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Norte-americanos ganham Prêmio Nobel por trabalhos sobre estabilização de economias

12 out 2026 - 16h38
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Resumo
Os norte-americanos Robert Hall e Michael Woodford venceram o Prêmio Nobel de Economia de 2026 pelo desenvolvimento de modelos de estabilização econômica essenciais para governos e bancos centrais. Suas pesquisas demonstraram que o equilíbrio econômico depende das decisões de famílias e empresas, introduzindo conceitos fundamentais na política monetária moderna, como a orientação prospectiva de taxas de juros, o hiato do produto e a inflação rígida para enfrentar crises e choques financeiros.

Os acadêmicos norte-americanos Robert Hall e Michael Woodford receberam ‌nesta segunda-feira o Prêmio Nobel de Economia de 2026 por décadas de trabalho no desenvolvimento de modelos de base para estabilizar economias e que atualmente são utilizados por bancos centrais e ministérios da Fazenda em todo o mundo.

"Graças a eles, estamos mais bem preparados para lidar com choques na economia, como crises energéticas ou mudanças repentinas no nível de consumo das famílias", afirmou John Hassler, presidente do Comitê do Prêmio de Ciências Econômicas, em comunicado.

Woodford e Hall são frequentemente citados pelos principais bancos centrais ⁠do mundo que estão atualmente enfrentando o choque da inflação gerada pela guerra iniciada pelos Estados Unidos no Irã.

Uma das principais percepções ‌dos laureados é que as economias só podem ser mantidas em equilíbrio levando em conta as milhões de decisões tomadas em nível micro por famílias e empresas, em vez de utilizar teorias de cima para baixo sobre o funcionamento das economias.

"As ‌autoridades não devem encarar a estabilização da economia como um exercício que se ‌resume a pessoas acionando alavancas independentemente do que as pessoas na economia entendem sobre isso", disse Woodford, de 70 anos, ⁠da Universidade de Columbia, a jornalistas.

Em contraste com os choques do petróleo da década de 1970, quando os bancos centrais lutavam para combater a inflação, Woodford disse que uma nova estrutura foi útil durante a crise financeira global do final dos anos 2000 para reforçar as ferramentas tradicionais da política monetária.

"Fazer declarações mais explícitas sobre a trajetória futura provável da política de taxas de juros, em vez de depender simplesmente da capacidade de reduzir ainda mais as taxas de juros imediatamente, foi uma parte importante da resposta ‌política a partir de 2009", disse ele.

Além da chamada "orientação prospectiva" sobre a trajetória futura da política monetária, o trabalho de Woodford — e ‌de Hall, de 83 anos, da Universidade ⁠de Stanford — promoveu outros conceitos ⁠utilizados atualmente, como a ideia de inflação "rígida", em que as variações de preços se atrasam em relação às mudanças na demanda.

Outro é o "hiato do ⁠produto", uma medida da pressão da demanda que se acumula em uma ‌economia e da eficiência com que os ‌recursos estão sendo utilizados, sendo que o objetivo da política de estabilização é conduzir esse hiato para zero.

CONCEITOS FUNDAMENTAIS

Hall atuou como consultor do Departamento do Tesouro dos EUA, do Departamento de Justiça do país e do Conselho do Federal Reserve.

Sua percepção, apresentada em um artigo de 1978, de que as decisões das famílias sobre o consumo são um indicador ⁠perfeito de suas expectativas foi utilizada por Woodford em um modelo sobre como o consumo é determinado.

Hall chamou o prêmio de "uma surpresa maravilhosa" em um comunicado.

"Passei minha carreira tentando entender como a economia funciona", disse ele. "Quando achava que tinha uma ideia nova, o próximo passo era descobrir se ela era realmente nova, se estava correta e se era relevante."

Woodford também demonstrou que os bancos centrais podem estimular ou conter a atividade econômica ajustando as taxas ‌de juros, e não apenas por meio da quantidade de dinheiro em circulação.

Esses conceitos continuam sendo fundamentais para a atuação dos bancos centrais atualmente. A orientação prospectiva tornou-se especialmente importante após a crise financeira de 2008, quando as taxas estavam ⁠próximas de zero ou até mesmo negativas e a política monetária padrão parecia ter esgotado suas ferramentas.

Agora, porém, alguns questionam sua relevância, dada a grande incerteza na economia global, com o novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, sendo um cético notável.

O prêmio de economia, formalmente conhecido como Prêmio do Sveriges Riksbank em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, é o último prêmio a ser concedido este ano e tem valor de 12 milhões de coroas suecas (US$1,2 milhão).

Concedido pela primeira vez em 1969, ele não faz parte dos cinco prêmios originais criados no testamento de 1895 do industrial e inventor da dinamite Alfred Nobel, mas foi instituído pelo banco central da Suécia.

A maioria dos premiados anteriores é dos Estados Unidos. Apenas três mulheres já ganharam o prêmio, sendo a mais recente Claudia Goldin, em 2023, por seu trabalho sobre como o gênero afetou os salários e o emprego ao longo do tempo nos EUA.

Os vencedores do ano passado, Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt, foram premiados por seus trabalhos sobre a "destruição criativa" e como novas tecnologias e métodos de produção podem impulsionar o crescimento e os padrões de vida.

Os prêmios Nobel de medicina, física, química, literatura e paz foram anunciados na semana passada.

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