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Projétil atinge navio no Estreito de Ormuz; tripulação abandona navio e busca desaparecido

Um navio cargueiro de bandeira liberiana foi atingido por um projétil de origem ainda não identificada ao atravessar o estreito de Ormuz, próximo à costa de Omã, nesta terça-feira (4). O impacto provocou um incêndio a bordo e levou parte da tripulação a iniciar os procedimentos de abandono da embarcação. Um marinheiro é considerado desaparecido.

4 ago 2026 - 08h01
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O episódio ocorre em uma das rotas marítimas mais sensíveis do mundo, onde o tráfego comercial permanece reduzido desde o início da guerra iniciada pelos EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. O cargueiro Minoan Pioneer navegava pelo estreito de Ormuz quando foi atingido por um projétil, segundo informações de fontes ligadas à segurança marítima. A embarcação é um navio graneleiro de bandeira liberiana operado pela empresa grega Modion Maritime Management.

Embarcações no Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, Omã, em 3 de agosto de 2026.
Embarcações no Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, Omã, em 3 de agosto de 2026.
Foto: REUTERS - Stringer / RFI

De acordo com essas fontes, a tripulação começou a abandonar o navio após o incidente. Até o momento, um integrante da equipe segue desaparecido.

A empresa Vanguard, especializada em gestão de riscos marítimos, informou que o projétil teria atingido a casa de máquinas da embarcação. O dano provocou um incêndio que se espalhou também para áreas de alojamento da tripulação.

Segundo a companhia, os tripulantes permaneciam mobilizados para tentar controlar as chamas enquanto aguardavam apoio externo. O desaparecido é o terceiro engenheiro da embarcação, de acordo com o mesmo relato.

A operadora grega do cargueiro não respondeu imediatamente aos pedidos de esclarecimento apresentados após a divulgação do incidente.

O episódio volta a chamar atenção para a situação de segurança em uma das passagens marítimas mais estratégicas do planeta. O estreito de Ormuz conecta o golfo Pérsico ao golfo de Omã e constitui uma rota essencial para o transporte internacional de energia.

Negociações contraditórias aumentam incerteza

Horas antes do incidente, Trump havia afirmado na Casa Branca que negociações com Teerã estavam ocorrendo "neste exato momento" e classificou o momento como a "última chance" para que os iranianos aceitassem aquilo que chamou de "um bom acordo".

Segundo o presidente norte-americano, as conversas envolveriam especialmente a reabertura do estreito de Ormuz, medida que poderia ocorrer "já amanhã", declarou na segunda-feira (3), referindo-se à terça-feira.

Teerã, porém, negou de forma explícita a versão apresentada por Washington. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaïl Baghaï, afirmou que não existem negociações diretas em curso com os Estados Unidos.

"Nós não estamos negociando com os Estados Unidos neste momento. Estamos negociando com Omã para garantir uma passagem segura no estreito de Ormuz", declarou o diplomata.

No domingo (2), o mesmo porta-voz já havia mencionado a possibilidade de um entendimento próximo com Omã, país situado na margem oposta do estreito e que tem atuado como intermediário regional desde o início da crise.

As declarações revelam mais um capítulo da divergência pública entre os dois governos. Após anunciar a retomada do diálogo, Trump afirmou que Teerã teria solicitado as conversas e que a iniciativa contaria com o apoio da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Catar.

O governo iraniano rejeitou essa versão e classificou as afirmações do presidente norte-americano como um "novo boato" e uma "nova mentira". Em resposta, Trump acusou os dirigentes iranianos de "duplicidade incrível" em mensagem publicada em sua rede social.

Tráfego reduzido na principal rota energética do Golfo

Antes do conflito desencadeado contra o Irã por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados mundialmente transitavam pela região.

Desde então, o fluxo de embarcações sofreu forte retração em razão dos riscos associados à navegação e da instabilidade militar no entorno do Golfo.

Dados da plataforma de monitoramento marítimo Kpler indicam que apenas três petroleiros e três navios graneleiros cruzaram o estreito na segunda-feira (3). O volume está muito abaixo do movimento habitual registrado na rota antes da escalada das tensões.

O novo incidente deve ampliar as preocupações entre armadores, seguradoras e operadores logísticos que dependem da passagem para ligar os produtores de energia do Oriente Médio aos mercados consumidores da Ásia, da Europa e de outras regiões do mundo.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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