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Jurados começam a deliberar no processo criminal de Hunter Biden por porte de arma

10 jun 2024 - 16h15
(atualizado às 18h51)
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O júri começou a deliberar nesta segunda-feira no caso de Hunter Biden, filho do presidente dos EUA acusado de mentir sobre seu uso de drogas ilegais quando comprou uma arma de fogo em 2018.

Os 12 jurados deliberaram por cerca de uma hora após ouvirem os argumentos finais. Eles retomarão a discussão na manhã de terça-feira, disse um funcionário do tribunal.

"Pedimos que considerem que a lei se aplica igualmente a esse réu como se aplicaria a qualquer outra pessoa", disse o promotor do governo Derek Hines ao júri quando o primeiro julgamento criminal de um filho de um presidente em exercício chegou à sua fase final.

"Quando ele decidiu mentir e comprar uma arma, ele violou a lei. Pedimos que vocês deem o único veredicto apoiado pelas evidências -- culpado", disse Hines.

Biden, de 54 anos, se declarou inocente de acusações criminais que incluem mentir sobre seu vício quando preencheu um documento de verificação do governo para o revólver Colt Cobra e de posse ilegal da arma por 11 dias.  

O advogado de defesa, Abbe Lowell, comparou o caso da acusação ao trabalho de um mágico que foca a atenção no uso de drogas de meses ou anos antes da compra da arma para criar a ilusão de que Hunter Biden era usuário de crack quando adquiriu o revólver. 

"Eles misturaram todos aqueles anos antes de ele entrar na StarQuest Shooters e todos aqueles anos depois", disse Lowell aos jurados, referindo-se à loja de armas onde ele fez a compra. 

A juíza distrital Maryellen Noreika instruiu os jurados a serem imparciais. "Vocês têm que decidir o caso com base nas provas", disse Noreika a eles.

Em quatro dias de depoimentos na semana passada, os promotores ofereceram uma visão íntima dos anos de luta do jovem Hunter Biden com o vício em álcool e crack, que, segundo eles, legalmente o impedia de comprar uma arma. 

Nos argumentos finais da acusação, o representante do governo afirmou que uma compreensão sensata do depoimento sombrio sobre o constante uso de drogas de Hunter Biden preenchia lacunas nas evidências sobre seu comportamento na época da compra da arma. 

"Foi pessoal e foi feio e foi pesado", afirmou o promotor federal Leo Wise aos 12 membros do júri sobre o depoimento de uso de drogas de Hunter Biden. "Mas também foi necessário." 

O julgamento no tribunal federal distrital de Wilmington, Delawre, foi realizado após outro momento histórico -- a condenação de Donald Trump em 30 de maio, o primeiro presidente dos EUA considerado culpado de um crime. Trump é o republicano que desafiará o democrata Joe Biden na eleição presidencial de 5 de novembro. 

Trump e alguns dos seus aliados republicanos no Congresso alegaram que o caso e outros três processos criminais são tentativas motivadas por política de impedi-lo de recuperar o poder. 

Democratas no Congresso citam o processo contra Hunter Biden como evidência de que Joe Biden não está usando o sistema judicial para fins políticos ou pessoais. 

Wise disse que não importa se pessoas conhecidas compareceram ao tribunal ou como reagiram às provas, uma possível referência ao comparecimento da primeira-dama Jill Biden. "Nada disso importa. O que importa veio do banco das testemunhas", disse ele.

Na semana passada, a ex-mulher, a ex-namorada e a cunhada de Hunter Biden testemunharam a favor pela acusação sobre seu uso de drogas, dizendo aos jurados que frequentemente encontravam drogas em sua posse e que, às vezes, ficavam preocupadas com sua crescente dependência.

Wise leu trechos do livro de memórias de Hunter Biden sobre uma tentativa fracassada de ficar limpo e ter uma recaída no uso de drogas, pouco antes de comprar a arma. "Acreditem na palavra do réu. Essa é a verdade dele", disse Wise.

Em uma audiência em 2023, Hunter Biden disse à juíza supervisionando o caso que está sóbrio desde 2019. 

As orientações de sentença para as acusações contra Biden são de 15 a 21 meses, mas especialistas legais afirmam que réus em casos similares ao dele muitas vezes pegam sentenças menores e têm menos probabilidade de serem presos, se cumprirem os termos de sua liberdade provisória.

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