânia estava pronto e que ele estava apenas aguardando de Trump uma data e local específicos para assiná-lo.

A Ucrânia tem buscado garantias de segurança robustas de seus aliados ocidentais para o caso de um acordo de paz, a fim ‌de evitar que a Rússia, que demonstrou pouco interesse em pôr fim à guerra, invada o país novamente.

RÚSSIA INTENSIFICA ATAQUES À INFRAESTRUTURA ‌DE ENERGIA

As negociações tripartidárias, mediadas pelos EUA, estão ocorrendo em um contexto de intensificação dos ataques russos ao sistema energético da Ucrânia, que interromperam o fornecimento de energia e aquecimento em grandes cidades como Kiev, enquanto as temperaturas caem bem abaixo de zero.

O presidente da maior produtora privada de energia da Ucrânia, Maxim Timchenko, disse à Reuters na sexta-feira que a situação estava se aproximando de uma "catástrofe humanitária" e que a Ucrânia precisa de um cessar-fogo que interrompa os ataques à infraestrutura energética.

O ministro da Energia de Kiev afirmou na quinta-feira que a rede elétrica da Ucrânia enfrentou seu dia mais difícil desde o apagão generalizado de novembro de 2022, quando a Rússia começou a bombardear a infraestrutura energética.

A Rússia afirma desejar uma solução diplomática, mas continuará a trabalhar para atingir seus objetivos por meios militares enquanto uma solução negociada permanecer inatingível.

A exigência do presidente russo Vladimir Putin de que a Ucrânia ceda os 20% que ainda detém da região de Donetsk, em Donbas - cerca de 5.000 km² (1.900 milhas quadradas) - tem se mostrado um grande obstáculo para um acordo decisivo.

Zelensky se recusa a ceder territórios que a Rússia não conseguiu conquistar em quatro anos de guerra desgastante e de atrito. As pesquisas mostram pouco interesse dos ucranianos em concessões territoriais.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse na sexta-feira que a insistência da Rússia em que a Ucrânia cedesse todo o território de Donbas era "uma condição muito importante".

Uma fonte próxima ao Kremlin disse à Reuters que Moscou considera que uma "fórmula de Anchorage" - que a Rússia afirma ter sido acordada entre Trump e Putin em uma cúpula no Alasca em agosto passado - daria à Rússia o controle de todo o Donbas e congelaria as linhas de frente em outras partes do leste e sul da Ucrânia.

Donetsk é uma das quatro regiões ucranianas que Moscou anunciou em 2022 que anexaria após referendos rejeitados por Kiev e pelas nações ocidentais como fraudulentos. A maioria dos países reconhece Donetsk como parte da Ucrânia.

MOSCOU QUER UTILIZAR OS ATIVOS CONGELADOS

A Rússia também cogitou usar a maior parte dos quase US$5 bilhões em ativos ‌russos congelados nos Estados Unidos para financiar a recuperação do território ucraniano ocupado pela Rússia. A Ucrânia, apoiada por aliados europeus, exige que a Rússia lhe pague indenizações.

Questionado sobre a ideia da Rússia, Zelensky a descartou como "um absurdo".

Zelensky afirmou na quinta-feira em Davos que as negociações em Abu Dhabi seriam os primeiros encontros trilaterais envolvendo enviados ucranianos e russos e mediadores americanos desde o início da guerra.

No ano passado, delegações russas e ucranianas realizaram seu primeiro encontro presencial desde 2022, em Istambul. Um alto oficial da inteligência militar ucraniana também conversou com delegações americanas e russas em Abu Dhabi, em novembro.

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