Mesmo com oposição de Clint Eastwood, Obama ganha apoio de Hollywood
5 nov2012 - 13h10
(atualizado às 17h43)
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O veterano ator e diretor Clint Eastwood alega que a imagem de que Hollywood é reduto de democratas é exagerado, mas as evidências dizem o contrário, com astros como George Clooney liderando uma lista de apoio a Barack Obama.
Amy Kremer, uma das fundadoras do movimento conservador Teay Party, com sua filha Kylie em frente à Convenção Republicana. Apesar dos números femininos favoráveis a Obama e de uma suposta guerra dos republicanos contra as feministas, diz ela, o GOP nada tem contra a participação das mulheres na política. Prova seria a presença feminina em Tampa. "Não discuto questões sociais, a minha prioridade é a economia e a criação de empregos", diz Amy
O apoio do eterno "Dirty Harry" - cujo discurso com uma cadeira vazia roubou de forma meio polêmica o show na Convenção Republicana - é muito bem recebido pelos republicanos, mas ele é praticamente um defensor solitário dos conservadores em Hollywood.
A lista de celebridades que apoiam Obama inclui, além de Clooney, Robert De Niro, Samuel L. Jackson, Scarlett Johansson, Leonardo DiCaprio, Morgan Freeman e Robert Redford, apenas para citar alguns.
"Os atores de Hollywood se inclinam pelo liberalismo e o Partido Democrata", afirma Steven Ross, professor da University of Southern California e autor de Hollywood Left and Right: How Movie Stars Shaped American Politics (Esquerda e direita de Hollywood: como as estrelas de cinema formaram a política americana, em tradução livre).
Eastwood, 82 anos, insistiu que este não é o caso quando fez sua questionada aparição na Convenção Republicana em Tampa, Flórida, pouco antes de Mitt Romney aceitar formalmente sua indicação.
"Eu sei o que estão pensando. Vocês estão pensando: o que um negociante de filmes está fazendo aqui? Vocês sabem que eles todos são de esquerda", afirmou ele na ocasião. "Pelo menos, é isso o que o povo pensa. Mas não é o caso. Existem muitas pessoas conservadoras, muita gente moderada em Hollywood."
O eclético e respeitado George Clooney também não é nada discreto em seu ativismo ideológico e patrocinou uma campanha de arrecadação de fundos em prol de Obama, organizada pelo diretor de animação dos estúdios DreamWorks, Jeffrey Katzenberg, e que, segundo dizem, conseguiu reunir 15 milhões de dólares (cerca de R$ 30 mi). Entre os doadores, estavam Barbra Streisand, Robert Downey Jr., Jack Black e Billy Crystal.
Outro show de arrecadação de fundos pró-Obama foi organizado por Stevie Wonder, Katy Perry e Earth, Wind and Fire - também com participação de Clooney - e reuniu 6.000 pessoas que pagaram 250 dólares por cabeça.
O dinheiro é importante numa disputa eleitoral, mas igualmente importante é o apoio que as personalidades do mundo artístico concedem ao candidato à presidência.
"A força do endosso das celebridades atrai a atenção para o candidato. Convence pessoas que de outra maneira não dariam atenção ou perceberiam o que ele representa", explica Ross.
E não apenas Hollywood garante esta chancela, os astros da música também têm um papel importante.
"Hoje em dia, eu diria que o apoio de músicos é mais importante para atrair o voto jovem do que o apoio dos astros de cinema", afirmou o professor.
Romney tem seus partidários no mundo musical, como Kid Rock, Gene Simmons, do Kiss, e Donny e Marie Osmond.
O roqueiro Meat Loaf chegou a chamar Romney de "o homem que vai se elevar neste país e lutar contra a tempestade e trazer os Estados Unidos de volta para o que deveria ser".
Apesar de as estrelas terem sua dose de influência, há poucas evidências de que os eleitores votem baseados na visão política de uma celebridade, seja Eastwood ou Beyonce, que cantou na posse de Obama. "O povo americano não é bobo", acredita Ross.
Apesar de todo apoio da indústria do entretenimento, nem todo mundo em Hollywood que vota em Obama partilha do mesmo entusiasmo que ele despertou há quatro anos. "Chegou ao ponto em que estou muito pouco envolvida emocionalmente", admitiu a atriz Susan Sarandon em entrevista à AFP.
"A sensação é que se Obama não vencer, tudo pode desmoronar (...) Eu vou votar, eu vou contribuir de muitas maneiras, mas não vou me matar", comentou. "Obama deveria ser eleito, só que há tanto dinheiro envolvido agora, e também há um monte de gente mal humorada porque estão desapontados com Obama. Nada pode se comparar com a última vez que ele concorreu. Foi algo incrível", concluiu.
Americanos vão às urnas
Os americanos escolhem nesta terça-feira seu presidente. O atual mandatário, o democrata Barack Obama, disputa a preferência dos eleitores com o republicano Mitt Romney. Diferente do Brasil, as eleições americanas são indiretas. O candidato mais votado em cada Estado leva todos os seus delegados. No fim, o candidato com maior número de delegados - e não de votos - sai vencedor. O Terra, maior empresa latino-americana de mídia digital, faz a cobertura completa das eleições presidenciais nos EUA e acompanha a apuração de votos em tempo real.
