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Pesquisa desmente mito de que imigrantes cometem mais crimes que os alemães

15 out 2026 - 09h27
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Resumo
Um estudo criminológico desmente a tese de que imigrantes são inerentemente mais violentos na Alemanha. A maior presença de estrangeiros nas estatísticas policiais decorre de distorções: eles são denunciados com o dobro de frequência que os alemães e têm maior proporção de homens jovens, grupo historicamente mais propenso ao delito em qualquer sociedade, independentemente da cultura. Além disso, mais de 99% da população, alemã ou estrangeira, não comete nenhum crime violento grave no país.

Nas estatísticas de criminalidade no país europeu, pessoas sem passaporte alemão aparecem com mais frequência, em termos proporcionais, do que os alemães. Novo estudo revela a razão disso.Todos os anos, quando o Departamento Federal de Investigações da Alemanha (BKA) publica as estatísticas policiais de criminalidade, o partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) analisa os dados com especial atenção. Quantos crimes são atribuídos a refugiados, imigrantes e estrangeiros residentes na Alemanha?

Os fatores relacionados à criminalidade envolvem muito mais do que a nacionalidade – é o que mostra uma análise recente
Os fatores relacionados à criminalidade envolvem muito mais do que a nacionalidade – é o que mostra uma análise recente
Foto: DW / Deutsche Welle

Estudos de especialistas em mídia mostram que 95% dos comunicados de imprensa da AfD concentram-se em suspeitos não alemães, enquanto crimes envolvendo suspeitos alemães são praticamente ignorados.

No entanto, a narrativa comum da AfD - de que imigrantes são, por natureza, muito mais violentos - não corresponde à realidade. Susann Prätor, socióloga, criminóloga e professora da Academia de Polícia da Baixa Saxônia, examinou minuciosamente os dados de criminalidade na Alemanha em conjunto com colegas da Universidade de Zurique e do Instituto de Pesquisa Criminológica da Baixa Saxônia.

O grupo analisou não apenas o chamado "campo visível" - ou seja, todos os crimes que vieram à tona e constam nas estatísticas policiais -, mas também a "zona oculta": todos os crimes que não são denunciados nem descobertos, não aparecendo, portanto, em nenhuma estatística oficial, sendo identificados apenas por meio de pesquisas.

Criminosos alemães são denunciados com menor frequência

"Segundo as estatísticas policiais, pessoas que não possuem cidadania alemã cometem crimes com mais frequência do que alemães. No entanto, estudos sobre a zona oculta comprovam que estrangeiros são denunciados com mais frequência. Nessa zona oculta, as diferenças entre os dois grupos também são perceptíveis, mas muito menos acentuadas", afirma Prätor.

Assim, no caso de crimes cometidos por estrangeiros, a probabilidade de que apareçam posteriormente nas estatísticas policiais de criminalidade é duas vezes maior do que no caso de delitos cometidos por alemães. As estatísticas registram todos os casos de suspeita e não indicam se tal suspeita se confirma.

Ao ajustar as estatísticas criminais para corrigir a distorção relacionada ao registro de ocorrências, a representação de estrangeiros deixa de ser 2,6 vezes maior que a de alemães, passando a ser 1,7 vezes maior. Esse índice coincide com os resultados de estudos sobre a criminalidade violenta juvenil que abrangem a chamada "cifra oculta" (crimes não registrados). Segundo esses estudos, jovens estrangeiros cometem atos de violência cerca de 1,6 vezes mais frequentemente do que jovens alemães.

Outros fatores que influenciam a prática de crimes são a idade e o gênero. Há uma proporção maior de homens jovens entre os estrangeiros, e esse grupo é o que apresenta a maior propensão à criminalidade em todas as sociedades.

"Ser jovem, do sexo masculino, ter baixa escolaridade e propensão à violência são categorias que favorecem a disposição para atos violentos. Uma certa concepção de masculinidade também desempenha um papel, independentemente de sua origem. No entanto, não identificamos um fator cultural, contrariando o preconceito de que a masculinidade e a violência teriam um peso maior em outras culturas", afirma Prätor.

Ela cita uma pesquisa sobre a aceitação da violência: 5% dos jovens alemães veem a violência de forma positiva. Entre os jovens sem passaporte alemão, esse índice é de 10% - embora seja o dobro, a criminóloga considera que isso não é suficiente para utilizar o fator cultural como explicação.

Queda nos atos violentos cometidos por jovens

"A educação familiar desempenha um papel importante na formação de tais atitudes em relação à violência, pois essas posturas são moldadas no ambiente doméstico. Se eu vivencio a violência em casa, desenvolvo uma relação diferente com ela em comparação a quem não passou por essa experiência."

No entanto, a Alemanha está no caminho certo, afirma Prätor, mesmo que nem sempre pareça ser assim. "Há 50 ou 60 anos, a violência dos pais na educação dos filhos era muito mais comum do que é hoje. Além disso, a incidência de atos de violência cometidos por jovens é muito menor do que nas décadas de 1990 ou no início dos anos 2000."

Susann Prätor ressalta a importância de contribuir para uma abordagem mais objetiva do debate. Um exemplo ilustrativo disso são os registros policiais de crimes violentos graves - como lesão corporal perigosa, homicídio ou assassinato - presentes nas estatísticas criminais. "Entre 100 alemães, 0,2% cometem crimes violentos. Entre pessoas não alemãs, esse índice é de 0,6%."

Mas ela acrescenta: "Mais de 99% dos que vivem aqui na Alemanha - sejam de origem alemã ou não - ou seja, a vasta maioria da população, não cometem absolutamente nenhum crime violento grave."

Alemanha precisa fazer mais pela prevenção

O apelo da criminóloga, que também forma futuros policiais, é claro: a classe política deveria enfatizar mais os aspectos positivos da migração. Segundo ela, o debate sobre a imigração na Alemanha tem sido marcado por uma visão excessivamente negativa, focada rigidamente nas estatísticas policiais de criminalidade. Ela ressalta que a grande maioria dos não alemães realiza um bom trabalho e se integra de forma excelente.

A especialista defende que o governo invista mais recursos na prevenção. "É preciso começar a atuar com crianças e jovens o mais cedo possível, fortalecendo as competências sociais já nas creches, dando continuidade a esse trabalho na escola e reagindo quando ocorrem incidentes específicos de violência. Também é importante investir em infraestrutura e atividades de lazer em determinadas regiões. Afinal, um fator central para a violência juvenil, independentemente da origem, é a falta de uma estrutura cotidiana que faça sentido para esses jovens".

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