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O caos vivido em Al-Shifa, o maior hospital de Gaza, paralisado em plena guerra entre o Hamas e Israel

Israel negou ter atacado o hospital, mas reconheceu que teve combates com militantes do Hamas nos seus arredores.

12 nov 2023 - 20h09
(atualizado às 20h42)
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Pacientes e refugiados no hospital Al-Shifa na sexta-feira, 10 de novembro
Pacientes e refugiados no hospital Al-Shifa na sexta-feira, 10 de novembro
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Os funcionários do hospital Al-Shifa, o maior de Gaza, dizem que pacientes e pessoas abrigadas na unidade de saúde permanecem presos ali enquanto ouvem combates nas ruas próximas.

Um cirurgião disse à BBC que o hospital ficou sem água, comida e eletricidade.

Os militares israelenses negam as acusações de terem atacado o Al-Shifa, mas afirmam que houve confrontos com combatentes do Hamas em área próxima ao local.

Um porta-voz do exército israelense disse que foi acordado evacuar os recém-nascidos para "um hospital mais seguro" neste domingo (12/11), depois que os médicos disseram que dois morreram e outros 37 estavam em perigo.

Em uma postagem de X (antigo Twitter), o porta-voz pede que as pessoas migrem para o sul da Faixa de Gaza.

Nick Beake, jornalista da BBC em Jerusalém, relata que os combates e as histórias de evacuados que foram baleados mostram que muitos dentro do hospital sentem que qualquer tentativa de saída é repleta de perigo.

Os recém-nascidos foram transferidos para a sala de cirurgia do hospital
Os recém-nascidos foram transferidos para a sala de cirurgia do hospital
Foto: BBC News Brasil

Os relatos de dentro do hospital mencionam pacientes recentemente operados que não podem ser evacuados e cadáveres se acumulando sem possibilidades de serem enterrados.

As Forças de Defesa de Israel (IDF) acusam repetidamente o Hamas de operar a partir de túneis sob o hospital, algo que o Hamas nega.

O cirurgião Marwan Abu Saada disse à BBC que tiroteios e bombardeios ecoam em Al-Shifa "a cada segundo".

Ele também disse que as tentativas de enterrar os mortos foram frustradas pelos combates ao redor do complexo.

"Não queremos que ocorram surtos epidémicos por causa desses cadáveres", disse, acrescentando que o frigorífico do necrotério não estava funcionando mais porque o gerador ficou sem combustível.

A Organização Munbdial da Saúde (OMS) disse no sábado (11/11) à noite que perdeu a comunicação com os seus contatos no hospital e expressou "séria preocupação" com a segurança do pessoal e dos pacientes.

Milhares de pessoas procuraram refúgio em hospitais como o Al-Shifa
Milhares de pessoas procuraram refúgio em hospitais como o Al-Shifa
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Doutores pelos Direitos Humanos Israel, um grupo de médicos, disse que dois bebês prematuros morreram porque não havia eletricidade.

O grupo alertou que havia "um risco real para a vida de outros 37 bebés prematuros".

Israel garantiu que o Al-Shifa não estava sob ataque e que o lado leste do hospital estava aberto para a passagem segura de quem quisesse sair.

Daniel Hagari, porta-voz militar de Israel, disse que o país ajudaria as pessoas "no departamento pediátrico a chegarem a um hospital mais seguro" neste domingo.

Ele afirmou que a decisão foi tomada a pedido da administração do hospital e que Israel "prestará a assistência necessária".

Hospitais ou cemitérios

Anteriormente, o coronel Moshe Tetro havia notado que houve confrontos perto de Al-Shifa entre o Hamas e as forças israelenses, mas nenhum tiroteio no próprio hospital.

Organizações internacionais de ajuda humanitária alertaram que os pacientes internados em hospitais perto dos combates em Gaza correm o risco de morrer por falta de tratamento médico adequado.

O vice-coordenador médico dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) disse à BBC que se não houvesse cessar-fogo, "todos os pacientes deixados nesses hospitais simplesmente morrerão, e esses hospitais se tornarão cemitérios".

Segundo um cirurgião, muitos membros da equipe médica de Al-Shifa tiveram que fugir
Segundo um cirurgião, muitos membros da equipe médica de Al-Shifa tiveram que fugir
Foto: Reuters / BBC News Brasil

No hospital Al-Quds, o Crescente Vermelho Palestino disse que suas equipes ficaram presas junto com 500 pacientes e cerca de 14 mil pessoas desabrigadas.

Um dos menores hospitais de Gaza, o Al-Rantisi, foi em grande parte evacuado. Apenas alguns pacientes e funcionários permaneceram lá dentro.

2,2 milhões de pessoas vivem na Faixa de Gaza, mas desde o início da guerra mais de 1,5 milhões foram deslocadas, segundo a Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos (UNRWA).

Cerca de 1.200 pessoas foram mortas em Israel depois que o Hamas atacou o país em 7 de outubro, muitas delas civis, e fez mais de 200 pessoas como reféns, segundo as autoridades israelenses. Numa estimativa anterior, foram notificadas 1.400 mortes.

A resposta de Israel dentro de Gaza deixou mais de 11 mil mortos, segundo o Ministério da Saúde controlado pelo Hamas. Esse número inclui mais de 4.500 crianças.

Os principais hospitais estão inativos porque estão sem eletricidade
Os principais hospitais estão inativos porque estão sem eletricidade
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

O que está acontecendo nos demais hospitais?

Al-Quds

Na manhã deste domingo, a Sociedade do Crescente Vermelho Palestino (PRCS) disse que o hospital Al-Quds ficou sem combustível e já não estava operacional. Ela disse que apesar de não ter eletricidade, a equipe médica ainda tentava cuidar dos pacientes.

Já havia sido informado anteriormente que o hospital estava cercado por tanques israelenses e havia relatos de tiros nas proximidades. Os militares israelenses disseram à BBC que não poderiam dar detalhes da "operação em andamento".

Hospital Indonésio

Na manhã deste domingo, a agência de notícias Reuters compartilhou um vídeo de médicos no hospital do norte de Gaza tratando de um bebê ferido em um ataque aéreo. Os profissionais de saúde alertaram que não têm eletricidade nem reservas de oxigênio e que tiveram que usar reanimadores manuais.

Rantisi e Al-Nasr

No sábado (11/11), o exército israelense disse que evacuou todo o hospital e que apenas alguns pacientes e médicos permaneceram no interior.

O Médicos Sem Fronteiras (MSF) disse ter recebido relatos de que o Rantisi estava cercado por tanques israelenses.

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