Historicamente, o Partido Republicano não tem muito sucesso entre os jovens, mas eventualmente aparecem exceções. Uma delas é Evan Draim, que, com 17 anos, é o delegado mais jovem da Convenção Republicana de 2012. Crítico de Obama, Draim apoia Romney em nome de um futuro com emprego e sem dívidas. "Quando Obama assumiu a presidência, não possuía um histórico próprio para lidar com a crise econômica. (...) Mitt Romney, sim, tem este passado, e nele os jovens podem confiar"
Foto: Terra
Amy Kremer, uma das fundadoras do movimento conservador Teay Party, com sua filha Kylie em frente à Convenção Republicana. Apesar dos números femininos favoráveis a Obama e de uma suposta guerra dos republicanos contra as feministas, diz ela, o GOP nada tem contra a participação das mulheres na política. Prova seria a presença feminina em Tampa. "Não discuto questões sociais, a minha prioridade é a economia e a criação de empregos", diz Amy
Foto: Ligia Hougland / Especial para Terra
Michael M. O'Brien é um dos conservadores mais passionais de Washington. "O fato de Romney ser mórmon me incomoda e não acho que ele seja suficientemente conservador. Além disso, ele não é firme nas suas opiniões", diz o católico empresário e escritor, que chegou de Porsche a Tampa. "Obama é um mentiroso e estou aqui em Tampa só para apoiar seu opositor, não importa quem seja. Até mesmo se os EUA ficassem sem presidente seria melhor do que ter mais quatro anos de Obama"
Foto: Ligia Hougland / Especial para Terra
Ana Puig foi para os Estados Unidos com pouco, estudou, trabalhou e cresceu na vida. Em 2008, quando viu que Obama seria candidato, começou a atuar na política e se alistou às fileiras do Tea Party. "Sempre fui conservadora e acho que o governo não deve ser envolver na nossa vida. Cada um deve tomar conta de si e não depender de dinheiro dado pelo governo", conta ela, hoje profissional de marketing
Foto: Ligia Hougland / Especial para Terra
A Igreja Mórmon, da qual Mitt Romney é membro, não aceita o casamento homossexual. Isso, no entanto, não impede que membros do Log Cabin, único movimento gay do Partido Republicano em Tampa, descartem o voto em Romney. "Independentemente das posições políticas, as pessoas estão preocupadas com como pagar o aluguel ou a prestação da casa e por comida na mesa", resume R. Clarke Cooper, diretor-executivo do movimento
Foto: Ligia Hougland / Especial para Terra
O estudante universitário, Bryn Dennehy, ainda não se conformou que seu candidato, Ron Paul, não foi nomeado nem poderá ter o nome incluído na cédula da eleição presidencial americana e veio de Oregon à Tampa para protestar. "Em 6 de novembro vou escrever o nome de Ron Paul na cédula", afirma. O estudante diz que o grande apelo de Paul entre os jovens é que o político libertário é contra a intervenção militar americana em outros países e a favor da legalização das drogas
Foto: Ligia Hougland / Especial para Terra
"Sou o mais liberal dos democratas, mas votarei no Mitt Romney", diz Bob Kunst, judeu ativista pró-Israel. Pela primeira vez, o manifestante está fazendo campanha para colocar um republicano na Casa Branca. "Meu voto é para defender os Estados Unidos, Israel e, acima de tudo, minha religião"
Foto: Ligia Hougland / Especial para Terra
Com grande esperança de vendas, o comerciante Richard Moore abriu uma loja temporária em Tampa durante a Convenção Nacional Republicana. Ele oferece produtos para agradar tanto republicanos quanto democratas. "Estamos atendendo cerca de 500 visitantes por dia, mas quase ninguém está comprando produtos pró-Obama", diz. Na semana que vem, Richard estará em Charlotte, na Carolina do Norte, para a Convenção Democrata; lá, ele espera dar vazão ao estoque democrata
Foto: Ligia Hougland / Especial para Terra
Sem crachás e solitário, Rich Beeson se parece com um qualquer em Tampa, mas é tão próximo de Romney que, se espirrar, o candidato fica gripado. "Esta campanha será sobre a economia, e ponto", diz Beeson, diretor nacional de política da campanha republicana de 2012 e que já atuara como diretor de política do comitê nacional republicano em 2008. "Esta batalha está tão parelha que não se consegue deslizar um alfinete entre Mitt e Obama. Estamos muito confiantes e preparados para briga"
Foto: Terra
A fazendeira Elaine Adams foi de Kansas a Tampa mostrar seu apoio à candidatura de Mitt Romney. "Romney tem a experiência necessária para tirar o país dessa bagunça. Os fazendeiros estão todos com Romney, pois fazendas são negócios e Romney é pró-negócios". Segundo Elaine, Kansas, que tradicionalmente sempre foi um Estado conservador, está ainda mais republicano nesta eleição presidencial
Foto: Ligia Hougland / Especial para Terra
O brasileiro Charlie Gerow, analista e estrategista político, é delegado republicano pelo Estado da pela Pensilvânia. Nasceu em Londrina e passou parte da infância em Niterói. Adotado por missionários americanos que passaram alguns anos no Brasil, ele luta pela eleição de Mitt Romney, de olho também nos interesses do Brasil. "Se Romney for eleito, vou batalhar por um relacionamento fantástico entre os Estados Unidos e o Brasil."
Foto: Ligia Hougland / Especial para Terra
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