Itália libera 100 milhões de euros para emergência após sismos em área de supervulcão
Número de desalojados por terremoto no sul da Itália subiu para 700
O governo da Itália anunciou nesta terça-feira (4) a destinação de 100 milhões de euros para enfrentar a emergência provocada pela recente atividade sísmica na caldeira vulcânica de Campi Flegrei, em Nápoles, sul do país.
O anúncio foi feito pelo ministro da Defesa Civil, Nello Musumeci, após a reunião do Conselho de Ministros.
Segundo ele, os recursos correspondem a uma primeira estimativa dos danos causados pelos tremores e têm como objetivo permitir que as autoridades locais iniciem as medidas necessárias enquanto uma avaliação mais detalhada é realizada.
"Parece uma quantia particularmente significativa; estamos trabalhando para cumprir uma primeira estimativa sumária dos danos. Levará algumas semanas, mas achamos importante permitir que as autoridades locais tomem medidas", afirmou Musumeci.
A decisão ocorre após o terremoto de magnitude 4,7 na escala Richter registrado em 31 de julho, considerado o mais forte das últimas quatro décadas na região marcada pelo fenômeno conhecido como "bradismo" (ou "bradissismo"), que se caracteriza pela elevação ou rebaixamento do nível do solo a partir do gás e magma acumulados nas profundezas.
Durante a coletiva de imprensa, Musumeci informou que 395 edifícios foram evacuados após inspeções realizadas pelo Corpo de Bombeiros. Ao todo, cerca de 700 pessoas foram afetadas: 568 conseguiram acomodação de forma independente e 128 permanecem hospedadas em hotéis.
O governo também aprovou o CAS, um auxílio para o alojamento independente de pessoas que ficaram sem moradia devido aos danos provocados pelos terremotos. O benefício poderá ser solicitado por moradores que não tenham outra residência e que iniciem procedimentos para reparar seus imóveis afetados.
Até o momento, foram realizados 227 levantamentos técnicos, enquanto 1.182 pedidos de inspeção foram apresentados por proprietários. Para acelerar as avaliações, foram mobilizadas 36 equipes adicionais de técnicos do Corpo de Bombeiros.
Entre as medidas aprovadas, o governo também aumentou a participação estatal no financiamento de obras de reforço sísmico dos imóveis. Inicialmente, a divisão previa 50% dos custos para o Estado e 50% para os proprietários. Agora, a contribuição pública será elevada para 70%.
Musumeci destacou que a iniciativa busca reduzir os riscos em uma área vulcânica de alta complexidade. "Quando se está na cratera de um vulcão, segurança de 100% não existe. Trata-se de reduzir a exposição do imóvel ao risco", declarou.
O Conselho de Ministros também aprovou a efetivação de funcionários temporários dos municípios afetados que já tenham completado 36 meses de serviço e prorrogou até 31 de dezembro de 2027 o mandato do departamento responsável pelos Campi Flegrei.
A decisão foi anunciada em um dia de tensão em Pozzuoli, onde cerca de mil manifestantes bloquearam temporariamente o porto da cidade para exigir respostas mais rápidas das autoridades.
Moradores, comitês locais e ativistas apelaram por medidas para enfrentar os problemas causados pelos deslocamentos, danos estruturais e dificuldades de abastecimento.
Após o protesto, o ministro do Interior, Matteo Piantedosi, aceitou se reunir com uma delegação de moradores na prefeitura de Nápoles.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que o governo reforçou as medidas destinadas aos Campi Flegrei, com novos recursos para apoiar as famílias afetadas, proteger edifícios e auxiliar os municípios. .
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