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'Paz nunca será feita com muros e armas', diz Papa em Verona

Pontífice dialogou com religiosos, detentos, crianças e jovens

18 mai 2024 - 09h54
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O papa Francisco viajou neste sábado (18) para Verona, onde sua agenda incluiu encontros com religiosos, presidiários, crianças e jovens.

    Na Basílica di San Zeno, o pontífice pediu que os sacerdotes mantenham a "carícia da misericórdia de Deus" e que não façam dos confessionários "salas de tortura": "Aos que são ministros do sacramento da penitência, por favor, perdoem tudo! E quando as pessoas forem se confessar, não comecem uma inquisição. Se não forem capazes de entender naquele momento, sigam em frente, o Senhor entendeu".

    Já na Piazza San Zeno, o Papa se dirigiu a crianças e adolescentes, pedindo que sejam "sinais de paz": "Jesus prega a guerra ou a paz? Queremos fazer a guerra ou a paz? Mas se você brigar com o companheiro ou companheira de escola, será um sinal de paz? Precisamos compartilhar sempre o bem, ouvir os outros, brincar com os outros, mas não brigar com os outros".

    Em seguida, Jorge Bergoglio foi à Arena de Verona, onde participou do encontro "Arena da Paz - Justiça e Paz se beijarão", diante de um público de 10 mil pessoas. "A cultura fortemente marcada pelo individualismo arrisca sempre fazer desaparecer a dimensão da comunidade, dos laços vitais que se sustentam e nos fazem avançar. Em termos políticos, essa é a raiz das ditaduras", discursou.

    "Quem desempenha um papel de responsabilidade pode se sentir investido do dever de salvar os outros como se fosse um herói.

    Isso envenena a autoridade. É uma das causas da solidão que tantas pessoas confessam experimentar", acrescentou.

    Respondendo a uma pergunta de Elda Baggio, vice-presidente da ONG Médicos Sem Fronteiras Itália, e do ativista brasileiro João Pedro Stédile, líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Francisco defendeu que a defesa das crianças é o caminho para acabar com as guerras: "É preciso estar ao lado dos pequenos, respeitar sua dignidade, escutá-los, compartilhar sua dor, tomar posição contra as violências das quais são vítimas".

    Em um momento que causou grande comoção, o Papa abraçou o israelense Maoz Inon, cujos pais foram mortos no ataque do Hamas em 7 de outubro, e o palestino Aziz Sarah, que perdeu o irmão em um ataque do exército israelense.

    "A paz nunca será fruto da desconfiança, dos muros, das armas apontadas uns contra os outros. Não semeemos morte, destruição, medo. Semeemos esperança! Não parem, não percam a coragem. Não se tornem espectadores da guerra dita 'inevitável'", disse o pontífice.

    Ele ainda seguiu para o presídio de Montorio para um encontro e um almoço com detentos. Lá, ele voltou a lamentar as condições dos cárceres. "Para mim, entrar num cárcere é sempre um momento importante, é um lugar de grande humanidade. Conhecemos a situação, são muitas vezes superlotados, com consequentes tensões e dificuldades. Quero dizer que estou próximo e renovo o apelo para que se trabalhe para a melhora".

    O Papa concluiu lamenatando casos de suicídios em prisões: "Com dor, soube que aqui, recentemente, infelizmente, algumas pessoas em um gesto extremo renunciaram a viver. É um ato triste, que só pode ser tomado por um desespero e uma dor insustentáveis. Me uno em oração às famílias e a vocês, peço que não cedam ao desconforto. A vida é sempre digna de ser vivida, e há sempre esperança para o futuro, mesmo quando tudo parece se apagar". .

Ansa - Brasil   
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