Modi e Putin concordam em fortalecer parceria entre Índia e Rússia na véspera da cúpula do Brics
Na véspera da cúpula do Brics, o premiê indiano Narendra Modi e o presidente russo Vladimir Putin concordaram em reforçar a parceria estratégica entre Índia e Rússia, com foco em defesa e energia. Buscando equilíbrio diplomático em meio a pressões ocidentais e tensões geopolíticas, Nova Délhi defendeu o diálogo para a paz e justificou a alta importação de petróleo russo por segurança energética. As nações também projetam elevar o comércio bilateral para US$ 100 bilhões até 2030.
A Índia informou nesta sexta-feira que o primeiro-ministro do país, Narendra Modi, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, concordaram em fortalecer ainda mais a relação especial entre os dois países em conversações que abrangeram áreas como energia e defesa.
Nova Délhi está empenhada em um equilíbrio diplomático, ao tentar manter laços fortes com os Estados Unidos, os países árabes do Golfo Pérsico, a Rússia, o Irã e Israel, enquanto sofre o impacto das interrupções no transporte marítimo e no comércio decorrentes das guerras na Ucrânia e no Irã.
O encontro foi o segundo em duas semanas entre os dois líderes. Ele ocorreu na véspera da cúpula anual dos líderes do Brics na capital indiana, da qual devem participar o presidente da China, Xi Jinping, e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, entre outros. O bloco busca aumentar sua visibilidade, mesmo com seus membros divididos em relação à guerra no Irã.
Modi e Putin "compartilharam perspectivas sobre... os conflitos na Ásia Ocidental e na região do Mar Negro, que afetaram o comércio marítimo e a segurança dos marítimos indianos", informou um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Índia.
Modi reiterou que os conflitos devem ser resolvidos por meio do diálogo e da diplomacia e que a Índia está pronta para ajudar nos esforços de paz, acrescentou o comunicado.
"Os dois líderes concordaram em continuar empenhados no esforço para fortalecer ainda mais a parceria estratégica especial e privilegiada entre os dois países", afirmou o comunicado do Ministério das Relações Exteriores.
LAÇOS ENERGÉTICOS RESILIENTES
A Índia, juntamente com a China, é uma das maiores compradoras de petróleo russo, o que é visto como uma forma de ajudar Moscou a reabastecer seu orçamento desde que lançou sua invasão em grande escala à Ucrânia em 2022 e foi alvo de sanções ocidentais abrangentes.
A Índia tem procurado resistir à pressão para reduzir o comércio, argumentando que sua grande população e economia precisam de suprimentos de energia seguros, acessíveis e confiáveis. Nova Délhi também afirmou que o conflito na Ucrânia só pode ser resolvido por meio do diálogo e da diplomacia, e não pela interrupção, por parte de alguns países, do comércio de energia, metais ou fertilizantes com a Rússia.
A participação da Rússia nas importações indianas de petróleo bruto aumentou em 2026, atingindo um recorde de 51% em julho, à medida que as interrupções no abastecimento do Oriente Médio aumentaram a dependência das refinarias indianas do petróleo russo. Essa participação provavelmente diminuiu em agosto, à medida que a China intensificou as compras de petróleo russo, segundo reportagens da mídia indiana.
Modi disse, nesta sexta-feira, que presenteou Putin com uma tradução para o russo do Thirukkural, um texto clássico reverenciado na língua tâmil da Índia, composto por 1.330 dísticos sobre virtude, governança e amor, atribuído ao poeta e filósofo Thiruvalluvar.
Os dois líderes também visitaram uma feira industrial Índia-Rússia que exibia empresas russas das áreas de tecnologia, inteligência artificial, aviação, espaço, ciência nuclear, engenharia pesada, mineração e setor bancário.
A Índia e a Rússia afirmaram que pretendem elevar o comércio bilateral para US$100 bilhões até 2030, partindo de quase US$70 bilhões em 2024-2025.
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