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Namoradas são agredidas em ônibus de Londres por se recusarem a se beijar 

Melania Geymonat e sua namorada foram atacadas a socos por um grupo de homens em um ônibus noturno em Londres.

7 jun 2019
12h52
atualizado às 14h19
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Duas namoradas sofreram um ataque homofóbico em um ônibus em Londres, na Inglaterra, e ficaram cobertas de sangue após apanhar de um grupo de homens.

Melania Geymonat (à dir.) e sua namorada, Chris, foram parar no hospital por causa do ataque
Melania Geymonat (à dir.) e sua namorada, Chris, foram parar no hospital por causa do ataque
Foto: Arquivo Pessoal / BBC News Brasil

Melania Geymonat, 28, diz que estava com sua namorada, Chris, no andar de cima de um dos clássicos ônibus vermelhos de dois andares da cidade quando um grupo de homens entrou no ônibus e começou a assediá-las.

Ao perceberem que as duas eram um casal, os homens começaram a dizer para elas se beijarem e a fazer gestos obscenos.

Quando elas se recusaram, eles começaram a socá-las.

A Polícia Metropolitana de Londres diz que está investigando o caso pelas imagens de segurança do ataque.

Trauma

Em uma entrevista à BBC Radio 4, ela disse que já havia sofrido "muita violência verbal" mas nunca havia sido fisicamente agredida por causa de sua sexualidade.

Geymonat diz que ainda não conseguiu voltar ao trabalho
Geymonat diz que ainda não conseguiu voltar ao trabalho
Foto: Arquivo Pessoal / BBC News Brasil

"Eles nos cercaram e começaram a dizer coisas muito agressivas, sobre posições sexuais e lésbicas, e dizendo que nós deveríamos nos beijar para eles assistirem", conta Melania.

"Eu até tentei fazer piada para aliviar a tensão, e Chris começou a agir como se estivesse passando mal, mas eles não pararam."

"Eles começaram a jogar moedas. E de repente ela estava no meio do ônibus e eles estavam dandos socos nela", conta Chris.

Então, imediatamente ela levantou e tentou puxar a namorada do meio dos homens, e eles começaram a socá-la.

"Eu comecei a sangrar muito", diz ela.

Melania disse que os agressores ainda levaram uma bolsa e um celular delas antes de fugir.

As duas foram levadas ao hospital para tratar dos ferimentos no rosto.

Melania Geymonat disse que nunca tinha sofrido violência física por causa de sua sexualidade antes
Melania Geymonat disse que nunca tinha sofrido violência física por causa de sua sexualidade antes
Foto: Arquivo Pessoal / BBC News Brasil

Melania disse que os homens tinham sotaque britânico e um deles falava espanhol.

A empresa Metroline, que administra os ônibus, diz que há imagens de câmeras de segurança e que está cooperando com a polícia.

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, disse que o ataque é "nojento e misógino". O líder trabalhista Jeremy Corbyn disse que o ataque foi "absolutamente chocante".

O secretário de saúde Matt Hancock disse que o caso é "terrível" e que "todo mundo tem direito ao amor".

Choque de realidade

por Ben Hunte, correspondente da BBC para assuntos LGBT

Esse ataque é um chocante lembrete de que mesmo em uma das cidades mais diversas e receptivas do mundo, ainda há trabalho a ser feito para proteger pessoas LGBT.

Números de 2018 da polícia mostram que os ataques à comunidade LGBT quase dobraram desde 2014.

No último verão o governo lançou um plano de ação para melhorar a vida das pessoas LGBT no Reino Unido. Sua pesquisa mostrou que dois terços dos LGBT evitam dar a mão ao parceiro publicamente por medo de reações negativas.

Como Melania disse em um post no Facebook, este é o mês do Orgulho LGBT, uma celebração reconhecida internacionalmente desde 1970. Com uma das maiores celebrações marcadas para acontecer na cidade em menos de um mês, esse ataque é um choque de realidade sobre o porquê da Parada do Orgulho LGBT ainda ser necessária em 2019.

Siwan Hayward, diretor de compliance e policiamento da empresa pública de transporte da cidade, Transport for London, descreveu o ataque como "doentio" e disse que "comportamento homofóbico e abuso é um crime de ódio e não será tolerado em nossa rede."

A polícia está pedindo que possíveis testemunhas do ataque, que aconteceu às 2h30 da manhã no horário local, se apresentem para ajudar na investigação.

O detetive Anthony Forsyth disse que houve um "aumento estável no relato de crimes de ódio", parcialmente graças a uma "maior disposição das vítimas para denunciá-los e maior conscientização da polícia".

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