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Grupos ligados a Trump e Musk injetam milhões para impulsionar republicanos em disputas eleitorais decisivas nos EUA

11 set 2026 - 12h22
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Resumo
Donald Trump e Elon Musk liberaram dezenas de milhões de dólares para fortalecer candidatos republicanos em disputas acirradas nas eleições de meio de mandato de 2026. Temendo perder o controle do Congresso, grupos aliados, como o novo comitê "No Going Back" e o America PAC, investem pesado em publicidade e campanhas em estados decisivos e no Texas. A estratégia busca defender vagas ameaçadas, contornar a baixa aprovação de Trump e atrair moderados ao desvincular as doações da marca MAGA.

Os dois maiores financiadores de candidatos do Partido Republicano ‌nas eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos em 2026 - o presidente dos EUA, Donald Trump, e o bilionário Elon Musk - finalmente abriram os cofres a menos de oito semanas do dia da votação.

Presidente dos EUA, Donald Trump, e Elon Musk participam de coletiva de imprensa na Casa Branca
30 de maio de 2025 REUTERS/Nathan Howard
Presidente dos EUA, Donald Trump, e Elon Musk participam de coletiva de imprensa na Casa Branca 30 de maio de 2025 REUTERS/Nathan Howard
Foto: Reuters

Com os republicanos diante da perspectiva de perder o controle de pelo menos uma das Casas do Congresso, e pesquisas indicando que eleitores democratas estão mais motivados a votar, um grupo ligado a Trump começou a gastar dezenas de milhões de dólares para reservar blocos de tempo para anúncios de TV em disputas acirradas para cadeiras no Congresso.

Trump, cujo ⁠índice de aprovação está estagnado no nível mais baixo de sua carreira política, disse a repórteres na semana passada que planejava destinar entre US$400 ‌milhões e US$500 milhões para impulsionar candidatos republicanos nas eleições legislativas de meio de mandato.

O comitê de ação política republicano afiliado a Trump, "No Going Back", garantiu mais de US$24,9 milhões em tempo de propaganda em seis Estados decisivos: Alasca, Geórgia, Michigan, Carolina do Norte, New Hampshire ‌e Ohio, de acordo com a empresa de pesquisa de propaganda política AdImpact.

Além disso, ‌o "Musk's America PAC", de Musk, e o principal braço de arrecadação de fundos de Trump, a "MAGA Inc.", injetaram nos últimos dias US$2,4 ⁠milhões e US$10 milhões, respectivamente, na disputa por uma vaga no Senado dos EUA no Texas, onde o procurador-geral estadual Ken Paxton corre o risco de se tornar o primeiro republicano a perder para um democrata em uma eleição estadual naquele Estado em décadas.

Cerca de US$6,9 milhões desse montante estão sendo gastos em anúncios de ataque contra o deputado estadual democrata James Talarico, que aparece 2,1 pontos percentuais à frente de Paxton na média das pesquisas compiladas pelo "Silver Bulletin", de Nate Silver.

"Os republicanos agora precisam gastar dinheiro de verdade para defender um mapa eleitoral ‌ampliado", disse o estrategista republicano Brad Dayspring, da Purple Strategies, em Alexandria, Virgínia. "Quando de repente você precisa investir milhões no Texas, o fato de o ‌presidente Trump e Musk abrirem seus bolsos ⁠dá aos republicanos a capacidade de reforçar ⁠disputas vulneráveis sem esgotar recursos do restante do mapa." 

O America PAC, de Musk, espera desempenhar um papel importante nos esforços republicanos para aumentar a participação ⁠eleitoral em Estados-chave, com gastos em campanhas de porta a porta, publicidade digital e mala ‌direta antes da eleição de 3 de ‌novembro. Ele já gastou mais de US$7 milhões em publicidade digital, mensagens de texto, ligações para eleitores, correspondências e outros materiais impressos, segundo registros federais. Um porta-voz do grupo se recusou a comentar.

NOVA ALIANÇA DE ARRECADAÇÃO DE FUNDOS

O fundo de campanha de Trump para as eleições de meio de mandato está apoiando o novo grupo de financiamento "No Going Back", segundo uma pessoa a par do ⁠assunto que pediu para não ser identificada. Não está claro quanto desse fundo será alocado por meio desse novo grupo.

Embora a MAGA Inc. de Trump e o "No Going Back" ainda não estejam formalmente afiliados entre si, eles compartilham o mesmo tesoureiro - Charles Gantt -, número de telefone e endereço na mesma empresa em Massachusetts. Gantt, a MAGA Inc. e o "No Going Back" não responderam aos pedidos de comentário.

O jornal New York Times informou que o "No Going Back" gastou US$49 milhões em reservas de publicidade ‌somente na terça e na quarta-feira.

Não está claro por que o novo grupo de financiamento eleitoral, registrado na Comissão Eleitoral Federal em 1º de setembro, foi criado, mas o estrategista republicano Ron Bonjean afirmou que isso ajuda a distanciar Trump e seu movimento MAGA das doações ⁠de campanha, à medida que os eleitores se desiludem com o presidente.

Qualquer publicidade do novo grupo será atribuída ao No Going Back PAC, em vez de à MAGA Inc., um nome intimamente ligado à marca política de Trump.

"É uma estratégia brilhante porque retira o MAGA do nome. Retira qualquer afiliação a Trump do nome. Tem um nome inofensivo com o qual ninguém vai se importar, ao contrário da MAGA Inc., que poderia afastar os eleitores independentes imediatamente", disse Bonjean, sócio da empresa bipartidária de relações públicas Rokk Solutions, em Washington.

O novo grupo utilizou alguns dos mesmos fornecedores da MAGA Inc. para realizar seu trabalho e, em agosto, alguns funcionários da MAGA Inc. começaram a sinalizar aos republicanos sua intenção de criar um novo grupo de financiamento eleitoral, de acordo com a pessoa a par da operação.

O momento do registro do "No Going Back" adiará a divulgação completa de seus doadores até o final de outubro, de acordo com as regras da comissão eleitoral.

Trump encerrou o primeiro dia da primeira convenção de meio de mandato do Partido Republicano, realizada em Dallas na quarta-feira, propondo pagar a cada adulto dos EUA um "dividendo Trump" de US$5.000 caso o partido vença as eleições para o Congresso. Não ficou imediatamente claro como os pagamentos de US$5.000 funcionariam ou se seriam legais.

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