Kuwait condena ataques do Irã, que denuncia violação do cessar-fogo pelos EUA
O Kuwait condenou os ataques do Irã neste sábado (6) contra seu território e o Bahrein e alertou para uma "escalada perigosa" e para a "ameaça direta" à "vida dos cidadãos e dos residentes" dos dois países. A ofensiva "constitui uma violação flagrante da soberania do Estado", afirmou, em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do país.
Os ataques iranianos contra o Kuwait e o Bahrein ocorreram em retaliação à ofensiva americana e dificultam as negociações de paz entre o Irã e os EUA. Os dois países estabeleceram uma trégua em vigor desde 8 de abril, mas ela nunca foi respeitada.
O Irã denunciou neste sábado uma "violação flagrante do cessar-fogo" após os novos bombardeios americanos. "É uma agressão militar contra a soberania nacional e a integridade territorial da república islâmica do Irã", afirmou o Ministério de Relações Exteriores em um comunicado, condenando "o comportamento hostil e provocador do regime americano".
Durante a noite de sexta-feira (5), a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter lançado, em represália a ataques americanos, mísseis balísticos contra a base aérea Ali Al-Salem, no Kuwait, onde estão posicionadas aeronaves americanas, e contra o quartel-general da Quinta Frota dos Estados Unidos no Bahrein.
Segundo o Comando Militar dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom), de sete mísseis, "seis foram interceptados, e um sétimo não atingiu o alvo".
As forças americanas já haviam atacado instalações de radar de vigilância costeira na cidade de Goruk e na ilha de Qeshm "para se defender de novos ataques", acrescentou o Centcom. Drones iranianos também foram "lançados em direção ao estreito de Ormuz", que "representavam uma ameaça imediata ao tráfego marítimo regional".
Nesta sexta, Trump, afirmou que restam ao Irã "21% a 22%" de seus mísseis, em entrevista à rede NBC. "Eles ainda têm alguns mísseis, têm alguns drones. Eu diria que, em porcentagem, talvez 21% ou 22% de seus mísseis. É uma quantidade considerável, mas não é o que era quando lançamos nosso primeiro ataque", declarou em um primeiro trecho divulgado pela emissora, que exibe a entrevista completa no domingo.
O presidente americano havia afirmado, no início de maio, que restavam a Teerã "18% a 19%" de seu estoque de mísseis. "A maior parte das fábricas de drones foi destruída, a maioria das plataformas de lançamento foi destruída e a maior parte dos locais de fabricação de mísseis foi destruída", disse. Para o presidente americano, o Irã "não tem outra escolha" a não ser chegar a um acordo. "Eles são fortes, são orgulhosos, mas terão de fazer coisas que nunca imaginaram fazer", avaliou Donald Trump à NBC.
Negociações
As negociações para encerrar o conflito parecem estagnadas. Em entrevista à CNN, o conselheiro militar do líder supremo iraniano, Mohsen Rezaï, disse que há um "impasse" e pediu aTrump o desbloqueio de US$ 24 bilhões em ativos iranianos no exterior. "Se ele pretende chegar a um acordo com o Irã, a liberação desse dinheiro é um teste de confiança para que o caminho se abra", afirmou. "Esse dinheiro é nosso, não dos Estados Unidos."
Teerã ainda exige que qualquer acordo com Washington inclua o fim do conflito no território libanês entre Israel e o Hezbollah. Os combates e ataques continuam apesar do anúncio de um novo acordo de cessar-fogo, na quarta-feira e a conclusão da rodada de negociações entre o Líbano e Israel em Washington.
O Hezbollah rejeitou esse acordo, assim como o anterior. Neste sábado (6), o Exército anunciou a morte de três militares "em um ataque israelense brutal" que teve como alvo um veículo militar no sul do país. A ofensiva constitui uma "violação flagrante da soberania libanesa e do direito internacional", condenou o presidente Joseph Aoun. O chefe de Estado havia criticado Teerã na véspera, pedindo que deixasse de intervir nos assuntos de seu país.
"Ouvindo as declarações do presidente, pode parecer que foi o Irã quem ocupou um quinto do Líbano, deslocou um quarto dos libaneses e bombardeia seu país diariamente", respondeu o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi.
O Hezbollah envolveu o Líbano na guerra no início de março, ao atacar Israel para vingar a morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei no ataque de Israel e dos EUA contra o país. Os bombardeios israelenses em retaliação ao Hezbollah causaram mais de 3.560 mortos desde o início do conflito, segundo o último balanço das autoridades. Do lado israelense, 27 soldados e um civil contratado foram mortos no Líbano.
Com agências
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