Primeiro-ministro do Paquistão pede para Trump prorrogar prazo do ‘ultimato’ contra o Irã; Casa Branca responde
Estados Unidos deu até 20 horas de Washington (21h no horário de Brasília) para o Irã aceitar seus acordos
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, pediu para que os Estados Unidos prorroguem o prazo do “ultimato” contra o Irã. No caso, o governo Trump deu até a noite desta terça-feira, 7, para que o Irã aceite seus acordos – e, caso contrário, prometeu que “uma civilização inteira morrerá”. O que o Paquistão pede é que o prazo seja estendido por duas semanas.
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"Para permitir que a diplomacia siga seu curso, solicito sinceramente ao presidente Trump que estenda o prazo por duas semanas. O Paquistão, com toda a sinceridade, solicita aos irmãos iranianos que abram o Estreito de Ormuz por um período correspondente de duas semanas como um gesto de boa vontade", disse Sharif em uma publicação no X nesta terça.
O representante do Paquistão apontou que esforços diplomáticos para resolver a guerra pacificamente estavam "progredindo de forma constante, forte e poderosa, com o potencial de levar a resultados substanciais em um futuro próximo", e pediu para que todas as partes do conflito pensem em um cessar-fogo. O Paquistão tem intermediado propostas compartilhadas pelo Irã e pelos Estados Unidos, mas não há sinais de um acordo em vista.
O prazo termina às 20 horas em Washington (21h no horário de Brasília e 3h30 em Teerã) para que o Irã de fim ao bloqueio de petróleo do Golfo ou os EUA destruirão todas as pontes e usinas de energia do Irã.
A proposta do Paquistão chegou à Casa Branca e uma resposta será dada, disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, nesta terça-feira. O presidente foi informado da proposta e uma resposta será dada", disse Leavitt em comunicado.
O Irã, por sua vez, disse que "não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão graves". A declaração foi dada durante o inicio da tarde por Amir-Saeid Iravani, representante do Irã na ONU, durante reunião do Conselho de Segurança.
Iravani apontou ainda que as falas do presidente dos Estados Unidos "constituem incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio". Nisso, ele diz que o Irã "exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais".
Entenda o caso
O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos bombardearam o Irã em ataque coordenado com Israel e mataram o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Motivados pelo “direito e dever legítimo” da vingança, o Irã contra-atacou, e o conflito segue escalonando até então. Donald Trump, estabeleceu prazos, fez exigências e lançou ameaças ao longo das semanas de guerra, mas raramente elas foram tão explícitas quanto agora.
A então ameaça de Trump foi publicada mais cedo por ele em seu perfil no Truth Social, sua própria rede social, em meio a um ultimato feito ao Irã para firmar um acordo entre os países e terminar a guerra.
O Irã, no entanto, não sinalizou que irá ceder às exigências feitas por Trump, e o presidente iraniano afirmou nesta terça que 14 milhões de iranianos, incluindo ele próprio, se ofereceram como voluntários para sacrificar suas vidas na guerra.
Veja o que o presidente dos Estados Unidos escreveu em seu perfil na rede social Truth Social:
"Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser trazida de volta. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. No entanto, agora que temos uma Mudança de Regime Completa e Total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe as pessoas do Irã!", escreveu Trump.
Segundo o jornal estatal Tehran Times, o Irã suspendeu todos os canais de comunicação diplomáticos e indiretos com os Estados Unidos nesta terça. Além disso, o presidente do Irã afirmou que há 14 milhões de iranianos, incluindo ele próprio, que se ofereceram como voluntários para sacrificarem suas vidas na guerra.
Segundo o republicano, se acontecer, a nova rodada de ataques contra o Irã será devastadora. Em uma entrevista coletiva na segunda-feira, Trump disse a repórteres que pode eliminar o Irã "em uma noite" caso o país não chegue a um acordo antes do prazo estipulado por ele. O presidente americano afirmou também acreditar que líderes "razoáveis" do Irã estavam negociando de "boa-fé", mas que o resultado permanece incerto.
Segundo o presidente, o Irã precisa firmar um acordo "que seja aceitável para mim". Um dos componentes do acordo deve incluir "tráfego livre de petróleo" pelo estreito de Ormuz. À medida que as horas finais se aproximam, há poucos sinais de que o Irã esteja pronto para ceder ao ultimato de Trump.
*Com informações da Reuters

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