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Jack Teixeira se declara culpado por vazamento de segredos do Pentágono

4 mar 2024 - 15h01
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Jack Teixeira, o membro da Guarda Nacional Aérea de Massachusetts acusado de vazar documentos militares confidenciais em uma plataforma de mídia social, se declarou culpado nesta segunda-feira por realizar uma das mais graves violações da segurança nacional dos Estados Unidos em anos.

Teixeira, que permanece sob custódia desde sua prisão em abril do ano passado na casa de sua mãe em North Dighton, em Massachusetts, admitiu irregularidades durante uma audiência no tribunal federal de Boston, depois de fechar um acordo judicial com promotores que planejam pedir sentença de mais de 16 anos de prisão.

O jovem de 22 anos se declarou culpado de seis acusações de retenção e transmissão intencionais de informações confidenciais relacionadas à defesa nacional por causa de um vazamento, no ano passado, de um conjunto de documentos confidenciais para um grupo de jogadores no Discord.

Em troca da declaração de culpa, os promotores concordaram em não acusar Teixeira de novas violações da Lei de Espionagem ou de outros crimes. Ele concordou em ser condenado a pelo menos 11 anos de prisão, e os promotores disseram que recomendariam 16 anos e oito meses de prisão.

A juíza distrital Indira Talwani agendou a sentença para 27 de setembro.

Antes de ser preso, Teixeira era aviador de 1ª classe na Base da Guarda Nacional Aérea de Otis, em Cape Cod, em Massachusetts, onde trabalhava como funcionário de operações de defesa cibernética ou especialista em suporte de tecnologia da informação.

Apesar de ser um aviador de baixo escalão, Teixeira possuía uma autorização de segurança ultrassecreta e, a partir de janeiro de 2022, começou a acessar centenas de documentos confidenciais relacionados a tópicos como a invasão da Ucrânia pela Rússia, de acordo com os promotores.

Ele fez isso apesar de seus superiores o terem advertido duas vezes em setembro e outubro de 2022 sobre o manuseio de informações confidenciais, de acordo com registros internos da Guarda Nacional Aérea apresentados no tribunal.

Na época, Teixeira liderava um servidor privado -- uma espécie de sala de bate-papo -- no Discord chamado "Thug Shaker Central", e os promotores disseram que ele começou a compartilhar informações confidenciais em três servidores enquanto se gabava de ter acesso a "coisas para Israel, Palestina, Síria, Irã e China".

Os documentos vazados continham informações altamente confidenciais sobre aliados e adversários, com detalhes que iam desde as defesas aéreas da Ucrânia até a agência de espionagem israelense Mossad.

Em dezembro, a Força Aérea dos EUA anunciou que havia tomado medidas disciplinares contra 15 pessoas por causa do vazamento e destituiu o coronel Sean Riley do comando da unidade à qual Teixeira pertencia.

Isso foi feito depois que um relatório do inspetor geral da Força Aérea sobre o incidente constatou que alguns membros da unidade e da liderança de Teixeira "tinham informações sobre até quatro instâncias separadas de sua atividade questionável".

Um número menor de pessoas tinha uma visão mais completa de seu comportamento de busca de informações e "deixou intencionalmente de relatar todos os detalhes dessas preocupações/incidentes de segurança", disse o relatório.

A Força Aérea, após os vazamentos, disse que implementou várias reformas para melhorar os procedimentos relacionados ao acesso a informações confidenciais.

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