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Meloni envia carta à UE para pedir maior flexibilidade em regras fiscais

Investigada por déficit excessivo, Itália tem pouca margem de manobra

1 out 2026 - 13h33
(atualizado às 14h18)
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Resumo
A premiê da Itália, Giorgia Meloni, pediu à União Europeia maior flexibilidade nas regras fiscais para combater a inflação de 4,2%, impulsionada por conflitos internacionais e custos de energia. O apelo ocorre após o país registrar déficit de 3,1% do PIB em 2025, estourando o teto do bloco e mantendo a Itália sob procedimento de infração. Pressionado a um ano das eleições, o governo tenta ampliar margens no orçamento de 2027 para aliviar custos sociais e custear medidas na área de energia e defesa.

A premiê da Itália, Giorgia Meloni, enviou uma carta à presidente do poder Executivo da União Europeia, Ursula von der Leyen, cobrando maior flexibilidade nas regras orçamentárias do bloco para fazer frente às pressões inflacionárias provocadas pelas guerras na Ucrânia e no Irã.

Meloni participa de evento da Confederação Nacional do Artesanato (CNA), em Roma
Meloni participa de evento da Confederação Nacional do Artesanato (CNA), em Roma
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O pedido chega após o Instituto Nacional de Estatísticas (Istat) ter confirmado que o país registrou um déficit fiscal de 3,1% do produto interno bruto (PIB) em 2025, o que impedirá o encerramento de um procedimento de infração instaurado pela Comissão Europeia.

Com isso, a gestão Meloni terá menos margem de manobra em sua Lei Orçamentária para 2027, que deve desembarcar no Parlamento nas próximas semanas.

"Entre os temas prioritários que temos na mesa está uma maior flexibilidade para fazer frente à crise energética", disse Meloni em um evento da Confederação Nacional do Artesanato (CNA), em Roma. "Em uma carta que enviei hoje à presidente Von der Leyen, colocamos o problema do impacto da inflação nas contas públicas, um problema que atinge todos os Estados-membros", acrescentou.

A inflação na Itália atingiu 4,2% em setembro, maior valor anual em três anos, resultado impulsionado sobretudo por produtos de energia, como tarifas de gás e combustíveis, cujos preços têm sido pressionados pelo bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz.

Para minimizar os impactos no bolso dos cidadãos a um ano das eleições legislativas, o governo Meloni tem renovado periodicamente uma desoneração nos impostos sobre o diesel, enquanto a estatal de capital misto ENI iniciou um movimento na Itália para impor um teto nos preços cobrados nas bombas de combustível.

A premiê, no entanto, esperava um déficit inferior a 3% do PIB, como mandam as regras orçamentárias da UE, em 2025 para sair do procedimento de infração aberto por Bruxelas e ter mais espaço no Orçamento para medidas contra a inflação, que impacta aposentadorias, pensões e uma série de benefícios sociais.

"Com as atuais taxas de inflação, fica difícil manter a previsão de gastos não apenas para nós, mas para todos", salientou o ministro italiano da Economia, Giancarlo Giorgetti, na Câmara dos Deputados.

Questionada sobre o pedido de Roma, a porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho, respondeu que o Executivo da UE já "concedeu mais flexibilidade aos Estados-membros" e que Bruxelas ainda não recebeu oficialmente a carta de Meloni.

No início de agosto, Giorgetti já havia antecipado que a Itália pediria permissão para um déficit extra de 0,9% do PIB para investir em defesa e de 0,6% para segurança energética, no âmbito de um instrumento criado pelo bloco na esteira da invasão russa à Ucrânia, a "Cláusula de Escape Nacional", para fortalecer a segurança dos países-membros.

Ansa - Brasil
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